Brandos e Pacíficos

Divaldo P. Franco

Os brandos e pacíficos herdarão a Terra, e serão chamados filhos de Deus.

Esta frase monumental – reunimos dois textos em apenas um – encontra‑se no Sermão da Montanha, enunciado por Jesus, conforme o Evangelho de São Mateus, 5: 5 e 9.

Nunca foi tão necessária de ser repetida como na atualidade, em que a prepotência e a crueldade constituem fatores de primazia na cultura sociológica da Humanidade.

O ser humano, que alcançou as estrelas que reluzem ao longe e as estuda com afinco e determinação, assim como as micropartículas, em busca da energia no seu estado mais primitivo, que investe fortunas incalculáveis para a solução de pandemias e moléstias dilaceradoras, que se comove ante um gesto de ternura infantil, genericamente ainda não conseguiu disciplinar os instintos e as paixões asselvajadas que lhe permanecem no imo, devorando-lhe as sublimes aspirações ao bom, ao belo e ao nobre.

Com facilidade, entrega-se à alucinação do poder terreno, olvidado da sua fragilidade assim como da fugacidade com que transita no mundo.

O sentido ético do viver, as abençoadas escolas de pensamento filosófico edificante, as conquistas da Ciência, apresentando as glórias da vida, flutuam com rapidez nas suas reflexões, e deixa-se deslumbrar infeliz e ambicioso pela crueldade e a beligerância.

Os séculos e milênios, que varreram as civilizações, desde as mais recuadas até este momento grandioso, não conseguiram depositar nos sentimentos humanos a brandura e a pacificação. Como consequência, vivemos numa sociedade caracterizada por distúrbios de muitos gêneros, apresentando-nos inconstantes, ciumentos, invejosos, derrapando sempre na animosidade e na malquerença.

A antipatia e a amizade protocolar, própria para redes sociais em que as fantasias se apresentam como realidade, sob o estímulo de outros indivíduos atormentados que se lhes tornam modelos a serem seguidos, substituem a brandura e a paz que fazem falta em demasia.

As terríveis buscas do sentido da vida no prazer sensorial atiram as criaturas na viagem ao mundo exterior, olvidando-se da sua realidade de seres espirituais.

Por mais, no entanto, que o ser humano fuja da investigação e vivência dos seus valores morais, do retorno à reflexão íntima em torno da sua origem, de quem é e como liberar-se dos males íntimos que o afligem, mais cedo ou tarde será conduzido pelas circunstâncias a enfrentar-se.

As modernas doutrinas psicológicas têm procurado despertar as mentes e os corações para a conquista do sentido brando e pacífico da existência, mas há relutância forte entre o ego e o Self, mantendo-se os velhos hábitos que geram desequilíbrio.

Por essa razão, Jesus afirmou que os brandos e pacíficos herdarão a Terra.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 16/12/21

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Perispírito

Martins Peralva

LE Questão 93. – O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer? R. – Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.

O perispírito é, ainda, corpo organizado que, representando o molde fundamental da existência para o homem, subsiste, além do sepulcro, demorando-se na região que lhe é própria, de conformidade com o seu peso especifico. – Emmanuel

Os conceitos acima definem, muito bem, o perispírito, envoltório com que os Espíritos se apresentam e com o qual, no mundo espiritual, assinalam sua vivência.

Em seu estudo, temos a considerar, basicamente:

a) – Funções.

b) – Forma.

c) – Organização.

d) – Densidade.

e) – Coloração.

Com tais elementos fundamentais, pode-se ter uma idéia, aproximada, do que seja perispírito, uma vez que, “tão arrojada é a tentativa de transmitir informes sobre a questão aos companheiros encarnados, quão difícil se faria esclarecer à lagarta com respeito ao que será ela depois de vencer a inércia da crisálida”, explica Emmanuel.

Funções: Reveste o Espírito, quando desencarnado, e serve de intermediário entre o Espírito e o corpo, durante a encarnação.

Do corpo para o Espírito, transmite sensações; do Espírito para o corpo, conduz impressões.

Forma: Quando os Espíritos possuem determinada elevação, podem modificá-la, à sua vontade. Caso contrário, sob a influência das leis que regem o mundo mental, ou sob a ação de entidades cruéis, como acontece nos processos de zoantropia (aparência de monstros animalescos) e licantropia (aspecto de lobo), pode haver alterações na forma perispirital, independente da vontade do Espírito.

Organização: Organiza-se o perispírito com o fluido peculiar ao mundo onde vive: “Passando de um mundo a outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.”

Densidade: Quintessenciada ou rarefeita, nas almas grandemente evoluídas, pastosa ou opaca, nas almas muito imperfeitas.

Coloração: Luminosa e brilhante, nos Espíritos Superiores; sem qualquer brilho, nas almas inferiorizadas.

A existência do perispírito, que é termo espírita designativo desse singular corpo que reveste o Espírito desencarnado, é conhecida desde a mais remota antiguidade, tendo recebido, através do tempo, várias denominações.

Entre os homens primitivos, no alvorecer da humanidade, dão-lhe o estranho nome de CORPO-SOMBRA.

Entre os egípcios, KÁ.

Os teosofistas denominam-no CORPO ASTRAL.

Paulo de Tarso designa-o CORPO CELESTE.

Filósofos do século XIX chamavam-lhe MEDIADOR PLÁSTICO.

Allan Kardec, codificando o Espiritismo, deu-lhe o nome de PERISPIRITO.

Nas palavras de Jesus – “Os teus olhos são a candeia do teu corpo” – identificamos clara referência ao perispírito, pois sabemos que olhos maus densificam-no, enquanto olhos bons e puros dão-lhe claridade.

Emmanuel, o elevado Instrutor Espiritual, define-o por “campo eletromagnético, em circuito fechado, constituído de gases rarefeitos”, classificando o seu desenvolvimento, no tempo e através das espécies, da seguinte maneira:

I) – Subhumana (forma) – Animais

II) – Protoforma humana – Macacóides

III) – Psicossoma primitivo – Selvagens

IV) – Psicossoma inferior – Homens animalizados

V) – Psicossoma normal – Homens normais

VI) – Psicossoma superior – Almas metanormais

VII) – Almas sublimadas – Angelitude

No tocante à densidade normal da 5.” classificação, a coloração, o psicossoma tem três categorias, a saber:

a) – Esforço

b) – Sacrifício

c) – Grandes Causas

Expliquemos:

Esforço: Almas que se esforçam no sentido do auto-aperfeiçoamento, lutando por superar as próprias imperfeições.

Sacrifício: Almas capazes de se sacrificarem pelo bem do próximo.

Grandes Causas: Almas que reencarnam para missões que interessam ao seu progresso e de parcelas ponderáveis da humanidade.

Essa variação, no sentido da densidade e tonalidade, não significa ter a alma ingressado na classificação VI: PSICOSSOMA SUPERIOR, próprio das almas metanormais, isto é, além do normal.

As alterações perispiritais processam-se gradualmente, acompanhando a evolução espiritual, que é, como todos sabem, muito lenta.

Sob a influência e comando mentais, é o perispírito extremamente sensível, daí as variações quanto à sua densidade e coloração.

Em termos esquemáticos, busquemos transmitir rudimentar idéia da densidade do mediador plástico, em suas naturais transformações:

a) No estado de primitivismo, pode o perispírito ser tosca e figuradamente comparado ao gelo (sólido, espesso).

b) O perispírito do homem pouco evoluído pode ser exemplificado em forma líquida, aquosa (flexível, maleável).

c) O perispírito do homem realmente evoluído, especialmente no estado de desencarnado, sem a menor constrição corporal, seria como o vapor (rarefeito, expansível).

Embora reconheçamos precária a imagem, cremos, no entanto, deixa no estudante certa compreensão, partindo, como estamos, da comparação básica: água e perispírito.

Uma e outro constituem a base para a transmissão do que desejamos dizer em torno de um assunto decerto ainda inacessível à mente humana, conforme se depreende da referência de Emmanuel, no início deste capítulo.

Entendamos, pois, que o estado de organização varia da concreção à volatilidade, do enclausuramento à expansibilidade.

Alcançado o estado de sublimação espiritual, desaparece a necessidade de acondicionar-se o Espírito no envoltório perispiritual, podendo, no entanto, reorganizá-lo tantas vezes quantas desejar, para efeito de apresentação a médiuns videntes, no plano terrestre, ou nas assembléias da Espiritualidade das quais participem entidades de menor gabarito.

As virtudes evangélicas, sintetizadas nas grandes conquistas do conhecimento, do amor e da pureza, dão ao Espírito beleza, encantamento, luminosidade.

As imperfeições do caráter, sintetizando as degradações morais do Espírito, no corpo material ou fora dele, dão-lhe ao perispírito feiúra, opacidade, pastosidade.

Na Parábola das Bodas, faz Jesus alusão, incontestável, ao perispírito: “Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia a veste nupcial, e perguntou-lhe: “Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu”.

Martins Peralva

Livro: Pensamento de Emmanuel – 3 – FEB

Martins Peralva

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Exilados de Capela

Momento Espírita

EXILADOS DE CAPELA

Nos mapas zodiacais, que os astrônomos terrestres usam em seus estudos, observa-se uma grande estrela na Constelação do Cocheiro, que recebeu, na Terra, o nome de Cabra ou Capela.

Há vários milênios, um dos planetas da Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingiu o ponto máximo de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos.

Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, dificultando o progresso daqueles povos cheios de piedade e virtudes.

As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmo, resolveram, então, trazer aqueles Espíritos aqui para a Terra longínqua.

Na Terra, eles aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração, impulsionando, simultaneamente, o progresso dos povos primitivos que habitavam este planeta.

Foi assim que Jesus, como governador da Terra, recebeu, à luz do Seu reino de amor e de justiça, aquela multidão de seres sofredores e infelizes.

Jesus mostrou-lhes os campos imensos de luta que se desdobravam na Terra, envolvendo-os no halo bendito da Sua misericórdia e da Sua caridade sem limites.

Abençoou-lhes as lágrimas salutares, fazendo-lhes sentir os sagrados triunfos do futuro e prometendo-lhes a Sua colaboração cotidiana e a Sua vinda no porvir.

Esses Espíritos, vindos de um mundo em que o progresso já estava bem acentuado, guardavam no coração a sensação do paraíso perdido.

Ao encarnar na Terra, se dividiram em quatro grandes grupamentos dando origem à raça branca, ou adâmica, que até então não existia no orbe terrestre.

Formaram, desse modo, o grupo dos árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da Índia.

Tendo ouvido a palavra do Divino Mestre antes de chegar à Terra, guardavam a lembrança da promessa do Cristo.

Eis por que as grandezas do Evangelho foram previstas e cantadas alguns milênios antes da vinda do Sublime Galileu, no seio de todos os povos, pelos antigos profetas.

Dentre os Espíritos exilados na Terra, os que constituíram a civilização egípcia foram os que mais se destacaram na prática do bem e no culto da verdade.

Importa considerar que eram eles os que possuíam menos débitos perante as leis Divinas.

Em razão de seus elevados patrimônios morais, guardavam no íntimo uma lembrança mais viva das experiências de sua pátria distante.

Uma saudade torturante de seu mundo distante, onde deixaram seus mais caros afetos, foi a base de todas as suas organizações religiosas.

Depois de perpetuarem nas pirâmides os seus avançados conhecimentos, todos os Espíritos daquela região africana regressaram à pátria sideral.

Isso explica por que muitas raças que trouxeram grande contributo de conhecimentos à Terra, desapareceram há muito tempo.

Informações preciosas sobre a História da Humanidade terrestre foram trazidas pelo Espírito Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier e constam do livro A caminho da luz.

Nesse livro você encontrará esclarecimentos sobre as grandes civilizações do passado, sobre a trajetória evolutiva do planeta, e muitas outras.

Irá saber porque Jesus afirmou que os mansos herdarão a Terra.

Descobrirá, também, que a Terra não está desgovernada; que no leme dessa gigantesca nave está Jesus, com mãos firmes e olhar sereno.

* * *

Os mundos também estão sujeitos à lei de progresso.

A Terra, por exemplo, já foi mundo primitivo, e hoje está na categoria de provas e expiações, que é apenas o segundo degrau da escala evolutiva.

Como o progresso é da lei, um dia a Terra atingirá o ponto máximo do atual ciclo evolutivo e passará para a categoria de mundo de regeneração, e assim por diante.

Por isso vale a pena investir na melhoria do ser humano, pois só assim conseguiremos transformar a Terra em um mundo de paz e felicidade.

Redação do  Momento Espírita, com base no livro A caminho da luz, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel, ed. Feb.

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Ciclos da Vida – Momento Espírita

CICLOS DA VIDA

Às vezes, me pego a pensar na realidade da vida.

Lembro-me de pequenino, erguendo os braços para que papai ou mamãe me pegassem no colo.

Papai tinha um bigodinho preto, que roçava meu rosto, fazendo cócegas, quando me beijava.

Mamãe, muito linda, com seu sorriso encantador, sempre buscava me alegrar.

No meu primeiro dia de aula, os dois fizeram questão de me levar à escola, sorrindo e me estimulando à novidade, que me assustou, um pouco.

Meus irmãos e eu crescemos e foi chegando o dia de mudar de cidade, em função dos estudos.

Hora de encararmos a Universidade, no curso que escolhemos.

Voltamos formados, nos estabelecendo na cidade natal.

Percebemos que muitas coisas haviam mudado.

O sorriso de mamãe, quando se mostrava feliz, por nos ter de volta, não era mais tão brilhante.

Papai abandonara o bigode e estava com o rosto mais sério, embora ainda fizesse alguma piada e procurasse rir de pequenas tolices.

Em poucos anos, meus irmãos e eu nos casamos, iniciando nossas famílias.

No início, íamos passar dois domingos por mês junto dos velhos, acompanhando de perto o declinar daquelas criaturas queridas.

Os netos diziam que vovô só ficava sentado em sua cadeira preferida, resmungando coisas repetidas.

Vovó começara a se esquecer das palavras, buscando, de forma insistente, acessar a memória, sem grandes resultados.

Papai e mamãe haviam envelhecido precoce e rapidamente.

Estavam vulneráveis, cansados, não tinham mais disposição para brincar ou conversar com os filhos ou com os netos.

Em alguns momentos, pareciam voltar a atitudes infantis, ocultando alimentos que lhes faziam mal à saúde, para os degustar a sós.

Agora, por mais que os estimule a falar, não têm assuntos como antes, quando costumavam perguntar tudo de todos.

Repetem narrativas de fatos antigos, como se tivessem acabado de ocorrer.

Sinto, fortemente, como é complicado aceitar que nossos amores não detenham mais o controle de sua memória, de sua vida plena.

E descubro que a situação se inverteu.

Chegou o momento de sermos, meus irmãos e eu, o que eles foram para nós, no passado recente.

Eles precisam de nós. Tomei a decisão de vê-los diariamente, ficar com eles algum tempo, ouvi-los com paciência, como eles o fizeram, nos verdes anos da minha infância.

E, mesmo que não entendam tudo, lhes falo dos sucessos dos netos, de cada conquista que fazem. Também do meu dia, das questões que me envolvem na profissão.

Até deixei meu bigode crescer para fazer cócegas no rosto de papai quando o beijo, o que o faz rir.

Levo uma flor, em alguns dias, para dar à minha mãe, para incentivá-la a procurar um vaso, colocar água e a deixar na mesa da sala.

Sinto que a vida, a pouco e pouco, vai fechando mais um ciclo na vivência de meus pais.

Dou-me conta de que, logo, mais cedo do que imaginava, caminho, igualmente, para esses anos mais maduros, cheios de experiência.

Rogo e espero em Deus ter suficiente paciência para aceitar o que me toque, como experiência de vida, enquanto aguardo o desdobrar das vivências dos amores paterno e materno, que ainda estão nesta vida.

Ciclos da vida se sucedem.

Redação do  Momento Espírita

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Manipulação à Base do Medo Segundo o Espiritismo

Amanda Teixeira

Sabemos que o medo é uma sensação de alerta do nosso corpo sobre uma situação de possível perigo.

Em alguns casos, faz com que não demos andamento a algo, que não nos libertemos a conhecer algo.

Tudo varia de acordo ao caso concreto, mas sobre um fato vamos concordar: muitos atos não são praticados devido ao medo.

Por exemplo: Maria foi a uma festa, e não aceitou usar droga que lhe foi oferecida, por medo de seus pais descobrirem. Maria teve medo da consequência que poderia vir a ocorrer, caso praticasse o uso da droga. Mas, e se Maria não tivesse pais? Será que ela usaria? Existem vários pontos que Maria, nesse exemplo, pode ter pensado, mas o medo fez com que ela mudasse sua ação.

Nós, humanos, diariamente vivemos situações que envolvem o medo, porque somos criados culturalmente, desde criança, a ter o medo, mas não somos ensinados a nos policiar apenas por ter medo. Ainda no exemplo citado acima, de Maria, poderia ser: Maria não aceitou usar a droga que lhe fora oferecida porque entende o mal que ela faz ao corpo, além de ser algo ilícito.

Percebem a diferença? O caminho a ser seguido é sempre nós constatarmos o que é errado, simplesmente porque ele é errado, e não deixar de fazer apenas por medo, e nos direcionar a não sentir desejo daquilo, aprender com o tempo a não querer mais e entender realmente que não nos faz bem.

Isso acontece muito no espiritismo, muitas pessoas não efetuam certos atos porque apenas apresentam receio de ir para o umbral, exemplificando. Não deve ser esse o caminho, e sim as pessoas não praticarem o ato errado porque entendem que não é certo.

O futuro é construído todos os dias. A principal mudança que deve ocorrer é: você entende que é errado? Fica a reflexão.

Em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, a questão 123 diz:

Por que Deus tem permitido que os Espíritos possam seguir o caminho do mal?

A sabedoria de Deus está na liberdade que ele deixa a cada um escolher, porque cada um tem o mérito de suas obras. (KARDEC, 2002).

Em outros termos, somos nós que trilhamos nossos caminhos, construímos nossa jornada, através do nosso livre arbítrio.

A Doutrina Espírita nos ensina que:

Os sofrimentos que decorrem do pecado são-lhe [ao ser humano] uma advertência de que procedeu mal. Dão-lhe experiência, fazem-lhe sentir a diferença existente entre o bem e o mal e a necessidade de se melhorar para, de futuro, evitar o que lhe originou uma fonte de amarguras; sem o que, motivo não haveria para que se emendasse. Confiante na impunidade, retardaria seu avanço e, consequentemente, a sua felicidade futura.

O sofrimento faz parte da nossa evolução, não devemos sempre encará-lo de maneira negativa, e sim acreditar que ele nos faz crescer de alguma forma, assim como não devemos ter medo de errar, pois ninguém é perfeito, todos os seres encontram-se em estado de evolução, e ainda irão cometer seus equívocos. Devemos buscar sempre aprender com o erro, não nos acostumar, e sim assimilar a experiência para que não seja mais praticada.

Quando damos espaço ao medo em nossa vida, consequentemente nos tornamos ignorantes, em não aprender sobre o assunto, em não buscar informações, em não lutar contra esse medo e deixar que ele faça parte de nós. Não podemos nos tornar reféns do medo, o desconhecido nos gera com certeza muitas dúvidas, como, por exemplo, o medo do umbral, seja como você entenda ou denomine. Esse medo também tem feito muitos reféns.

Apenas o conhecimento libertará esse medo. Devemos ser bons, sem medo e preocupações.

Com certeza todos nós temos temor pelo nosso destino, e várias indecisões surgem: para onde vamos? será que iremos ao ”paraíso?” será que meu pecado me levará ao umbral?

Preocupa-nos ainda mais porque sabemos que nosso Espírito não morre, e sim nosso corpo material.

Isso, sem dúvidas, nos ocasiona desassossego, pois vivemos perante a Lei da causa e efeito:

Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá. (KARDEC, 2019).

Todas as nossas ações são submetidas às leis de Deus; não há nenhuma delas, por mais insignificante que nos pareçam, que não possa ser uma violação dessas leis. Se sofremos as consequências dessa violação, não nos devemos queixar senão de nós mesmos, que nós fazemos assim os artífices de nossa felicidade ou de nossa infelicidade futura.

Fica a lição de que podemos sim compreender aquilo que é certo e errado, termos a opção de amar a Deus, trilhar um caminho certo, do bem, sermos justos, apenas através da compreensão, e não por medo das consequências. Entender a mensagem que o espiritismo nos deixou e deixa, e trilhar seus caminhos, apenas porque queremos, e não por medo, porque intencionamos rever nossos valores, melhorar como humanos, enriquecer nossa moralidade, tanto conosco, quanto com o próximo.

Muita luz!

Amanda Teixeira

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 119. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002, cap. V, item 5.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Capivari: EME, 2019, Livro Quarto, Capítulo II, item 964.

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Perda de entes queridos

Rose Mary Grebe

PERDA DE ENTES QUERIDOS

A morte não existe para nós que somos espíritos encarnados.

Os últimos tempos e especialmente os últimos dias nos tem feito pensar bastante sobre algo que é uma das maiores certezas de que temos. A de que todos morreremos um dia, seguindo uma programação feita, na maioria das vezes, por nós mesmos. Exclui-se aqui o suicídio.

Nosso pouco conhecimento a respeito, nos faz apresentar a morte de uma forma assustadora, uma figura, normalmente esquelética empunhando uma foice a ceifar vidas. Uma visão bastante simplista, mas é a imagem que, normalmente, se tem da morte. Vidas tiradas, entes queridos que se perde, pessoas inocentes, jovens que se vão.

E ainda dizemos: por que não morreu o fulano que estava tão doente, ou tal pessoa que já é tão velha. Justamente morre o outro, tão bom, com a vida toda pela frente. Por que não aquele outro, que não presta, só incomoda….

E assim divagamos, questionamos Deus, damos os nossos veredictos. Tudo isso, pelo pouco conhecimento que temos, e não queremos ter, sobre o assunto. Muitos ainda dizem que os espíritas adoram falar de morte, são frios, não têm sentimentos. E em muitos lugares este assunto é encarado assim:

“Deus me livre, não quero falar dessas coisas”. Como se alguns de nós fôssemos ficar “para a semente”.

De modo geral não gostamos de falar sobre morte, sobretudo sobre a própria ou de nossos entes queridos. Essa resistência nos torna despreparados para um acontecimento que é inevitável.

Joanna de Ângelis nos ensina que é preciso reservar um tempo para a reflexão em torno do assunto. Se não nos preparamos para a desencarnação, igualmente não temos incluído na educação dos filhos consideração a respeito do tema. Quase sempre só os preparamos para a vida longa na Terra, como se todos desencarnassem em idade avançada.

Por que os Espíritas falam da morte com naturalidade?

A Doutrina Espírita nos mostra uma visão diferente, nos apresenta o desencarne como mais uma das etapas de nosso desenvolvimento: espiritual e físico. Na verdade, a morte não existe para nós que somos Espíritos encarnados. O que precisamos entender é que uma vez criados não morreremos jamais, nem que queiramos. Existe a morte de um corpo que nos foi dado como instrumento de evolução. Por isso devemos cuidar bem dele. Este corpo segue as leis da matéria.

A Doutrina Espírita nos mostra que somos seres milenares, encarnando e desencarnando, evoluindo e, consequentemente, buscando a perfeição e a felicidade. Isto é inexorável. Todos chegaremos à perfeição, relativa, um dia. E, com isto, à felicidade plena.

Mas com certeza, é doloroso para qualquer ser humano com sentimentos ver partir um ente querido seu. Principalmente quando este ente querido é jovem. Como é confortador saber que este ser, tão querido, na verdade não morreu, ele deixou uma veste, ou um corpo físico, partindo para um outro plano de vivência, o espiritual; absolutamente programado, sem “acasos”.

É nisto que gostaria de me fixar. Não existem acasos ou coincidências.

Nós, ao reencarnarmos, fizemos uma programação de vida terrena, que pode ser de dez, vinte, quarenta, sessenta, oitenta anos, como pode ser de meses ou dias.

Temos que ter muito claro:

Esta programação é de acordo com o que necessitamos, feita no plano espiritual, com uma equipe especializada;

Para nós, Espíritos, o corpo é um instrumento de progresso, que serve por um determinado tempo;

Que a vida verdadeira é a espiritual.

Mais remotamente, na época tribal, vemos que a morte não é propriamente um problema. Ela não é enfocada do ponto de vista da morte de um indivíduo. O homem primitivo, tão envolvido em sua comunidade, não tendo o centro em si mesmo, vê a morte não como uma dissolução, mas apenas como o assumir uma forma diferente da existência. O morto muda de estado, passando a pertencer a comunidade dos mortos. Daí os rituais de passagem. Não há a ideia de aniquilamento e os mortos podem retornar ao mundo dos vivos durante o sono destes e por meio de aparições. (Filosofando – Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins)

Sêneca nos afirma:

“Quem não souber morrer, terá vivido mal”.

“O que se tornou perfeito, inteiramente maduro, quer morrer”. (Nietzsche)

Há necessidade, então de que entendamos alguns mecanismos sobre o desencarne:

Ninguém desencarna sozinho e abandonado. Há uma equipe espiritual responsável por esta tarefa, que faz o desligamento entre o nosso Corpo Espiritual e o Corpo Físico.

A separação da alma e do corpo é dolorosa? (L.E. 154)

“Não, o corpo sofre, frequentemente, mais durante a vida que no momento da morte; neste a alma não toma parte. Os sofrimentos que experiência, algumas vezes, no momento da morte, são um prazer para o espírito que vê chegar no fim o seu exílio.”

À iminência da morte, dispara um processo de “balanço existencial”, mesmo que o desencarne não se complete.

Após o desencarne, o Espírito passa por um tempo de perturbação, que será mais ou menos longo, dependendo do estado de evolução de cada um. Dependendo deste estágio o Espírito pode ser levado a uma colônia espiritual, a um hospital, que reúna espíritos afins, ou outros locais. Mas, sempre ele terá a assistência espiritual. Mesmo os Espíritos mais renitentes no mal, ao primeiro sinal de arrependimento, são ajudados.

O que acontece é que não viramos anjos quando desencarnamos. Continuamos a ser a mesma individualidade. Portanto, depois de desencarnados, vamos sintonizar com os Espíritos com os quais nos afinizamos, continuaremos com os mesmos gostos, vontades, vícios…

Dependendo do estado, mais ou menos materializado, o Espírito continua preso às suas coisas: casa, dinheiro, objetos pessoais, pessoas. Muitas vezes, acompanha o velório.

Por tudo isso precisamos ficar mais atentos nos velórios, ajudando o ser desencarnante, com nossas preces e vibrações positivas. Muitas vezes o velório se converte em momento de piadas, lembremo-nos que isto só atrapalha.

Quanto ao cemitério, é apenas o local dos despojos, matéria que vai se decompor e voltar à natureza. Claro que deve haver o respeito, muitos Espíritos para ali são atraídos pelas preces ou choro da família. Por isso precisamos nos desvencilhar do atavismo de dizer que vamos visitar aquele ente que já está no cemitério. Ele irá para lá se o invocarmos, e nem sempre isto acontece. Podemos orar por este ser em lugares mais agradáveis. Tenhamos a certeza de que nos visitam no momento do sono.

Nós não perdemos nossos entes queridos, eles seguem suas programações de vida. Cabe a nós, se é que os amamos, ajudá-los nesta nova etapa de vida, não os retenha, que é uma prova de egoísmo, mas orando por eles, tendo bons pensamentos.

Rose Mary Grebe

Fonte:  Portal Casa Espírita Nova Era

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