Espiritismo e Pobreza

Espiritismo e Pobreza

Martins Peralva

ESPIRITISMO E POBREZA

LE – Questão 166: Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?

R – Sofrendo a prova de uma nova existência.

Tendo nascido na palha, para doar-nos a glória da vida simples, expirou numa cruz pelo bem de todos, a fim de mostrar-nos o trilho da eterna ressurreição. – Emmanuel

* * *

Os hindus denominam-na “roda dos nascimentos”.

Os espíritas dão-lhe o nome de “reencarnação”.

Emmanuel, em linguagem expressiva e bela, aponta-a por “benção do recomeço”.

Com este ou aquele nome, a volta ao corpo constitui, evidentemente, oportunidade para que o Espírito eterno corrija o passado, pelo bom proceder no presente, edificando, assim, para o futuro, a felicidade e a iluminação.

As provas terrenas são necessárias para que a alma, depurando-se no cadinho terrestre, alcance seu glorioso destino: resgatar débitos e construir a vida melhor, no Reino da Luz Imortal.

Não sendo limitado o número das existências corporais, o Espírito virá ao plano físico quantas vezes se fizerem necessárias, dando, de cada vez, “um passo para diante na senda do progresso”.

Uma das provas mais difíceis é a da pobreza, quanto o é a da riqueza.

Na primeira, pode sofrer o Espírito a tentação da revolta.

Na segunda, a do abuso dos bens da vida, deturpando-lhe os augustos objetivos.

Podemos dizer que três seriam as causas gerais que levam o homem ao estado de pobreza, aqui na Terra:

a) – Prova espontaneamente solicitada.

b) – Resgates expiatórios.

c) – Efeitos do próprio livre-arbítrio, após a reencarnação.

Espíritos realmente evoluídos, ou simplesmente esclarecidos sobre a Lei de Causa e Efeito, podem solicitar a prova da pobreza, como oportunidade para o acrisolamento de qualidades ou a realização de tarefas.

Algumas vezes, o mau uso da riqueza, em precedente existência, leva o Espírito a pedir condição oposta, com o que espera ressarcir abusos cometidos e pôr-se a salvo de novas tentações, para as quais não se sinta convenientemente forte.

As provas solicitadas resultam de méritos do Espírito, que pode, inclusive, escolher ambiente social e grupo familiar para neles realizar a experiência de que se julga necessitado.

Quando não há, de sua parte, qualquer mérito, a lei dos resgates compulsórios funciona, levando-o à expiação de faltas que ficaram no Livro da Vida, as quais lhe acompanham o quadro de necessidades.

O livre-arbítrio do homem pode levá-lo à pobreza, sem que se avoquem, precedentes espirituais, causas ligadas ao pretérito.

Falta de estímulo para as lutas humanas pode conduzi-lo à miséria.

Preguiça ou irresponsabilidade são fatores que, fatalmente, o conduzirão à dificuldade material.

Desapreço aos bens da Natureza, que florescem, exuberantes, por toda parte, pode ser o responsável pelos insucessos humanos.

Estudadas, assim, as causas gerais da pobreza, que a podem converter em miséria, pelo mau uso do livre-arbítrio, analisemos, agora, as conseqüências, não da miséria, mas da pobreza digna.

Aquele que, em provação ou resgate, reencarna em condições penosas, sob o ponto de vista material, deve suportá-las resignadamente, atento aos frutos espirituais que colherá no porvir.

Um dos grandes benefícios que o homem obterá, na vivência modesta e organizada, será o fortalecimento do caráter, uma vez que uma existência laboriosa não deixa, via de regra, tempo para que desrespeite os dons da vida.

A obrigatoriedade do trabalho, mantendo-o, incessantemente, ligado a compromissos irreversíveis, na esfera profissional, sedimentar-lhe-á as boas qualidades.

Suportando, resignada e confiantemente, a pobreza honrada, conquista o homem a meta prevista antes da reencarnação: acrisolamento de qualidades, realização de tarefas ou resgate de débitos.

Mais livre, pessoalmente, é o homem pobre.

Não responde por vastos patrimônios econômico-financeiros, que lhe exigiriam mais tempo, mais lutas, mais preocupações.

Suas responsabilidades limitam-se ao trabalho que realiza em determinado espaço de tempo.

Terminado o dia de labor, é homem livre para ir aonde deseja.

Essa idéia de liberdade pessoal dá-lhe, também, maior felicidade interior.

Com as naturais exceções de regra, o homem que luta e sofre, obtendo, ao preço de copioso suor, o sustento diário, tem maior visão de Deus e de Seu Amor, da amizade sincera e das coisas.

O pobre tem, geralmente, sob o ponto de vista das próprias necessidades e aspirações, uma vida mais simples, se a resignação – não a acomodação – é-lhe uma constante espiritual. Daí ter afirmado Emmanuel, a respeito de Jesus: “Tendo nascido na palha, para doar-nos a glória da vida simples, expirou numa cruz pelo bem de todos, a fim de mostrar-nos o trilho da eterna ressurreição”.

Bons são os resultados da pobreza “resignadamente suportada”.

Maus, quando “suportada sob revolta”.

A revolta na pobreza é, sempre, um desastre para a alma, eis que impõe a necessidade de repetição da experiência, acrescida de responsabilidades.

Como se vê, a compreensão doutrinária, à luz do Evangelho, do problema da pobreza, é de grande valia para que o homem triunfe e alcance, vitoriosamente, a meta espiritual a que se destina, ou renove a experiência.

Se bem suportada, sem revolta, nem queixas, nem desestímulos, terá o homem vencido, em função da Vida Mais Alta.

Martins Peralva

Livro: Pensamento de Emmanuel – 6

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