A verdadeira propriedade

A verdadeira propriedade

Escrito por Ary Brasil Marques

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A Terra é uma escola onde os espíritos passam várias temporadas com a finalidade de aprender e buscar a perfeição. A maioria dos habitantes atuais de nosso planeta ainda está em fase de valorização do ter ao invés do ser.

Isso explica a alegria que o ser humano tem ao adquirir um bem material, na doce ilusão de posse. Digo doce ilusão porque na verdade ninguém no planeta tem nada. As propriedades, os cargos elevados, os altos salários e a posse de riquezas terminam com a morte do corpo físico.

O espírito imortal recebe de Deus várias oportunidades de aprendizado, e através da reencarnação com vidas sucessivas utilizando corpos físicos diferentes, ele vai se depurando, evoluindo, crescendo, aprendendo.

Depois de algum tempo, descobre o espírito que a verdadeira propriedade ele a tem em ser e não em ter. Ao voltar para o plano espiritual, no término de cada missão terrena, os valores que leva para lá são os valores morais que adquiriu na prática do bem e do amor ao próximo. Assim, quem utiliza em sua vida do amor como forma de viver, é mais rico do que aquele que possui fortunas em bens materiais.

Uma famosa história nos conta que havia um rei de poderoso país que, apesar de possuir uma imensa riqueza e viver em palácio rodeado de ouro e pedras preciosas, vivia amargurado. Ele não se sentia feliz e vivia em profunda depressão. Na tentativa de alcançar a alegria de viver, mandou pelo mundo afora alguns mensageiros para que eles encontrassem alguém que fosse feliz para que essa pessoa lhe emprestasse sua camisa para assim, também ele, Rei, pudesse ser igualmente feliz.

Os mensageiros do Rei saíram pelo mundo. Visitaram cidades grandes e pequenas, observando as criaturas. Em todos havia sinais de preocupação, de insegurança, de medo do futuro, de revolta contra os seus governantes, de tristeza.

Já iam desistir, quando passaram pelo cais do porto, onde vários trabalhadores estavam carregando sacos de café para o interior de um navio mercante. Notaram que um daqueles homens fazia o seu trabalho cantando, sorrindo e muito alegre.

Resolveram entrevistar aquele homem e perguntar a ele se o mesmo era feliz. Caso afirmativo, iriam lhe convidar para ir com eles até o Rei. Fizeram a ele a pergunta, e o homem, mantendo o seu bom humor, disse que era realmente feliz.

O homem feliz morava em modesta casinha perto dali, e vivia alegre e cantando mesmo tendo que fazer aquele trabalho pesado de todos os dias. Os mensageiros do Rei exultaram. Finalmente poderiam cumprir as ordens do Rei. Iriam levar o homem feliz ao Rei. Pediram a ele que levasse sua camisa para o Rei.

O homem então disse que isso não seria possível. O homem feliz não possuía camisa.

Fonte: Boletim GeaE, Ano 20, Número 550, 2012

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