Como passa o Tempo no Plano Espiritual?

Como passa o Tempo no Plano Espiritual?

Kelen Trindade

Refletir sobre o tema tempo no plano espiritual é tentar entender este tempo com base no tempo que vivemos no plano material. Pois o tempo é diferente em cada plano, não passa da mesma forma. Temos o tempo material, o tempo espiritual e o tempo da eternidade. O tempo é de Deus, e nele esta todo o Universo e tudo o que existe na forma material e espiritual. E, acima de tudo, está Deus, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

A humanidade está sempre preocupada com o tempo material, com o que comer, o que fazer amanhã, mas na verdade esquece que é necessário preocupar-se com a evolução espiritual e a vida eterna ligada à divindade.

Mas o que significa a palavra tempo em nosso dicionário terreno? Esta é uma pergunta a se fazer. Será que o tempo espiritual passa da mesma forma? Estas respostas teremos no decorrer de nossa leitura.

No dicionário, encontramos o seguinte esclarecimento: Tempo é a duração dos fatos, é o que determina os momentos, os períodos, as épocas, as horas, os dias, as semanas, os séculos, etc. A palavra “tempo” pode ter vários significados diferentes, dependendo do contexto em que é empregada. A expressão “a tempo” significa que o fato está acontecendo no momento oportuno, na ocasião certa.

Em um dicionário, o tempo significa a sucessão de séculos, anos, dias, horas, minutos e segundos, que envolve a noção de presente, passado e futuro, ou um meio contínuo no qual os acontecimentos parecem suceder-se em momentos irreversíveis.

Muitas das nossas descobertas da ciência temos que quantificar, como o caso da rotação e translação da Terra que determina os dias, meses e anos. No calendário gregoriano, um ano equivale a, aproximadamente, 365 dias, quando a Terra dá uma volta ao redor do sol.

No mundo cristão, há uma contagem do tempo relacionada à tradição religiosa, que é uma referência ao nascimento de Jesus Cristo. Porém, há outras culturas que realizam esta contagem de forma diferente, que é o caso do Islã, que contam o tempo a partir da fuga de Maomé para a Medina. E a criação do mundo também é um fato que faz parte da contagem do tempo para o povo judeu. Uma outra forma de contar o tempo na Terra é antes e depois de Cristo.

Allan Kardec afirma, no Capítulo VI do Livro A Gênese, “O espaço e o Tempo”, que o tempo é uma sucessão das coisas ligadas a eternidade, e as coisas estão ligadas ao infinito, tempo este relacionado à eternidade e ao espaço infinito. Ele nos leva a raciocinar sobre a origem do planeta, e que não tinha como afirmar que a Terra se movimentava. Após a movimentação do pêndulo, deu-se início às tardes e manhãs. Daí a humanidade iniciou a contagem de anos e séculos.

Kardec nos faz refletir e nos esclarece que há muitas moradas na casa de Nosso Pai, existindo vários mundos e uma diversidade de tempo, e que diante da eternidade não há limites. No plano espiritual o tempo corre diferente do tempo terreno. Tudo está relacionado à nossa forma de pensar e de lidar com os acontecimentos, pois nossa mente nos liberta ou nos aprisiona, havendo, assim, uma dupla noção de tempo.

Medindo o tempo e colecionando milhas com cálculos terrenos, não conseguimos mensurar o tempo e o espaço de uma eternidade. E nosso conceito seria apenas um ponto na imensidão. Ele ainda nos leva a conjeturar sobre este tempo que está além desta vida na Terra, a vida etérea da alma, pois temos séculos e séculos de vida, e somos imagem e semelhança ao Nosso Deus, somos Espíritos eternos. Concluiu Kardec que o tempo em nossa visão humana é uma medida relativa, não havendo começo e nem fim, vivemos em um eterno presente. Uma construção ativa é de uma necessidade de nos tornamos seres melhores hoje.

Pode-se concluir que o tempo material é diferente do tempo espiritual diante da eternidade, não tendo começo nem fim, considerando a imortalidade do Espírito. O único início à nossa criação por Nosso Pai. Sendo nossa vida eterna.

Na questão 42 de O Livro dos Espíritos, Kardec afirma que nada pode assegurar sobre a duração do tempo da formação do mundo, porque só o criador o sabe e bem louco seria quem pretenda sabê-lo, ou conhecer em números, quanto durou a formação da Terra.

Na questão 240, de O Livro dos Espíritos, Kardec nos esclarece que, quando Espíritos, não há uma visão de datas e épocas como vemos quanto habitantes da Terra. Os Espíritos vivem fora de nosso tempo como o compreendemos. O tempo no mundo espiritual é diferente do tempo terreno, e no mundo espiritual ele para de existir. Os séculos na Terra são tão longos aos nossos olhos, mas no mundo espiritual não se conta para quem se vive de eternidade.

Com base nestes esclarecimentos, constatamos que o tempo no mundo espiritual é outro. A duração do tempo pouco importa para uma vida na eternidade. Não podemos mensurar o tempo nos diferentes mundos. É relativo o tempo para cada mundo e evolução do Espírito.

Deus é eterno, está presente em todos os lugares do universo e não se sujeita a um efêmero tempo como o vivido na Terra. O mundo espiritual é a eternidade divina. Nossa compreensão de tempo está presa às coisas materiais. Mas devemos nos esclarecer e compreender que o tempo espiritual está ligado a um tempo da eternidade. E devemos caminhar rumo à perfeição enquanto ser espiritual. Na Terra estamos passando apenas uma vida enquanto tivermos fluido vital animando o corpo físico material, pois o Espírito é eterno.

Devemos utilizar cada momento para a nossa evolução espiritual, e à medida que evoluímos espiritualmente, teremos uma melhor compreensão deste grandioso Universo. Somos Espíritos encarnados na Terra, mas somos Espíritos eternos no mundo espiritual.

Kelen Trindade

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

KARDEC, Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

O Livro dos Espíritos: princípios da Doutrina Espírita. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

 

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