O verdadeiro tesouro

O verdadeiro tesouro

Itair Rodrigues Ferreira

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Disse Jesus: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde a traça nem a ferrugem corroem, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.

Apesar dessa advertência do Mestre e da certeza que temos de que ninguém nunca levou consigo nenhum patrimônio, por mais ínfimo que seja, para o além-túmulo, falta-nos o mínimo de bom senso e a mais simples lógica para seguirmos essa orientação.

Somos usufrutuários dos bens que pertencem a Deus, que no-los empresta para utilizarmos na medida de nossas necessidades. Até o nosso corpo é um empréstimo temporário que devolvemos à natureza após a nossa partida.

É comum ouvirmos relatos de jovens e adultos que não têm saudade ou boas lembranças da infância e da juventude, porque seus pais no afã da conquista das posses materiais não passearam com eles, não os acariciaram suficientemente alegando falta de tempo e nem tiveram paciência, em sua missão de paternidade, dada por Deus, (2) para esperar o seu desenvolvimento natural na descoberta dos seus objetivos.

É necessário que trabalhemos dignamente para conquistar os bens materiais, que são importantes para o nosso progresso e a nossa felicidade e que nos estimulam à continuidade da vida. Uma coisa, no entanto, é ser possuidor e outra bem diferente é ser possuído. Entre essas duas ações existe o “r”, que é o r da redenção.

O trabalho é uma lei moral. Ele foi classificado pelo insigne Allan Kardec em segundo lugar na composição das dez leis morais. Não devemos, entretanto, nos deixar possuir por essa visão materialista, esquecendo os principais tesouros: o amor à família; o bom relacionamento com os amigos; a boa convivência no trabalho; o tratamento amável com todas as pessoas que encontramos; a alegria de viver e a saúde que devemos conservar, agradecendo a Deus, todos os dias, por essas bênçãos.

É comum não valorizarmos o que temos. Às vezes precisamos perder para darmos o devido valor.

Conta-se que um comerciante carioca, no século passado, amigo do grande poeta parnasiano Olavo Bilac, certo dia pediu-lhe um favor:

— Bilac, estou querendo vender o meu sítio, que você conhece muito bem. Será que poderia redigir o anúncio para o jornal?

— Perfeitamente!

Olavo Bilac, de imediato, apanhou lápis e papel e escreveu:

“Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortado por cristalinas e borbulhantes águas de um lindo ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na varanda.”

Alguns meses depois, o poeta encontrou-se com o comerciante e perguntou-lhe se já havia vendido o sítio.

— Nem pensei mais nisso, disse o homem. Depois que li o anúncio é que percebi a maravilha que possuía!

Albert Einstein, o grande gênio científico do século XX, disse: “Procure ser uma pessoa de valor em vez de procurar ser uma pessoa de sucesso. O sucesso é consequência”.

Procurar ser uma pessoa de valor significa penetrar no universo do mundo interior e, por meio do autoconhecimento, melhorar a nossa conduta, com perseverança, usando o tempo, esse patrimônio divino, distribuído com equidade a todos, sem distinção.

O objetivo único do homem na Terra é fazer o bem, evoluindo moral e intelectualmente. Esse o sentido da vida, o verdadeiro tesouro.

Muita paz!

Itair Rodrigues Ferreira

Fonte: Correio Espírita

Dados bibliográficos:

1 – A Bíblia Sagrada, João Ferreira de Almeida, Mateus, 6, 19 a 21.

2 – O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, parte 2ª, Capítulo X, questão 582, Feb.

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