BENEFÍCIO E GRATIDÃO

Joanna de Ângelis

Deslizando incansável, o rio não cogita de examinar as bênçãos que conduz nem sindica o solo por onde segue.

Bailando no ar, o perfume nada pede além da amplidão para espraiar-se.

Convertendo-se em alimento, não espera o grão outra dádiva da vida senão trituramento.

O sol fecundo não escolhe sítio para visitar com luz, calor e vida.

A chuva fertilizante não tem preferência por onde espalhar vitalidade.

Todos cooperam em nome da Divindade sem exigências e sem reclamações.

São úteis e passam.

Nada esperam, nada impõem.

Aqueles que os podem utilizar beneficiam-se e não recordam sequer dos bens que auferem com eles, mas nem por isso eles deixam de produzir.

Examinando as lições sem palavras com que a Natureza se expressa, pode o homem, com o discernimento, muito favor do próximo e de si mesmo.

* * *

Não digas, quando a ingratidão te bater à porta: “Nunca mais ajudarei a ninguém!”.

Não exclames, quando a impiedade dos teus beneficiários chegar ao reduto do teu lar: “Para mim, chega!”.

Não reclames, quando a soberbia dos teus pupilos queimar tuas mãos generosas com as brasas da maldade que carregam consigo: “E eu que tudo lhes dei!”.

Não sofras, dizendo, quando o azorrague daqueles a quem amas te ferir o devotamento: “Arrependo-me de ter ajudado!”.

Não retribuas mal por mal, pois que, assim, vitalizarás o próprio mal.

A noite domina quando encontra sombras no roteiro e a enfermidade se alastra quando se agasalha em organismos indefesos.

O bem que se faz a alguém é luz que se acende interiormente.

Gostarias, sim, de recolher gratidão, amizade, compreensão… Todos nós gostaríamos de experimentar os pomos da gratidão.

A árvore, porém, não pergunta a quem lhe colhe o fruto para onde o carrega, que pretende dele. Felicita-se por poder dar e se multiplicar através da semente que, atirada alhures, abençoa o novo solo com outras dádivas de alegria.

Imita-lhe o exemplo.

Teus frutos bons, que produzam bons frutos além…

Tuas nobres tarefas, que se desdobrem em tarefas superiores mais tarde.

A ti a alegria de fazer, doar, e nunca a ideia de colher reconhecimento ou gratidão.

Gratidão pode ser, também, pagamento.

Seja grato o teu coração, mas não esperes pelo reconhecimento de ninguém.

* * *

A reencarnação, por impositivo da Lei, aproxima de ti queridos afetos de ontem, adversários do pretérito que te buscam para receber ou para exigir, envergando trajes diferentes e estranhos sobre espíritos conhecidos.

Refaze ou completa a tarefa interrompida, o dever esquecido.

A água do rio harmoniosa que o sol traga em hausto de calor tornará ao solo, ao curso antigo, em chuva dadivosa.

O bem que faças, viajando sem parar em muitos corações, espalhará luz no longo curso e, amanhã – nos caminhos sem fim do futuro – mesmo que não o saibas ou o tenham esquecido, ressurgirá mais além, mais formoso, mais fecundo.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco

Livro: Dimensões da Verdade – 15

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MORTE POR COVID-19: só pra quem merece?

Fernando Rossit

A falsa resignação (aceitar passivamente tudo o que acontece) e a fé cega (sem lógica e bom senso) praticadas por muitos seguidores do Espiritismo, associadas a pouco conhecimento Doutrinário, têm favorecido interpretações completamente equivocadas a respeito da Lei de causa e efeito.

Para esses, o que tiver que acontecer vai acontecer, queiramos ou não, pois tudo está programado. Dessa forma, não há nada o que se fazer para impedir.

Assistindo a uma palestra, há poucas semanas, ouvimos de um orador espírita, logo na abertura: – “ninguém tem culpa pela morte de, aproximadamente, 600 mil pessoas por COVID-19 no Brasil. Tudo já estava planejado pela espiritualidade. Ninguém morre antes da hora. Trata-se da Lei de causa e efeito.”

Bem, seguindo essa mesma “lógica”, poderíamos dizer também que nada poderia ser feito com relação à morte de 6 milhões de judeus pelos nazistas na segunda guerra mundial pois estava tudo programado.

Na semana seguinte, um outro orador espírita, arrematou: – “as pessoas que estão com mau comportamento na atual existência não serão perdoadas e estão morrendo com a contaminação. Muitos estão sendo levados para planetas inferiores ao nosso”.

Não os responsabilizo, total e pessoalmente, por essa interpretação completamente equivocada a respeito da pandemia, da Lei de causa e efeito e da justiça divina – “justiça” essa que pune com a morte pessoas viciosas.

Existem dezenas de médiuns renomados nas redes sociais falando bobagens, expressando opiniões pessoais em discordância com os postulados espíritas. São vídeos e psicografias apócrifas, mistificadoras com relação à autoria espiritual ou com relação à própria e duvidosa produção mediúnica.

No youtube encontramos uma enxurrada de vídeos e mensagens de péssima qualidade com milhões de visualizações e likes.

Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, nos adverte inúmeras vezes a respeito dessas mensagens, e nos ensina que não importa o médium que serviu de intermediário nem, tampouco, o espírito que assinou a mensagem. O que importa é seu conteúdo.

Alguém aqui já ouviu falar de Allan Kardec? Pois bem, o Codificador da Doutrina Espírita foi colocado num papel de coadjuvante no movimento espírita. Poucos estudam Kardec.

Atualmente mais vale a opinião de um médium famoso que os princípios doutrinários. Não se analisa criteriosamente suas falas e as psicografias por ele produzidas.

Há 40 anos, quando ainda frequentava a mocidade espírita, o coral da juventude cantava, em eventos, uma música que tinha o seguinte refrão: “está faltando Kardec, está faltando Kardec”.

Como vemos, a história é antiga. Deu no que deu!

Com relação às mortes por COVID-19 e falas dos palestrantes, acima mencionadas, podemos asseverar à luz da Doutrina Espírita:

1- Deus não pune, portanto ninguém é castigado;

2- Espíritos evoluídos e responsáveis pelas reencarnações humanas não programam mortes violentas, assassinatos, miséria, fome, estupros e outros, para resgates de espíritos devedores reencarnados na Terra. O meio (a sociedade terrena) favorece o surgimento dessas ocorrências que acabam por alcançar os espíritos devedores, mas que fique claro: o mal é produção humana, não divina.

3- A morte não é um “castigo” para as pessoas: é a libertação.

“Fénelon, Espírito (1), apresentou uma breve dissertação sobre um ditado comum usado pelas pessoas quando um homem mal escapa de um perigo.

Fénelon comenta que a lógica é simples: “sucede dar Deus a um Espírito de progresso ainda incipiente prova mais longa, do que a um bom que, por prêmio do seu mérito, receberá a graça de ter tão curta quanto possível a sua provação.”

Sim, para o Espiritismo, a vida espiritual é a verdadeira vida da alma, e a vida material é uma oportunidade de provação e aprendizado.

Assim, se a vida de um amigo, familiar ou ente querido foi “tomada” pela covid19 ou qualquer outra doença fatal, embora nos solidarizamos ante a tristeza que se faz presente junto aos familiares, considere que sucedeu a Deus tê-lo agraciado com o retorno ao mundo espiritual.

Sobre nós outros, que conseguimos manter o isolamento e evitamos o contágio, ou que nos recuperamos da covid19 ou de qualquer outra doença grave, a dissertação de Fénelon convida-nos à reflexão de que a nossa estadia no mundo representa “prova mais longa” para aprendizado moral e intelectual de que ainda necessitamos pois, afinal, se já fôssemos homens de bem, é bem provável que já tivéssemos morrido…(2).

Acrescenta Fénelon que a vida aqui na Terra é parecida com uma prisão. Quem cumpriu a pena pode ser libertado. Quem ainda tem pena para pagar, continua reencarnado.

Perceberam que é justamente o contrário daquilo que estamos vendo e ouvindo nas redes sociais e tribunas espíritas, em nome do Espiritismo?

Vamos estudar Kardec?

Fernando Rossit

Fonte: Kardec Rio Preto

Referências:

(1) Item 22 do cap. V do Evangelho Segundo o Espiritismo

(2) Alexandre Fontes da Fonseca – espiritualidades.com.br

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Eu Superior deve resistir aos “mercados”

Manoel Fernandes Neto

O que a Paz interior e o êxito empresarial têm em comum? Como conciliar uma vida transcendente com o dia a dia material, incessante, às vezes estressante, por necessidade e pelo ímpeto humano do progresso? O que é espiritualidade de uma forma geral? O que é espiritualidade para quem optou por uma vida laica?

Muitas questões assim são feitas por profissionais de todos os quadrantes, nas empresas e nos mercados. Estamos em um tempo de exigência intelectual e mental, muito além dos dogmas e crenças obsoletas.

“Crer e saber se digladiam como se fossem inimigos, com convivência impossível. O vazio depois de uma jornada de trabalho pode levar a vantagem obtida pelo bom negócio feito, engolir a valorização das ações, desmoronar a oportunidade que só você viu. O vazio interior é implacável para o profissional.”

Todos nós, de diversas áreas e idades, buscamos alternativas que conciliem uma vida produtiva profissionalmente, pessoalmente simples – mas sem privações – e uma felicidade plena, que já vem de “fábrica”. O plugin nativo de cada ser.

Vejo um carro em uma longa avenida congestionada; buzinas, disputa por cada espaço, caos, a fúria no ar. Quanto de energia você pode dispender, antes de perceber que você não é tudo aquilo? Vejo slides, ppts, a mesma coisa todos os dias; e você não vê sentido em certas rotinas.

Não somos isto: dentro de cada um ainda insiste em viver um ser que é capaz de coisas belas. Sonhar, criar, amar os semelhantes, se relacionar com a natureza. Respirar. Você já respirou profundamente hoje? Sentiu o ar penetrar nas suas entranhas, além do seu checklist?

Não, eu não quero falar de índices, indexações, métricas, retornos financeiros, investimentos, core bussiness. Deixa isto pra lá. Você está há tanto tempo no templo do mercado que já sabe isso de cor. Quero ir além. Quero falar de situações memoráveis.

“Quero, na minha empresa, o “Departamento do Mundo Interior”. Todos sentados no chão por alguns instantes, pensando naquilo que poderiam ser; naquilo que deixaram de ser; naquilo que esqueceram de ser. Todos por alguns instantes do dia abandonando suas frustrações, voltando a ser crianças felizes, como quando nada era impossível; sendo felizes, a viver por alguns instantes todos os dias o que de fato importa.”

Quero, também, na minha empresa, a “superintendência de reciclagem das emoções” (SRE para quem ainda é preso a siglas), para “coordenar” a reciclagem daquelas emoções que não nos levam a nada, dentro e fora das empresas: o orgulho que nos aprisiona, o egoísmo que nos reprime, a inveja que nos contamina, a falta de perdão pelos erros do passado. Tudo pra reciclagem! De uma forma honesta e franca. Cada emoção inútil passada no processador da consciência e transformada em oxigênio para alimentar o “Eu Superior”.

O Planeta requer das empresas, organizações e profissionais atitudes que despertem algo abandonado. Atitudes para o coletivo e para o individual. Olhar sem esquecer de cada parte. Uma placa com a missão empresarial na parede é uma única coisa: é “uma placa com a missão na parede”. Precisamos ir além das formas materiais, buscar algo a mais nas relações de equipe, nas relações com clientes, nas relações como seres vivos. Uma relação corporativa é uma relação humana. Viver em uma ou com uma empresa deve ser um ato de prazer, de alegria, não um sofrimento. Um fim de semana com a família e com os amigos deve ser integral, não dividido ou por obrigação.

Tanta coisa ainda a dizer, tanta coisa ainda a sentir, quem sabe nos encontramos por aí, semanalmente; ou secularmente.

Manoel Fernandes Neto*

Fonte:  Portal Casa Espírita Nova Era

*Manoel Fernandes Neto é jornalista, curador de conteúdo, editor do Portal Nova Era. Diretor de CMM Interativa.

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COMO SER FELIZ

Divaldo P. Franco

Inquestionavelmente, o objetivo essencial da existência humana é a conquista da felicidade.

Difícil, no entanto, é definir-se felicidade para tão diversa massa com necessidades diferentes e aspirações diversas, que é a Humanidade.

Desde as mais remotas culturas, de alguma forma, houve uma preocupação fundamental para a conquista desse fanal.

Desde as necessidades básicas atendidas até as mais complexas aspirações da consciência contemporânea, constitui o painel quase infinito da plenitude.

No passado, surgiram a filosofia e a arte com os seus postulados éticos, sugerindo comportamentos que facultam harmonia interior em consonância com os interesses do próximo.

Surgiram as necessidades do ter e do ser, mediante cujos valores se é possuidor-possuído pela posse, portanto, escravo de si mesmo ou de conseguir superar as aturdidas posses e ser livre, dominando as paixões, honesto como o pensamento da solidariedade e do bem a tudo e a todos.

Logo, de imediato, surgiu a escola estoica, em que o sofrimento é superado pelos valores éticos, que tornam a vida um presente valioso, em qualquer circunstância, mesmo quando a dor se instala no seu organismo e consegue superar mediante a mente bem direcionada.

Os matizes foram sendo alterados, de geração em geração, e hoje a felicidade está adstrita às posses que permitem o gozo insaciável, como se o sentido da vida seja o de fruir até o cansaço, quando se instalam o estresse, o vazio existencial, a saturação.

As lutas de classe e os tormentos que explodem, em toda parte, demonstram que a felicidade é o prazer lânguido ou devorador, sem o contributo do Espírito, que é a realidade da vida na sua indestrutibilidade.

Fala-se na igualdade de todos os direitos e deveres sem que os mesmos sejam conseguidos e, cada dia, se fazem mais difíceis os níveis de satisfação com a harmonia íntima da realização pessoal.

Nessa apressada busca do gozo, o abandono dos deveres morais e a sua banalização, mediante a embriaguez dos sentidos, na volúpia dos excessos de toda ordem, a sociedade cambaleia na ilusão do passadismo sem planejamento para o estágio de equilíbrio, no qual, a paz interior e os ideais de engrandecimento do mundo se tornam essenciais para a existência.

Fazendo-se, porém, uma análise da proposta de Jesus Cristo para uma jornada plena e tranquila, consegue-se perceber que a felicidade é um estado de harmonia, que decorre da consciência justa perante Deus, o próximo e si mesmo.

Por que tanto desaire e loucura numa sociedade portadora de equipamentos extraordinários? Porque o ser humano esqueceu-se de sua realidade para pensar apenas na aparência.

Ame-se e ame, portanto, vivendo com serenidade.

Divaldo Pereira Franco

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 09/09/21

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LUTO DE ENTES QUERIDOS NA DOUTRINA CONSOLADORA

Amanda Teixeira Dourado

“Ninguém morre. O aperfeiçoamento prossegue em toda parte. A vida renova e eleva os quadros múltiplos de seus servidores, conduzindo-os, vitoriosa e bela, à União suprema com a Divindade…’’ (Chico Xavier)

O luto é a fase que nos faz sentir profundamente o sentimento de tristeza após a perda de um ente querido, e através desse sentimento, faz gerar outros, como amargura e desgosto, por exemplo. Sabemos que não é fácil de lidar, entretanto, o luto é necessário, cabe a nós essa ser uma etapa muito dolorosa ou passageira. O luto sempre será doloroso, principalmente quando se trata de algum familiar ou ente muito próximo. Nós, espiritas, sabemos que a vida continua, que quem morre é o corpo físico, a nossa alma jamais. O estudo constante, o preparo, a consciência, nos ajeitam para esses momentos deprimidos e delicados, no qual temos a opção de atravessar de uma forma menos turbulenta. Mas você procura ler e estudar sobre o processo do luto?

No espiritismo contamos com muitas obras que nos explicam o que acontece após o desencarne, os exemplos de histórias são diversos, assim como a doutrina, obras que nos ensinam cada detalhe, mas a pergunta é, como lidar com o luto?

Vejamos essa confortadora história de Chico Xavier:

‘”Conta-se que o Apóstolo da Caridade, Francisco Cândido Xavier, o nosso Chico Xavier, estava passando por uma fase muito dura em sua vida.

Os problemas familiares se avolumavam, a incompreensão alheia se mostrava intensa e isso tudo lhe enchia o coração de inquietações e dores.

Um dia, em que as dores se mostravam mais profundas, recorreu Chico Xavier ao seu mentor espiritual, Emmanuel, a fim de fazer-lhe uma solicitação.

Rogou Chico se Emmanuel poderia fazer um pedido, solicitar um conselho a Maria Santíssima, a mãe de Jesus, que, com seu coração amoroso e materno, pudesse lhe dar um conselho em momento tão amargo de sua vida.

Emmanuel lhe respondeu que iria encaminhar sua solicitação. Passados alguns dias, retorna o Espírito venerável com a resposta de Maria, mãe de Jesus.

Chico, diz Emmanuel, Maria manda-lhe dizer o seguinte: “Tudo passa”. E o sábio médium acolhe aquelas palavras curtas entendendo o seu significado.’’

Sim, até nosso querido Chico Xavier, mesmo com toda sua vasta experiência, sabedoria, tinha seus momentos de dores assim como todos nós, e ele procurava seu conforto em oração, pedindo conselhos, respeitando aquilo que lhe foi informado, acolhendo a mensagem de que tudo passa. Nenhuma dor é eterna. Assim como Chico, devemos acatar o que nos é passado, e ser cautelosos para lidar com o momento, pois, por falta de sabedoria, de fé, podemos mesmo sem intenção, atrapalhar o desencarne, a evolução daquele ente que se foi. A passagem após o desencarne exige paz, serenidade. Veja esse exemplo para o seu melhor entendimento:

Em uma família de pai, mãe e dois filhos, no qual essa família vive em desarmonia, brigas e conflitos constantes, falta de união, de fé, de princípios, respeito, inesperadamente o filho mais novo desencarna, desestruturando ainda mais essa família, que não possui instrução espiritual. Logo no velório, a reação dos familiares que não aceitam essa morte já se torna um ato que perturba o desencarnado. Passado um tempo, a mãe, que chora constantemente, se revolta com Deus, e a família que vive culpando um ao outro pelo fato ocorrido, gera ainda mais desordem ao desencarnado, pois este, se sente culpado pelas dores dos familiares que ficaram no plano terreno, atrasando completamente sua evolução.

Agora pense no cenário que se essa mesma família, independente da religião, possuísse a fé, Deus, sabedoria, no momento do desencarne inesperado, praticariam oração, procurariam se unir novamente, respeitar o desencarnado, aprender com os erros, assim, o luto com certeza seria menos doloroso para todos.

Enxergam a diferença? O modo como reagimos ao desencarne de alguém, influencia muito no progresso, tanto dele quanto nosso. A dor deve ser sentida, isso ninguém nos tira, mas a sabedoria deve ser aplicada, e isso teremos se estivermos em constante procura de Deus. Se você ama verdadeiramente o ente que se foi, saiba que você pode sim acalmar seu coração e o dele. A turbulência do desencarne afeta, debilita grandemente, sejamos cuidadosos. O que não falta são familiares que estão em depressão após o falecimento, que não entendem e não querem procurar entender, se atiram em álcool, drogas ou outros vícios por exemplo, a fim de diminuir seu luto. Tudo isso poderia ser evitado, se soubessem o quão destruidor isso é a quem se foi.

Allan Kardec, na questão 934, de ‘’O Livro dos Espíritos’’, questiona:

‘’A perda dos entes que nos são caros não constitui para nós legítima causa de dor, tanto mais legítima quanto é irreparável e independente da nossa vontade? Resposta: Das penas e gozos terrestres: Essa causa de dor atinge assim o rico, como o pobre: representa uma prova, ou expiação, e comum é a lei. Tendes, porém, uma consolação em poderdes comunicar-vos com os vossos amigos pelos meios que vos estão ao alcance, enquanto não dispondes de outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos.”

Questão 936:

“Como as dores inconsoláveis dos sobreviventes afetam os Espíritos a que se dirigem? Resposta: O Espírito é sensível à lembrança e aos lamentos daqueles que amou, mas uma dor incessante e irracional o afeta penosamente, porque ele vê nessa dor excessiva uma falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao progresso e, talvez, ao reencontro.” O espírito é sensível, mas ressalto, o luto é necessário, desde que não seja perturbador. Podemos chorar, recordar, nos emocionar, sentir saudade, porque isso é natural, temos emoções e sentimentos. Passar por isso é necessário para que coloquemos em prática tudo aquilo que ao longo dos anos de estudos absorvemos. Deus sabe de tudo.

Na obra ‘’Violetas na Janela’’, um romance escrito por Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, tendo como exemplo, a história de Patrícia, que desencarnou jovem, de família espírita, seu processo de desencarne foi totalmente equilibrado e sereno, pois ela, enquanto encarnada, se preparou para isso através da doutrina, e seus familiares, através da sabedoria tinham esse conforto em seus corações. Patrícia não sofreu turbulências, pois sua família respeitou o processo de luto.

Vamos pensar em nosso cultural: na prática do luto, pelo menos em nosso país, considera-se ‘’normal’’ familiares terem a reação de chorar sem parar, vestirem-se de preto, gritar, terem reações ‘’inquietas’’ e ‘’desequilibradas’’ nos velórios. Pouco se vê pessoas em orações, e sim, conversando sobre alguma história que recorda do desencarnado, ou assuntos relativos, e isso é considerado ‘’normal’’, mas o normal não seria o silêncio? A paz? A oração? Reza? Será que alguns atos não inquietam o desencarnado? Fica a reflexão.

Não a nada mais intenso do que perder um filho(a), mãe, pai, avós, enfim, seja qual ente querido for. Lidar com a ausência de alguém reflete a saudade, mas quando se torna extrema dor, retrata a culpa por algo enquanto encarnado, de não vivenciar momento, de perder tempo, de não viajarem mais, de não falarem mais ‘’eu te amo’’, por exemplo.

Na obra ‘’Deixe-me partir’’ de Tânia Fernandes de Carvalho, temos um trecho que relata a importância do processo do luto:

‘’É um tempo entre duas fases da vida, a que se deixa, pela separação do ente querido, e a que vem depois. É preciso se soltar da relação que existia para construir uma verdadeira vida nova, sem esquecer a pessoa que se foi. O luto não vivenciado pode se tornar uma doença e muitas vezes um profissional da saúde deverá ser consultado para ajuda necessária. Muitas pessoas que não aceitam esse momento e não buscam esgotar todas as emoções daí advindas podem desenvolver mais tarde uma depressão, uma doença enfim, choque, negação, raiva, culpa, depressão, são as reações mais comuns que surgem no processo de luto.’’

Nessa mesma obra, nos explica o processo dos pensamentos:

‘’Sempre que um espírito pensa em outro encarnado ou desencarnado, um fio fluídico se estabelece entre ambos, servindo de canal de ligação de comunicação entre eles. É um canal de mão dupla de ida e volta. Os pensamentos, sentimentos e desejos de um como se fosse um telefone podem ser captados e interpretados pelo outro com maior ou menor intensidade, dependendo do vigor da fonte emissora do pensamento do sentimento do desejo. É como se de alguma forma os dois espíritos estivessem em contato íntimo, cada qual percebendo a presença do outro em espírito.’’

Não deixe a tristeza entrar em seu coração, se apegue em oração, em Deus, e não em álcool e drogas, pois isso não solucionará sua dor, e sim amenizará temporariamente, sem lhe ensinar o processo do luto. Para a culpa, é necessário se perdoar verdadeiramente, e entender o seguimento.

Atualmente, estamos passando por uma pandemia, no qual contamos com o número muito grande de desencanes diariamente, e isso nos exige tratar de assuntos como esse, assim como, conscientizar a quem está passando por isso. Não podemos nos abraçar, mas confortar com palavras, mensagens positivas aos nossos irmãos que se encontram perdidos no luto.

Em ‘’O evangelho segundo espiritismo’’ de Allan Kardec, podemos encontrar coletânea de preces, assim como diversas outras obras. Jamais vamos orar de maneira automática, e sim de forma espontânea, oração, conversa, com o ente que se foi, de todo nosso coração.

O luto deve ser vivido e não alimentado, ao longo do tempo a dor da separação ao desencarnado, vai diminuindo, devemos viver o luto de forma equilibrada, consciente. Busque praticar caridade para preencher seu coração, ler, estudar, se conhecer, meditar. Pelo luto, todos passarão. É preciso aprender que a morte faz parte da nossa vida, e ter maturidade de passar por isso. Lembre-se, logo estaremos todos juntos, trata-se de um até logo.

Amanda Teixeira Dourado

Fonte: Blog Letra Espírita

Referências:

http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2416&stat=3&palavras=tudo%20passa&tipo=t Acesso: 19/07/2021

Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. 100. ed. Araras, SP: IDE, 1996. q. 936.

Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 2019. Edição 1. Editora FEB.

Fernandes de Carvalho, Tânia. Deixe-me partir. Editora: Petit. Ano: 2014

Lúcia Marinzeck de Carvalho. Vera. Violetas na Janela. Editora: Petit. Ano: 2013

https://www.pensador.com/frase/OTY2MjUz/ Acesso: 19/07/2021

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POLÍTICA NO CENTRO ESPÍRITA

Fernando Rosemberg Patrocínio

Seria possível verificar-se nos Centros Espíritas vários, seja do nosso País ou do Mundo, alguma forma de estudo e de discussão sobre Política, de seus estudos e discussões, desde Aristóteles, e sua filosofia moral, aos tempos modernos do famoso “jeitinho”, do “toma lá, dá cá”, da corrupção dos tempos presentes, seja de nossa república mesma, ou, na planetária e, pois, mundial?

E respondemos que: Não!

Não é esse o objetivo, nem a prática do Espiritismo nos Centros Espíritas Cristãos que buscam, sobretudo, repartir suas bênçãos e suas luzes para todos, encarnados e desencarnados, aliviando sua Alma sofrida pelas graças sublimes do Mestre Soberano, de Sua Bênção, Sua Generosa Luz.

Todavia, o estudo do Espiritismo é fundamental, desde Kardec a André Luiz, passando, evidentemente, pelos maiores e mais reluzentes sábios do Espiritismo, sendo, por aqui, desnecessário citá-los em face de suas obras universais, sejam elas científicas, filosóficas ou morais.

Mas, de retorno às discussões políticas em Centros Espíritas, não vamos, de nós mesmos, exarar nossas opiniões, pois Allan Kardec, André Luiz e Emmanuel, por exemplo, já o fizeram, e, pois, cabe-nos apenas e tão só repeti-los como lembrança de seus recatados conselhos e advertências aos que ainda se arriscam à equivocada tarefa de se discutir Política nas Casas Consoladoras do Espiritismo, quando tudo, aliás, ainda se tem por fazer no sentido Consolador e Caritativo de suas atribuições.

Para Kardec, por exemplo, temos:

“[…] Devo ainda vos chamar a atenção para outra tática de nossos adversários: a de procurar comprometer os espíritas, induzindo-os a se afastarem do verdadeiro objetivo da Doutrina, que é o da Moral, para abordarem questões que não são de sua competência e que poderiam, com toda razão, despertar suscetibilidades e desconfianças.

“Também não vos deixeis cair nessa armadilha; afastai cuidadosamente de vossas reuniões tudo quanto disser respeito à POLÍTICA e às questões irritantes; nesse caso, as discussões não levarão a nada e apenas suscitarão embaraços, enquanto ninguém questionará a MORAL, quando ela for boa. Procurai, no Espiritismo, aquilo que vos pode melhorar; eis o essencial. Quando os homens forem melhores, as reformas sociais verdadeiramente úteis serão uma consequência natural”. (Vide: “Revista Espírita” – Fevereiro/1862–AK.)

E, para Emmanuel, um dos mais confiáveis Espíritos dos presentes tempos:

“Eu, porém, dentre vós: Sou como aquele que serve” – Jesus (Lucas: 22:27).

“O discípulo sincero do Evangelho não necessita respirar o clima da Política administrativa do Mundo para cumprir o ministério que lhe é cometido.

“O Governador da Terra, entre nós, para atender aos objetivos da Política do Amor, representou antes de tudo, os interesses de Deus junto do coração humano, sem necessidade de portarias e decretos, respeitáveis embora”.

“Administrou servindo, elevou os demais, humilhando a Si mesmo. Não vestiu o traje de sacerdote, nem a toga do magistrado.

“Amou profundamente os semelhantes e, nessa tarefa sublime, testemunhou a sua grandeza celestial.

“Que seria das organizações cristãs, se o apostolado que lhes diz respeito estivesse subordinado a reis e ministros, câmaras e parlamentos transitórios?

“Se desejas penetrar, efetivamente, o templo da verdade e da fé viva, da paz e do amor, com Jesus, não olvides as plataformas do Evangelho Redentor.

“Ama a Deus sobre todas as coisas, com todo o teu coração e entendimento”.

“Ama o próximo como a ti mesmo.

“Cessa o egoísmo da animalidade primitiva.

“Faze o bem aos que te fazem mal.

“Abençoa os que te perseguem e caluniam.

“Ore pela paz dos que te ferem.

“Bendize os que te contrariam o coração inclinado ao passado inferior.

“Reparte as alegrias de teu Espírito e os dons de tua vida com os menos afortunados e mais pobres do caminho.

“Dissipa as trevas, fazendo brilhar a tua luz.

“Revela o Amor que acalma as tempestades do ódio.

“Mantém viva a chama da esperança, onde sopra o fio do desalento.

“Levanta os caídos.

“Seja a muleta benfeitora dos que se arrastam sob aleijões morais”.

“Combate a ignorância, acendendo lâmpada de auxílio fraterno, sem golpes de crítica e sem gritos de condenação.

“Ama, compreende e perdoa sempre.

“Dependerás acaso, de decretos humanos para meter mãos à obra?

“Lembra-te meu amigo, de que os administradores do Mundo são, na maioria das vezes, veneráveis prepostos da Sabedoria imortal, amparando os potenciais econômicos, passageiros e perecíveis, todavia, não te esqueças das recomendações traçadas no Código da Vida Eterna, na execução das quais devemos edificar o Reino Divino, dentro de nós mesmos.” (“Vinha de Luz” – FEB.)

E, para finalizar, não nos esqueçamos de algumas palavras de André Luiz quando sabiamente ministra:

“Impedir palestras e discussões de Ordem Política nas sedes das instituições doutrinárias, não olvidando que o ‘Serviço de Evangelização’ é tarefa essencial.

“A rigor, não há representantes oficiais do Espiritismo em setor algum da Política humana.

“Nenhum servo pode servir a dois senhores.” (Jesus – Lucas, 16:13.) (Vide: “Conduta Espírita” – FEB.)

Será preciso dizer mais ainda?

Fernando Rosemberg Patrocínio

Fonte: Espiritismo na Rede

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