Alma e Pensamento

Alma e Pensamento

Martins Peralva

LE 89-a. – O pensamento não é a própria alma que se transporta?

R.: Quando o pensamento está em alguma parte, a alma também aí está, pois que é a alma quem pensa. O pensamento é um atributo.

* * *

Nossas emoções, pensamentos e atos são elementos dinâmicos de indução. – Emmanuel

A força do pensamento, e sua consequente influenciação no próprio destino humano, constitui realidade que ninguém pode, nem deve ignorar.

Se a alma está no lugar onde projeta o pensamento, por maior seja a distância percorrida, ou a percorrer, evidentemente devemos sempre “pensar bem”.

Pensar no bem, pelo bem e para o bem – nosso e de todos.

Pensar sempre no bem, a fim de que a nossa influenciação sobre os demais seja benéfica, salutar, construtiva.

O Espírito, elemento inteligente do Universo, pensa.

A Mente, “campo da consciência desperta”, segundo Emmanuel, reflete.

O Corpo, “máquina divina”, na feliz definição de André Luiz, executa, com o auxílio dos órgãos que lhe são peculiares.

“Cada Espírito – ensina Allan Kardec – é uma unidade indivisível, mas cada um pode lançar seus pensamentos para diversos lados, sem que se fracione para tal efeito.” Quando o pensamento, traduzindo, assim, atividade anímica, reveste expressões de alegria e bom ânimo, de entusiasmo e equilíbrio, semelhantes expressões se projetam no Tempo e no Espaço e tomam o rumo da criatura em quem pensamos, alcançando-a, inevitavelmente.

Em sua tríplice composição, pode o homem ser comparado a um “farol”, significando:

a) A Energia luminosa que se expande, ou seja: Espírito que pensa, por sua condição de elemento inteligente do Universo (“O Livro dos Espíritos”, cap. II, parte 1., questão n.° 23). É o ser responsável, que prestará contas à Lei, agora ou mais tarde, aqui ou em qualquer parte.

b) A Mente que coordena, integra, concentra e dirige a energia do pensamento. Espelho que reflete a energia espiritual (“Campo da consciência desperta” – Emmanuel), a refletir a dinâmica do ser inteligente.

c) O físico, a estrutura material de que é construído o “farol” e que serve de veículo de manifestação do espírito no plano material. É a parte destrutível, que se refaz, se recompõe tantas vezes quantas necessárias, até que o ser pensante dela não mais precise na obra que lhe cabe cumprir: o aperfeiçoamento moral e cultural (“Máquina divina” – André Luiz).

O Espírito, encarnado ou desencarnado, edificado no Bem, sintonizado com as lições cristãs, projeta sua luz, sua claridade por toda parte. A todos beneficia e serve, à maneira do farol que indica o rumo certo, em pleno oceano e por maior seja o negrume da noite, às embarcações que demandam portos longínquos.

A criatura atingida pelo nosso pensamento recebe o fruto mental por nós elaborado.

Assim sendo, ficamos sabendo que:

pensamentos de otimismo geram bem-estar,

pensamentos de esperança conduzem bom ânimo,

pensamentos de fé são instrumentos, vitais, de fortalecimento e coragem, de estímulo e segurança,

pensamentos de fraternidade se refletem, junto aos que amamos, am forma de inexplicável felicidade, de indefinível júbilo interior.

Costuma-se dizer que “o pensamento elimina distâncias”, mas, quase sempre, quem o diz não compreende a intrínseca e científica realidade do enunciado.

Todavia, com o preceito espírita de que, “se o pensamento está em alguma parte, a Alma também aí está”, o problema se esclarece, em definitivo.

O pensamento põe psiquicamente juntas duas criaturas, ou dois grupos de criaturas, unindo-as, intimamente, em simbiose que pode ser de natureza superior ou deprimente.

Emmanuel, cujos ensinamentos se afeiçoam, singularmente, à índole da Doutrina Espírita, tornando-se esse elevado instrutor, por isso mesmo, depositário não só do nosso carinho, mas, igualmente, do nosso integral respeito – Emmanuel, ao dizer, em judiciosa mensagem, que os pensamentos “são elementos dinâmicos de indução”, amplia-nos a responsabilidade, no que toca ao simples “ato de pensar”.

Responsabilidade que nos impõe uma conduta evangélica na emissão de pensamentos.

Responsabilidade que nos impõe não só o controle e a disciplina da atividade mental, mas, também, a criteriosa seleção dos pensamentos.

O nosso pensamento, expressando idealismo nobre ou desejo de rotina, pode levar tranquilidade ou inquietação aos que partilham, conosco, a experiência evolutiva.

O bom pensamento – pensamento de amor e solidariedade, de elevação e pureza – influencia não só do ponto de vista psíquico, como do físico.

O mau pensamento – pensamento de ódio e rancor, de inveja e despeito – produz as mais desagradáveis impressões, em consequência de cargas magnéticas que o destinatário recolhe, sente, mas, via de regra, desconhece a procedência.

A mente que vibra maldosamente desfere petardos maléficos, forças deletérias, fenômeno que a grande maioria da humanidade ignora.

Desta maneira, para que nos seja possível exercer influência, benéfica ou maléfica, sobre os nossos semelhantes, não há necessidade, precípua, de estarmos fisicamente aproximados, nem, tampouco, de assestarmos, contra eles, instrumentos materiais de destruição e morte.

Recolhamos, pois, das claras fontes do Evangelho do Senhor, a cristalina água da fraternidade, pura e desinteressada, para que nos seja possível:

saciar os famintos,

dessedentar os sequiosos,

reconfortar os tristes,

– erguer os que tombaram nos desfiladeiros do sofrimento, enviando a todos os caravaneiros da redenção com Jesus, mesmo a distância, nas luminosas asas do pensamento reto, os suprimentos da alegria.

Os fertilizantes do bem.

O adubo do amor cristão.

A suave melodia do otimismo e da esperança.

A nossa presença, mesmo através do pensamento, junto aos que palmilham, conosco, os roteiros aprimoratórios, deve ser uma presença sadia e alegre, edificante e fraterna.

Isso depende, essencialmente, de cada um de nós. O meio é a seleção, criteriosa, dos nossos pensamentos. O coadjuvante, valioso e indispensável, é a nossa boa-vontade.

A boa-vontade que persevera até o fim.

Martins Peralva

Livro: O Pensamento de Emmanuel – 2

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