Por que as coisas não melhoram?

Sidney Fernandes

Infelizes que procuram casas religiosas em busca de equilíbrio, amparo, socorro e consolo, são motivados à oração, ao trabalho, à resignação e ao aprendizado.

Mas, estranho, quando adentram esses locais, em busca do esclarecimento, da fluidoterapia, da aposição de mãos, dos tratamentos espirituais ou do trabalho que equilibra, santifica e afasta as más influências, parece que alguns pioram. Sentem-se aturdidos, cercados e com a sensação de que as dores e os incômodos aumentaram, não obstante terem iniciado os tratamentos recomendados.

Vocação para a tristeza

A principal causa de nossos sofrimentos encontra-se nas sombras de nossa consciência. Antes de culpar espíritos ou más vibrações, devemos entender que as máculas internas provocam inquietações que, sua por vez, se transformam em doenças físicas e da alma. Pessoas começam atormentando a si mesmas e acabam sendo atormentadas por seres que se afinam com seus desequilíbrios.

Está aí a corporificação do ditado popular quem namora a doença, acaba se casando com ela, que tem, como vítimas preferidas, criaturas que costumam usar óculos escuros e veem somente sombras na vida e nas outras pessoas.

Tristeza tem remédio?

Fui encontrar, em brilhante artigo da escritora Denize Gonçalves, intitulado “Qual é o melhor remédio para tratar a tristeza? ”, excelente recomendação. Diz ela que o melhor remédio para tratar a tristeza não é a alegria, como muitos pensam. A gratidão é que leva a pessoa à alegria. A partir daí a autora discorre sobre a necessidade de agradecermos a Deus por mais um dia de vida e pelas oportunidades de desenvolvimento de nossas virtudes.

Obsessores? Não! Sócios no vício

Como vemos, amigo leitor, não nos cabe apenas defenestrar terceiros, atribuindo-lhes a culpa de nossos sofrimentos. O primeiro passo, sem dúvida, é olharmos para dentro de nós mesmos e lavarmos as sombras que imprimimos em nossas consciências. E os espíritos, são sempre vilões?

Aqueles que chamamos de temíveis obsessores, muitas vezes nada mais são do que sócios no vício. André Luiz, em Sexo e destino, descreve a situação de Cláudio, em que ele não conseguia especificar se o viciado era o encarnado, o desencarnado ou ambos. Não havia violência ou tortura e sim processo de fusão entre os dois, por deliberação própria.

Processo obsessivo

Pode acontecer, no entanto, que esteja instalado o processo obsessivo movido por espíritos não necessariamente cruéis, nem encarniçados perseguidores. Os vícios, por exemplo, não produzem apenas condicionamentos físicos, pois atingem o âmago de nossa alma. Todo viciado é um obsidiado em potencial, que acaba atraindo viciados desencarnados. Quando comparece a uma instituição — igreja, templo, centro espírita ou casa de recuperação —, os patrocinadores do seu processo vicioso podem reagir, por não admitir perder a sua presa, e acentuar os seus sintomas.

Os bons podem ser assediados pelos maus?

Não somente os tristes, os nostálgicos, os sócios dos desencarnados ou os portadores de vícios e feridas morais são objeto de ataque de irmãos infelizes. Os que se dedicam ao bem também atraem sua atenção.

Mestre da síntese, o exegeta Emmanuel, ao analisar este texto do evangelista João — E os principais sacerdotes tomaram a deliberação de matar também a Lázaro —, apresenta a intenção do farisaísmo de destruir Lázaro, para que não se consolidasse o poder do Cristo. Nessa análise, Emmanuel alerta os participantes do Evangelho quanto à ameaça dos fariseus nos dias que passam, que se sentem incomodados e perseguem os que se unem ao amor de Jesus. Em outras palavras, Emmanuel recomenda cuidado aos que saem da sombra para a luz e do mal para o bem, para que se previnam contra os fariseus dos dias atuais, visíveis e invisíveis, isto é, encarnados e desencarnados, que trabalham contra os valores da fé e a força dos ideais cristãos.

Qual é a melhor defesa?

Diante dos ignorantes que querem nos manter afastados do conhecimento e do sentimento, precisaremos agir firmemente, como recomendam os espíritos, diante de providencial pergunta feita pelo Codificador:

— Como podemos neutralizar a influência dos maus espíritos?

Se queremos combater a tristeza, desfazer associações infelizes, libertar-nos dos vícios e reunir forças para vencer os adversários da verdade, o remédio infalível será abrir o guarda-chuva da persistência no bem e da confiança em Deus, praticando a recomendação dos mentores a Allan Kardec:

— Praticando o bem e pondo em Deus a vossa confiança, repelireis a influência dos espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejam ter sobre vós.

Guarda-chuva divino

Pode acontecer de as coisas piorarem, por algum tempo, quando resolvermos abandonar velhos vícios e velhos parceiros. No entanto, ao nos inclinarmos para o lado do Cristo, ele, cheio de abnegação e amor, nos dará forças, na exata medida dos recursos específicos para cada um de nós. Estaremos abrindo o divino guarda-chuva, que nos abrigará e protegerá de todas as intempéries.

Sidney Fernandes

Fonte: marcoaureliodarocha

Referências:

Uma razão para viver, Richard Simonetti; Vinha de Luz e Pão Nosso, Emmanuel; Ação e reação e Sexo e destino, André Luiz; Artigo de Denize Gonçalves publicado no Diário de Votuporanga, em 21/8/21; O Livro dos Espíritos, Allan Kardec.

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A viagem

Iris Sinoti

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A meta do Espírito é tornar-se pleno, conquista essa que se dá através de uma longa trajetória, na qual vai realizando suas experiências e aprendizados em diversas existências corporais.

O caminho dessa trajetória não é único, porquanto o livre arbítrio, a possibilidade de escolher os próprios passos é parte importante desse processo. Como citado no Evangelho, “os caminhos do Senhor são infinitos”, os caminhos são inúmeros, assim como inúmeros são os indivíduos, e cada um deve percorrer seu próprio caminho, realizar sua viagem, vivenciar o mistério da vida, o qual normalmente é inefável e contraditória.

Carl Gustav Jung, no conceito de individuação, ressalta a necessidade de diferenciarmo-nos, a necessidade de sermos únicos e assumirmos o nosso papel nas nossas vidas. De forma resumida, a individuação é a jornada através da qual o indivíduo é impulsionado a tornar-se consciente de suas próprias potencialidades, a ser a pessoa que nasceu para ser. Para que isso ocorra, o pai da Psicologia Analítica esclareceu que é necessário diferenciar-se do coletivo para que o indivíduo possa viver sua própria identidade.

Diferenciar-se não é tarefa fácil, pois ainda somos emocionalmente dependentes das opiniões alheias, ainda somos “tentados” a manter nossas máscaras, a persona, para poder agradar ao coletivo. Muitas vezes, a pressão vem do próprio ambiente familiar, que tenta modelar o indivíduo para que cumpra o que lhe agrada, e não o chamado de sua própria alma.

Por isso mesmo, diferenciar-se para atender o chamado da individuação requer alguns requisitos essenciais, dos quais ressaltamos: coragem, humildade e perseverança.

Todos nós somos, de certo modo, programados para a grande viagem da individuação, que é um processo “natural”, ou seja, faremos esta viagem estejamos com as malas prontas e passagens comprados ou não. A diferença é a quantidade de envolvimento que disponibilizamos para fazê-la e o quanto ela seja prazerosa dependerá disso!

A vida é assim, convida, e resta-nos crescer com esses convites, recuperando-nos e principalmente assumindo as consequências, quando não aceitarmos esse convite, pois tudo é resultado das escolhas feitas e dos compromissos não assumidos.

Muitos de nós ficamos preocupados em descobrir nossa “missão”, e deixamos passar o maior trabalho que temos que realizar: o trabalho de uma vida inteira, que é o nosso processo de individuação, tornarmo-nos o mais consciente de quem somos. Somos convidados a vencer o desafio de sustentar a contraditoriedade da existência, e isso significa viver algumas experiências que amamos e outras que odiamos.

Afinal, como já recordava o apóstolo Paulo, queremos o bem, mas ainda fazemos escolhas ruins para nós e para os outros, e por isso mesmo precisamos aceitar nossa sombra como parte importante para a nossa evolução como espíritos.

Justamente por não estarmos vivendo a vida como deveríamos, aceitamos atender a pulsão de tânatos e nos deprimimos com as sombras do passado, atendemos as pressões do presente e nos envolvemos no medo do futuro, ficando cansadas e cansados da própria vida.

Não existe um único dia que o convite para essa transformação não aconteça, ele é o nosso passaporte à maturidade, à integridade, à diferenciação e à integração. Estamos aceitando esse convite? Ou elegemos a ansiedade como nossa guia na viagem chamada vida?

O que estamos fazendo da nossa vida? Mesmo que ninguém nos faça essa pergunta, um dia nossa própria alma fará. Será que teremos uma resposta? Será que estamos empenhados de fato na nossa transformação, na mudança que desejamos, ou apenas seguimos sem olharmos as sementes que estamos plantando?

Afinal, querendo ou não, “A viagem” já começou…

Iris Sinoti

Fonte: correioespírita.org.br

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Alguns comentários espíritas ante as funções cerebrais

Escrito por Jorge Hessen

cerebro

Nos últimos anos, a neurociência sofreu uma explosão no campo da pesquisa. A cada dia, surgem novas técnicas, como mapeamentos cerebrais, que podem fotografar instantaneamente o fluxo sanguíneo do órgão. “Todas as inovações ajudaram a revelar a organização do cérebro em detalhes.” (1). Nosso cérebro representa, apenas, 2% do peso total do corpo, mas possui, segundo pesquisas atuais, aproximadamente, 100 bilhões de neurônios [células nervosas cerebrais], sendo que, em algumas de suas partes, para realizar suas funções, aglomera até 5 milhões de neurônios de uma só vez e é capaz de produzir cerca de 1.000 trilhões de conexões.

Como os neurônios estão em atividade permanente, o consumo de energia é grande, motivo pelo qual o cérebro consome 20% do oxigênio diário, necessário para o corpo físico. Sabe-­se, hoje, que o cérebro contém 78% de água, 10% de gordura, 8% de proteína, 1% de carboidrato, 1% de sal e 2% de outros componentes. No cérebro temos, no córtex, “os centros da visão, da audição, do tato, do olfato, do gosto, da palavra falada e escrita, da memória e de múltiplos automatismos em conexão com os mecanismos da mente, configurando os poderes da memória profunda, do discernimento, da análise, da reflexão, do entendimento e dos multiformes valores morais de que o ser se enriquece no trabalho da própria sublimação.” (2)

Os neurocientistas não têm mais medo de falar, publicamente, sobre consciência e como o cérebro produz a mente. Segundo pesquisadores, a experiência espiritual das pessoas pode ser explicada pela “ausência” de atividade em uma das regiões do cérebro, mas, especialmente no lóbulo parietal direito, onde se processa as preferências e gostos pessoais, e onde se “reconhecem as habilidades e os interesses amorosos da pessoa, portanto, responsáveis pela afirmação da identidade individual, segundo Brick Johnstone, da Universidade de Missouri­, EUA.” (3)

Cameron Mott, 9 anos de idade, após ser submetida a complexa cirurgia do cérebro, teve alta um mês após a internação no hospital da Universidade Johns Hopkins. A menina teve quase 50% do cérebro removido por ordem médica (4). As únicas sequelas foram uma “pequena debilidade” nos movimentos e a perda da visão periférica. A sua recuperação surpreendeu médicos e familiares e contrariou a literatura médica. Atualmente a menina já consegue correr e brincar e faz planos para o futuro, quer ser bailarina!

Mott era portadora de síndrome de Rasmussen, doença que vinha corroendo o lado direito de seu cérebro há seis anos, causando convulsões violentas. Na opinião médica, só poderiam ser evitadas sequelas mais agudas pela remoção da metade do cérebro da paciente. Segundo os cirurgiões, a recuperação de Cameron ilustra uma situação raríssima em que o cérebro promove uma “reconfiguração”. Tal como ocorreu com Michele Mack, de 37 anos. Nascida com metade do cérebro, Michelle fala normalmente. O lado direito de seu cérebro se “reconfigurou” para assumir as funções típicas do lado esquerdo. Porém, em seu caso, as sequelas foram mais acentuadas: Mack tem dificuldades na compreensão de conceitos abstratos e se perde facilmente em lugares com os quais não tem familiaridade. Embora nossa experiência no mundo nos condicione de muitas maneiras, o cérebro, sem dúvida, possui uma capacidade espantosa de se reconfigurar de acordo com a informação que recebe de fora.

Atualmente é consenso que a função cerebral mais básica é manter o restante do corpo físico vivo. Os processos envolvidos nessa tarefa, entretanto, são extremamente complexos. O cérebro apresenta 38 tipos de enzimas (neurotransmissores) tais como: dopamina, serotonina, endorfina, noradrenalina etc., além de tantas outras funções vitais. O cérebro humano constitui­se num verdadeiro arcabouço complexo de inúmeras reações de várias naturezas bioquímicas, eletroquímicas e magnéticas. E por ser tão complexo e tão importante, muitos materialistas do passado defendiam a tese de que os pensamentos vinham do cérebro. Se indagarmos a um materialista o que é mente, ele irá responder certamente que a mente é responsável pelos pensamentos. Mas será só isso? Vamos raciocinar como nos sugere o bom senso espírita. Se os pensamentos vêm da mente, logo a mente pensa! Se a mente pensa, logo a mente é pensante. Se é pensante, logo ela raciocina, ou seja, é inteligente. Ora, “a inteligência é um atributo do Espírito.” (5)

Embora tentem explicar (só pelos fenômenos físicos), pela prática dos neurologistas, toda a classe de fenômenos intelectuais e até “espirituais”, através das ações combinadas do sistema nervoso; e, em que pese a Ciência ter atingido certezas irrefutáveis, como, por exemplo, a de que uma lesão orgânica faz cessar a manifestação que lhe corresponde, e que a destruição de uma rede nervosa faz desaparecer uma faculdade, ela, porém, está infinitamente limitada para explicar os fenômenos do espírito. Em razão de semelhante situação, não podemos afastar a verdade da influência de ordem espiritual e invisível no cérebro.

O cérebro é o meio que expressa a inteligência no mundo material. Por isso, a maioria dos estudiosos da mente humana faz da inteligência um atributo do cérebro. Há uma diferenciação significativa entre a pesquisa acadêmica com viés, nitidamente mecanicista, e a ciência espírita, pois, enquanto a ciência humana faz do cérebro o excretor da inteligência, a ciência espírita faz do cérebro um instrumento do espírito, que é o ser inteligente individualizado. O cérebro assemelha­-se a complicado laboratório “onde o espírito, prodigioso alquimista, efetua inimagináveis associações atômicas e moleculares, necessárias às exteriorizações inteligentes.” (6)

Nervos, zona motora e lobos frontais, no corpo carnal, traduzindo impulsividade, experiência e noções superiores da alma, constituem campos de fixação da mente encarnada ou desencarnada. “Para que nossa mente prossiga na direção do alto, é indispensável que se equilibre, valendo-se das conquistas passadas, para orientar os serviços presentes, e amparando­-se, ao mesmo tempo, na esperança que flui, cristalina e bela, da fonte superior de idealismo elevado; através dessa fonte, ela pode captar, do plano divino, as energias restauradoras, assim construindo o futuro santificante.” (7)

“Os órgãos são os instrumentos da manifestação das faculdades da alma, manifestação que se acha subordinada ao desenvolvimento e ao grau de perfeição dos órgãos, como a excelência de um trabalho o está à da ferramenta própria à sua execução.” (8) “Encarnado, traz o Espírito certas predisposições e, se admitir que a cada uma corresponda no cérebro um órgão, o desenvolvimento desses órgãos será efeito e não causa. Se nos órgãos estivesse o princípio das faculdades, o homem seria máquina sem livre ­arbítrio e sem a responsabilidade de seus atos”. (9) Percebe­-se pelas instruções dos espíritos que a causa dos impulsos cerebrais que levam o indivíduo a realizar um ato ou pensamento reside no espírito. O perispírito, em interação com o cérebro e o sistema nervoso, é responsável pela “ponte” entre o princípio inteligente do universo, essência da vida, e a sua manifestação no mundo material, o corpo físico.

O Codificador busca dos Espíritos a justificação da relação entre os órgãos cerebrais e as faculdades morais e intelectuais (do Espírito), e deles recebe esta magnífica explicação: “Não confundais o efeito com a causa. O Espírito dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora, não são os órgãos que dão as faculdades, e sim estas que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos”. (10)

Quando forem descobertas tecnologias muito mais sofisticadas, que nos possibilitem um exame aprofundado da estrutura funcional do perispírito, a medicina transformar­-se-­á radicalmente. Os hospitais, possuindo instrumentos de altíssima resolução, muito além daqueles que existem hoje, os diagnósticos serão, inequivocamente, precisos, o que possibilitará a cura real das doenças. Os profissionais da saúde trabalharão muito mais de forma preventiva, evitando, assim, por exemplo, as intervenções cirúrgicas alargadas, invasivas, realizadas, abusivamente, nos dias de hoje. Os médicos terão oportunidade de conhecer, com detalhes, a estrutura transdimensional do corpo perispiritual, compreendendo melhor o modo como se imbricam as complexas estruturas do psicossoma, nas chamadas sinergias, para melhor auxiliar na terapia e manutenção da saúde mento­-física-­espiritual de seus pacientes.

Jorge Hessen

Fonte: geae.net.br

Referências:

(1) Disponível no site http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u318086.shtml, acessado em 18­05­10

(2) Xavier Francisco Cândido/ Vieira Waldo, Mecanismos da Mediunidade, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2000, cap. IX

(3) Publicado jornal científico “Zygon”. SXC, novembro ,2008

(4) Hemisferectomia (a extirpação cirúrgica de um hemisfério cerebral) realizada por neurologistas da Universidade Johns Hopkins

(5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed.FEB, 2001, 1 ª Parte, cap. IV, item 71 – “Inteligência e Instinto”

(6) Xavier, Francisco Cândido. EMMANUEL, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001

7) Xavier, Francisco Cândido. No Mundo Maior, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed.. FEB, 1997, cap. 4

(8) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed.FEB, 2001, perg. 369

(9) idem

(10) idem

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Espírito de Aceitação

Orson Peter Carrara

Numa resposta de Chico Xavier sobre o tema que destacamos como título, especialmente considerando as enfermidades, encontramos dica preciosa no enfrentamento das doenças. Respondeu o médium ao repórter:

“Acredito que, se a pessoa está no merecimento natural da cura, tenha ela fé, ou não tenha fé, a misericórdia divina permite que essa criatura encontre a restauração de suas forças. Isso em qualquer lugar, em qualquer religião, ou em qualquer tempo; agora, os Espíritos nos aconselham um espírito de aceitação. (…)”.

E prossegue o médium, agora com a preciosa dica: “(…) O espírito de aceitação torna mais fácil para o médico deste mundo, ou para os benfeitores espirituais do outro, atuarem em nosso favor. Agora, a nossa aflição ou a nossa inquietação apenas perturbam os médicos neste mundo e no outro, dificultando a cura.”

Mas conclui com sabedoria: “E podemos ainda acrescentar que, muitas vezes, temos conosco determinados tipos de moléstias, que nós mesmos pedimos, antes da nossa reencarnação, para que nossos impulsos negativos ou destrutivos sejam percebidos. Muitas frustrações que sofremos neste mundo são pedidos por nós mesmos, para que não venhamos a cair em faltas mais graves do que aquelas que já caímos em outras vidas. (…)”

– Do livro Chico Xavier, Diálogos e Mensagens, edição IDE.

Fonte: kardecriopreto.com.br

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TODOS FOMOS CHAMADOS, MAS….

Jorge Hessen

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Em nosso processo evolutivo, somos convidados pelo Criador a adentrar pela porta estreita que nos conduz à vida essencial através do exercício das virtudes contidas no código moral de lei da consciência; no entanto, ao marcharmos pela estrada da vida, quase sempre abraçamos a viciação e atravessamos a porta larga que nos transporta à ansiedade e à desdita, sob o aguilhão da preguiça moral, da empáfia, das facilidades inebriantes, da luxúria, da hipnose mental, da inveja, que repletam o mundo transitório das ilusões.

Eis aí a abertura da perdição, porque são amplas as viciações que trazemos enraizadas em nossa milenar e sombria hegemonia do egoísmo. Marchando de tal modo, a vida nos relega a assumirmos as consequências de nossas escolhas egoicas, consoante indicado na máxima do Cristo: “Muitos são os chamados e poucos os escolhidos”. (1)

Os escolhidos conseguem despertar as potencialidades do ser essencial, para a evolução do eu divino que somos em essência, que é infinitamente maior do que as conquistas transitórias das coisas impermanentes ao longo do tempo. Por isso, a comparação da majestática festa, onde tudo é beleza e contentamento, porque aquele que evolui essencialmente, e que passa a conhecer e conviver em harmonia com o Código moral de lei da consciência, vive de forma leve, suave, alegre e feliz.

Resolvido o problema do Espírito, pela autoeducação, pelo esforço ininterrupto, tudo nos será acrescentado e nada nos entristecerá, nem as questões econômicas, nem as dificuldades de relacionamento, ou mesmo de saúde, porque conectados com a essência divina que somos transcenderemos a todos os desafios fugazes da matéria.

A rigor, naturalmente temos dois tipos de apetite: da fome material e da fome espiritual. Para atender a fome do corpo físico nos empenhamos, lutamos, lançamos mão de todos os recursos transitórios. Mas, quanto a fome espiritual, comumente não nos cuidamos. Nem queremos saber que temos necessidade de alimento espiritual. Ignoramos essa necessidade, e até tratamos mal os que nos oferecem.

De fato, muitos de nós queremos cura para o corpo, resolver os problemas de ordem material, mas são raros os que querem aprender a amar, a servir, a ser útil a seu próximo. A História nos apresenta seres moralmente esclarecidos, que trabalharam para levar o alento espiritual (compreensão das Leis Divinas da consciência) e foram incompreendidos, insultados, e muitos pagaram com a própria vida, pelo fato de se amarem e amarem o seu semelhante. O exemplo maior é o do próprio Cristo.

A rigor, todos somos convidados. Porém, não basta sermos chamados, é necessário “vestirmos a túnica”, ou seja, purificarmos os sentimentos e praticarmos a Lei de amor, justiça e caridade, a fim de reunirmos condições para sermos escolhidos na divina festança.

Não basta saber, é preciso sentir e realizar. Não adianta tão-somente informação teórica, mas experiência transformadora. O critério da divinal escolha depende de nós, do nosso desempenho no bem, para nos adjudicar o caminho para a Vida Maior.

Jesus, referindo-se à Divina Ascensão para a Vida Maior disse que “serão muitos os chamados e poucos os escolhidos” para o reino dos céus. Isso quer dizer que, sem chamada, não há escolha. Mas se estamos claramente informados de que a chamada vem de Deus, atingindo todas as criaturas na hora justa da evolução, só a escolha, que depende do nosso discernimento e exemplificação de amor, nos confere caminho para a Vida Maior.

Sobre a questão de um dos chamamentos especiais, recordamos o Espirito Emmanuel, citando Francisco de Assis na monumental obra “A caminho da Luz”, informando que na Idade Média os apelos dos Benfeitores da Humanidade insistiram para que a igreja romana oferecesse a aplicação do código do amor e da fraternidade em todas as direções. Até porque, os movimentos tidos como “heréticos” (para os bispos da Cúria) germinavam por toda parte onde existisse consciências livres e corações sinceros, contudo, as autoridades eclesiásticas estorvaram os apelos do Alto.

No início do Século XIII, o combate contra os “hereges” abarcou o espaço de duas décadas, quando componentes do alto clero da Cúria de Roma deliberaram o baldrame do tribunal da penitência. O desígnio era precipuamente disfarçar tal empreendimento à guisa de administradora imperativa de suposta unificação religiosa, contudo o objetivo real era alargar a extensa autoridade clerical sobre as consciências livres.

Em verdade, se a Inquisição absorveu as autoridades da Igreja, antes da sua fundação, como notamos acima, do mesmo modo preocupava os Benfeitores do além, motivo pelo qual, foram providenciadas medidas de renovação educativa em chamadas específicas.

Portanto, dentre tais convocados transcendes observamos a consolidação da reencarnação do ínclito filho de Assis. Isso foi marcante, porque a convocação e a atividade de Francisco iria ser reformista sem os choques próprios da verborragia, porque o seu sacerdócio seria o exemplo na pobreza e na mais absoluta humildade.

Nem por isso, o clero entendeu que a lição franciscana lhe dizia respeito e, ainda uma vez, não abrigou os convites dos Operários Divinos. A diligência atuante do filho da Úmbria, não logrou decompor o furor de domínio dos pontífices romanos, porém deixou traços cintilantes e indeléveis da sua passagem na Terra. Seu exemplo de simplicidade e de amor, de singeleza e de fé, contagiou numerosas criaturas, que se entregaram ao mister de regenerar almas para Jesus.

De fato, os seguidores de Francisco, não aderiram a porta larga e nem repousavam à sombra dos mosteiros, na falsa quietude sob a inócua contemplação, pois que reconheciam que a melhor oração, para Deus, é a da porta estreita do trabalho útil, no aprimoramento do mundo e dos corações pelos exemplos de renúncia.

Aliás, os discípulos do conspícuo filho da Úmbria destacam no exercício do amor a universalização das profundas reflexões da memorável oração. E, quando decodificamos o cântico de Francisco, à primeira vista temos a impressão que o filho de Assis apenas nos convida a sairmos por aí (esmolando), distribuindo coisas (materiais) a serem entregues aos esfaimados, porém, na verdade, a grande proposta de Francisco é que mergulhemos em nós mesmos para que  onde houver o ódio em nosso mundo  interior levemos amor; onde houver ofensa em nosso coração que plantemos o perdão.

A oração de Francisco é um convite para trilharmos um caminho de aprendizado e autotransformação e tem o código moral de leis como referência máxima a fim de que possamos trilhar pelas vias da consciência.

Recordemos que Jesus nos convidou “vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo“.(3  Se aceitarmos esse convite , observaremos na oração de Francisco de Assis um roteiro seguro de como fazer isso, seguir o caminho do Evangelho para sermos escolhidos na condição de aprendizes do Governador planetário.

Em todas as iniciativas humanas, somos chamados para realizações nobres e, no entanto, cobertos pela sombra dos egos (evidente e mascarado), prontamente desinteressamo-nos de avançar por ausência de retorno compensador ao vazio existencial, absorvendo-nos e entulhando-nos de ansiedades e ações no afã de aquisição de coisa vãs.

Destarte, ao galgarmos a estrada da evolução, faz-se mister a prudência, a temperança, a fé, a esperança, a caridade, percorrendo o caminho das lutas, dos obstáculos, dos sacrifícios, esforçando-nos para o autoaperfeiçoamento. Deste modo, permaneceremos nos aparelhando para um porvir de contentamento e felicidade.

É uma estrada árdua, bem sabemos, pois impõe ser trilhada com cuidado, examinando onde penetrar, porque poderemos levar longo tempo para retomar o caminho que nos é próprio, e entendendo, definitivamente, a importância do vigiar e orar tão alertado por Jesus.

Encontramo-nos envoltos em ações iluminativas cada vez mais austeras. Naturalmente arrostando as lutas, adquirimos sabedoria e ascendemo-nos recorrendo à oração como fonte de energia, inelutavelmente triunfaremos sobre as dificuldades que já não nos serão intransponíveis na caminhada, mas apenas uma experiência desafio no processo de autoevolução.

Portanto, na admoestação “muitos são os chamados e poucos os escolhidos” (2) para ingressarmos nos “Recintos celestiais”, metaforizado na majestosa festa, onde tudo era felicidade e alegria, podemos compreender como um convite para a evolução essencial, consoante a afirmativa de Jesus, que o “Reino divino” está em nossa própria consciência.

Jorge Hessen

Fonte: Jorge Hessen

Referências:

1) Mateus, 20:16-20

2) idem, 22: 1-14

3) idem, 11:28-30

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Hospital Esperança (No Mundo Espiritual)

Fernando Rossit

O Espírito Manoel Philomeno de Miranda, no Livro “Tormentos da Obsessão”, nos traz detalhes, não só nesse trecho que separamos, mas em toda a obra, sobre o Hospital Esperança, localizado no Plano Espiritual.

1

 

Vejamos:

“Erguido, graças aos esforços e sacrifícios do eminente Espírito Eurípedes Barsanulfo, na década de 1930 a 1940, aquele Sanatório passou a recolher desde então as vítimas da própria incúria, tornando-se um laboratório vivo e pulsante para a análise profunda das alienações espirituais”.

“O missionário sacramentano havia constatado ser expressivo o número de almas falidas nos compromissos relevantes, após haverem recebido as luzes do Consolador (espíritas), e que retornavam à Pátria Espiritual em lamentável estado de desequilíbrio, sofrendo sem consolo na erraticidade inferior. Movido pela compaixão que o caracteriza, empenhou-se e conseguiu sensibilizar uma expressiva equipe de trabalhadores espirituais dedicados à psiquiatria, para o socorro a esses náufragos da ilusão e do desrespeito às soberanas leis da Vida, credores de misericórdia e amparo.”

Quais são os pacientes?

-Médiuns levianos, que desrespeitaram o mandato de que se fizeram portadores;

-divulgadores descompromissados com a responsabilidade do esclarecimento espiritual;

-servidores que malograram na execução de graves tarefas da beneficência;

-escritores equipados de instrumentos culturais que deveriam plasmar imagens dignificadoras e que descambaram para as discussões estéreis e as agressões injustificáveis;

-corações que se responsabilizaram pela edificação da honra em si mesmos, abraçando a fé renovadora, e delinquiram;

-mercenários da caridade bela e pura;

-agentes da simonia (troca de bem espiritual pelo material) no Cristianismo restaurado;

Ali se encontram recolhidos, muitos deles após haverem naufragado na experiência carnal, por não terem suportado as pressões dos Espíritos vingadores, inclementes perseguidores aos quais deveriam conquistar, ao invés de lhes tornarem vítimas, extraviando-se da estrada do reto dever.

Verdadeiro Hospital-Escola, constitui um brado enérgico de advertência para os viajores do carro orgânico, que se comprometeram com as atividades de enobrecimento e amor.

Fernando Rossit

 Fonte:

-Tormentos da Obsessão, Divaldo Franco/Manoel P. de Miranda.

(kardecriopreto.com.br)

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