O poder da vontade

O poder da vontade

Itair Rodrigues Ferreira

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O nosso pensamento determina a nossa realidade. Somos seres pensantes. Dizem os Espíritos: “A forma nada vale, o pensamento é tudo.” (1)

Pensamos sempre, entretanto, existem duas ocorrências em nossas vidas das quais nunca podemos nos evadir. Uma é a morte; dela ninguém escapa; todos iremos morrer, e, a outra, é a escolha. A todo o instante de nossa vida, escolhemos o que queremos. Então, o indivíduo diz: “Sendo assim, não escolherei”. Mas, não escolher é, também, uma escolha.

Escolha é a liberdade de ação do indivíduo, o livre-arbítrio, que dá a cada um o direito inalienável de ser o que quiser. Se porventura nos fosse tirado esse direito, nós nos tornaríamos uma máquina.

A veneranda Joanna de Ângelis, escreveu: “o ser humano experimenta, em média, sessenta mil pensamentos por dia, o que demonstra a grandeza, a majestade da sua organização mental, descobrindo quanto é nobre aprender a utilizar desse tesouro abundante, que muitas vezes se perde em círculo de viciações mentais, malbaratando tempo e oportunidade em lamentações, queixas, pessimismo, desgaste das potências de que é constituído.” (2)

Viktor Frankl, o grande neuropsiquiatra austríaco, fundador da terceira escola vienense de psicoterapia, a Logoterapia, afirmou: “Entre o estimulo e a reação, há sempre a escolha”.

A escolha é a vontade que seleciona o pensamento que iremos utilizar para determinar o nosso caminho, através do reflexo de nós mesmos.

Emmanuel, no livro Pensamento e Vida, compara a mente humana a um grande escritório de departamentos. Possuímos o Departamento do Desejo, o Departamento da Inteligência, o Departamento da Imaginação, o Departamento da Memória, e outros ainda que definem os investimentos da alma.

“Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade.

A vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental.” (3)

O medo e o desejo são os grandes vilões em nossa existência. Saber administrá-los é fundamental para nossa felicidade. A nós compete a escolha.

O cérebro humano grava e executa tudo o que lhe é enviado. Por meio dos pensamentos, das palavras e dos atos, positivos ou negativos. Basta queiramos, que os aceitemos. Isso sempre acontecerá, independentemente se trará ou não trará benefícios para nós.

Um cientista de Phoenix, Arizona, EUA, queria provar a teoria da autossugestão, proposta pelo boticário Émile Coué, em 1875. Para isso, precisava de um voluntário que chegasse às últimas consequências.

Conseguiu um prisioneiro, em uma penitenciária do Estado. Era um condenado à morte, que seria executado em uma cadeira elétrica. O cientista lhe fez a seguinte proposta:

— Você participará de uma experiência científica, na qual será feito um pequeno corte em seu pulso o suficiente para go­tejar o seu sangue até a última gota. A sua chance de sobreviver será se o sangue coagular e deixar de escorrer. Se isso acontecer, você ganhará a liberdade caso contrário, você morrerá pela perda de sangue. Porém, terá uma morte sem sofrimento e sem dor.

O condenado aceitou, pois era melhor do que morrer na cadeira elétrica, e ainda teria a chance de sobreviver e contribuir numa pesquisa para o progresso humano.

No dia marcado, o condenado foi colocado em uma cama alta de hospital e amarraram o seu corpo para que não se moves­se. Um membro da equipe fez um pequeno corte em seu pulso e colocou uma pequena vasilha de alumínio em baixo da cama e lhe disse que ele ouviria o gotejar de seu sangue na vasilha.

O corte foi superficial e não atingiu nenhuma veia ou artéria, mas foi suficiente para que ele sentisse o pulso sendo cortado. Sem que ele soubesse, debaixo da sua cama colocaram também um frasco de soro com uma pequena válvula.

Ao cortarem seu pulso, abriram a válvula do frasco para que ele acreditasse que era o seu sangue que estava pingando na va­silha de alumínio.

Na verdade, era o soro do frasco que gotejava. De dez em dez minutos, o cientista e sua equipe, sem que o condenado visse, fechavam um pouco a válvula do frasco e o gotejamento diminuía.

O condenado acreditava que era o seu sangue que estava diminuindo.

Com o passar do tempo, ele foi perdendo a cor e ficando cada vez mais pálido. Quando o cientista fechou a válvula… teve uma parada cardíaca e morreu. Morreu sem ter perdido uma única gota de sangue.

O cientista conseguiu provar que o cérebro humano cumpre ao pé da letra o que lhe é enviado e aceito pela mente, seja posi­tivo, seja negativo e que sua ação envolve todo o organismo, quer seja na parte psíquica, quer seja na parte orgânica.

Escreveu Nuno Cobra, o personal trainer do grande campeão Ayrton Senna, em seu livro best seller “A Semente da Vitória”: “O cérebro é burro. Ele executa aquilo que ordenamos pelo pen­samento”.

Nosso cérebro não distingue o real da fantasia, o certo do errado; simplesmente executa o que lhe é enviado. (4)

Não podemos evitar os pensamentos, que fluem com naturalidade, entretanto, podemos impor neles, o jugo da disciplina, dominando o medo e o desejo, com o poder da vontade, que é soberana para sustentar a harmonia do espírito.

Muita paz!

Itair Rodrigues Ferreira

Fonte: Correio Espírita

Dados bibliográficos:

1 – O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, item 1, Allan Kardec, FebFEB.

2 – Vida: desafios e Soluções, Joanna de Ângelis, Divaldo P. Franco, pág. 62, 4ª ed., Leal.

3 – Pensamento e Vida, Emmanuel, Francisco C. Xavier, pág. 16, 3ª edição, FebFEB.

4 – Século XXI: A Era do Sentimento, Itair R. Ferreira, 1ª ed., pág. 125 a 127, Emican Editora.

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