Atividade Espiritual

Atividade Espiritual

Martins Peralva

ATIVIDADE ESPIRITUAL

LE – Questão 401: Durante o sono, a alma repousa como o corpo?

– Não, o Espírito jamais está inativo.

Nos círculos mais elevados do Espírito, o trabalho não é imposto. A criatura consciente da verdade compreende que a ação no bem é ajustamento às leis de Deus e a ela se rende por livre vontade. – Emmanuel

* * *

Incessante é a atividade do Espírito, seja na vigília, seja durante o sono.

Habituados, sempre, a examinar os problemas em função das leis conhecidas, atuantes na esfera fisiológica, os menos afeitos aos temas espíritas encontram dificuldade em compreender não tenha a alma necessidade de repouso.

Levemos em conta, no estudo do assunto, o trinômio “Espírito-Perispírito-Corpo”, para que se facilite nosso entendimento.

Para o corpo o descanso é imperativo, objetivando o refazimento da estrutura celular, cujo desgaste, naturalmente, provoca a exaustão, o enfraquecimento orgânico.

O perispírito, igualmente, por refletir, nas almas pouco evoluídas, o condicionamento a impressões e sensações de natureza fisiológica, acusa reações de cansaço e aflição, de dor e sofrimento, consoante observamos nas sessões mediúnicas, ao se comunicarem entidades ainda ligadas, mentalmente, ao veículo corpóreo. Além da referência dos Espíritos a Allan Kardec, a literatura de André Luiz comprova a necessidade do “descanso perispiritual”, que se reflete, inclusive, em sua densidade e coloração.

O Espírito, a centelha divina, o elemento inteligente, incorpóreo, não repousa, não dorme, segundo os atuais conhecimentos doutrinários.

Tão logo entorpece o corpo, pelo sono, afasta-se o Espírito e demanda regiões do seu agrado, de sua preferência, para o desempenho de atividades peculiares ao seu estado evolutivo, o qual lhe dita os gostos.

Assegurando que O ESPIRITO JAMAIS ESTÁ INATIVO, a Codificação complementa o ensino:

“Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos”.

Os sonhos – dizem os Amigos de Mais Alto – comprovam a liberdade e atuação do ser, enquanto dorme o homem.

Quantos encontros, à noite, realiza nossa alma com amigos e desafetos, com entidades inferiorizadas ou com almas superiores, causando-nos alegria ou tristeza, segundo for o caso, provocando um despertar suave e esperançoso, inquieto ou sufocante!

Os pesadelos – abstraindo-nos, é bem verdade, dos arrolados pela Medicina, e que se verificam por anomalias fisiológicas, envolvendo perturbações digestivas -, são, sob o ponto de vista espírita, o resultado de desagradáveis encontros com adversários, encarnados ou desencarnados, que nos atacam, que conosco duelam.

Leia-se André Luiz, entidade que não cessa de estudar, no plano espiritual, e de transmitir-nos o que vai aprendendo, e ter-se-á conhecimento de tudo isto.

Encontros felizes, reuniões encantadoras, aulas edificantes, tertúlias plenas de amor, dos quais guardamos, algumas vezes, clara recordação, realizam-se durante o sono, além da vida orgânica, em prolongamento das experiências diuturnas.

Problemas aparentemente insolúveis, no quadro dos argumentos e providências simplesmente humanos, são equacionados, via de regra, na Espiritualidade, no contato com almas generosas e amigas, que, dotadas de mais ampla visão, experientes e sábias, vislumbram ângulos e implicações que nos escapam, aqui no plano terrestre, onde mais limitadas são as nossas percepções.

A vida real é a espiritual.

A imersão da Alma no corpo de carne representa, apenas, a necessidade do comparecimento do viajor da eternidade ao cenário do mundo, no cumprimento de missão, de provas ou no resgate de enganos que lhe comprometeram a felicidade e o equilíbrio.

O Espírito movimenta-se, trabalha, atua e age enquanto dormem os sentidos físicos, muito mais do que imaginar se possa.

Durante o sono, apenas o consciente adormece.

Liberta-se o inconsciente, pelo afrouxamento da “vigília”.

Os sonhos premonitórios e uma série de outros fenômenos psicológicos evidenciam, de maneira incontestável, a atividade do Espírito durante o sono, aglomerando fatos do passado e do presente e aspirações futuras.

Examinando o problema dos sonhos, no capítulo da atividade espiritual, consideramos oportuno recorrer, mais uma vez, à obra extraordinária de André Luiz – “No Mundo Maior”, explanação de Calderaro, no capítulo “Casa Mental” -, para melhor entendimento da mecânica dos sonhos, em sua profunda complexidade, tendo em vista as naturais reações psicológicas do homem fisicamente adormecido, mas com o Espírito em plena atividade.

Eis o que nos diz o categorizado Instrutor:

“Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que, porém, se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fora um castelo de três andares.”

Nossa visualização gráfica:

Casa Mental:

SUPERCONSCIENTE = Casa das noções superiores

CONSCIENTE = Domicílio das conquistas presentes

SUBCONSCIENTE = Residência dos impulsos automáticos.

Classificando, desta maneira, nos três andares do “prédio”, o superconsciente, o consciente e o subconsciente, complementaríamos ainda – porque nosso propósito é tornar compreensivo o assunto – a elucidação, já suficientemente clara e lógica, porque sobretudo singela, com mais um esquema:

SUPERCONSCIENTE = Idealismo Superior = FUTURO

CONSCIENTE = Conquistas atuais = PRESENTE

SUBCONSCIENTE = Síntese dos serviços já realizados = PASSADO.

Lições maravilhosas são-nos ministradas à noite, enquanto repousa o corpo.

Experiências valiosas são-nos transmitidas enquanto passam, tranquilas, as horas noturnas.

Oportunos avisos são-nos dados enquanto dormimos.

Muitas resoluções, tomadas durante o dia, constituem o resultado, a soma de conselhos, de orientações, de roteiros que os amigos espirituais – os “anjos da guarda” de nossos caros irmãos do catolicismo – fornecem-nos à noite, ocorrência que justifica, sem dúvida, o bem conhecido dito popular de que “a noite é boa conselheira”.

Quem gosta de bons assuntos, bons assuntos procurará durante o sono.

Quem prefere bons ambientes, bons ambientes buscará, em Espírito.

A regra prevalece, é bom acentuar, em sentido inverso, indicando a predominância do Espírito nas ações humanas. Inclinações da criatura encarnada vigem no campo espiritual, no sono ou na desencarnação, não tenhamos a este respeito a menor dúvida.

Imperioso, portanto, cultivemos, aqui na Terra, tudo quanto representa amor e convicções nobres.

Indulgência para com os nossos semelhantes.

Desambição ante os valores do mundo.

Cultivo da solidariedade.

Exercitemos, na vigília, o que de melhor nos seja possível fazer, de modo não seja o sono, para nós outros, desagradável pesadelo, mas algumas horas de ventura, nas sociedades de Além-Túmulo, a garantirem, pela manhã, um suave despertar e reconfortante dia de trabalho.

O superconsciente poderia ser designado por “Região da Esperança”, nela situando eminências espirituais que nos compete atingir. As intuições dos gênios e as criações dos santos significam penetrações no compartimento superconsciencial.

O consciente (zona intermediária), campo de atividade da vida presente, contém energias utilizáveis para as manifestações peculiares ao nosso “modo de ser” atual.

Vida moral equilibrada, estudos edificantes, amor evangélico, culto à verdade, etc., são recursos que, adotados na vida presente, criarão condições para que se formem os gênios e os santos.

Na zona subconsciente, situa-se a “residência de nossos impulsos automáticos”. Ê a vida mecanizada, dela eclodindo impulsos que contam a nossa história pretérita.

A fim de nos mantermos equilibrados na direção do Mais Alto, devem as nossas mentes se valer das conquistas passadas, desde que nobres, na orientação do presente, que, por sua vez, deve-se amparar na luminosa esperança que flui do idealismo elevado, para que se concretizem os notáveis cometimentos do futuro – “meta superior a ser alcançada”.

Martins Peralva

O Pensamento de Emmanuel – 21

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