Silêncio e perdão

Silêncio e perdão

Rogério Coelho

Caridade é fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós.

“Quando alguém admoestá-lo, mesmo injustamente, silencie e desculpe, pois, a vida se encarregará de colocar os pretensiosos em seus devidos lugares.” – Marco Prisco

No capítulo seis, versículo trinta e um, Lucas registrou a sublime orientação de Jesus: “tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem”.

Leciona o Mestre Lionês (1): “(…) a origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da Caridade”.

Jesus, comparando o Reino dos Céus a um rei que quis tomar contas aos seus servidores, fala-nos de um servo que devia dez mil talentos ao rei que, sensibilizado pela difícil, humilhante e constrangedora situação do infeliz, perdoou-o… Em seguida, o alforriado mandou prender a um companheiro seu que lhe devia apenas cem dinheiros.

Sua conduta egoísta e reprochável irritou o rei que o havia indultado. Revogou, então a ordem anterior e entregou o servo impiedoso aos verdugos, para que o tivessem, até que ele pagasse tudo o que devia.

Finaliza Jesus (2): “(…) é assim que meu Pai, que está no Céu, vos tratará se não perdoardes do fundo do coração as faltas que vossos irmãos houverem cometido contra cada um de vós”.

Resumindo toda a essência desses pensamentos de Jesus, de Marco Prisco e o seu próprio, Allan Kardec expõe em abençoada e significativa peroração (3): “(…) amar o próximo como a si mesmo! Fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós, é a expressão mais completa da Caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo. Não podemos encontrar guia mais seguro, a tal respeito, que tomar para padrão, do que devemos fazer aos outros, aquilo que para nós desejamos. Com que direito exigiríamos dos nossos semelhantes melhor proceder, mais indulgência, mais benevolência e devotamento para conosco, do que temos para com eles? A prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo. Quando as adotarem para regra de conduta e para base de suas Instituições, os homens compreenderão a verdadeira fraternidade e farão que entre eles reinem a paz e a justiça. Não mais haverá ódios, nem dissenções, mas, tão somente união, concórdia e benevolência mútua”.

Aprendendo a silenciar na hora certa e a perdoar em todos os momentos, balizaremos nossas veredas com o amor que enaltece e edifica, com a serenidade que fomenta a paz e a harmonia, e com a incondicional e irrestrita confiança propiciadora da fé raciocinada, ingredientes indispensáveis no trato com os outros.

Rogério Coelho

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

Referências:

(1) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003, cap. XVI, item 8.

(2) Mateus, 18:23 a 35.

(3) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003, cap. XI, item 4.

Esta entrada foi publicada em Artigos, Família, Sociedade. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.