Em louvor à liberdade

Em louvor à liberdade

– Vianna de Carvalho

EM LOUVOR À LIBERDADE

O natural processo de evolução do Espírito culminará quando, dominando as latentes faculdades de que se encontre investido, logre liberar-se dos atavismos da larga jornada dos renascimentos carnais ao longo dos milênios.

Corpúsculo de luz que mergulhou na névoa material para esplender como uma estrela de primeira grandeza, possui as incomparáveis qualidades divinas que desenvolverá no curso dos renascimentos na atmosfera terrestre.

Essa liberdade de pensar e de agir tem sido a ânsia de conquista do ser humano através dos tempos.

Imaturo e sem a capacidade de saber usá-la, criou o pensamento filosófico para poder melhor expressar-se, não conseguindo o tentame em razão do primarismo que ainda lhe é peculiar.

A busca da liberdade tem sido o impulso vigoroso presente nas escolas de pensamento, sempre comprometidas com as necessidades e limites dos seus criadores.

Em seu nome, indagou a célebre Madame Roland, na Revolução Francesa, antes de ser guilhotinada, Liberdade! Liberdade! Quantos crimes se praticam em teu nome?

O direito de vivenciar a liberdade deflui do reto cumprimento dos deveres que organiza o grupo social.

Enquanto predomina no indivíduo o jugo das energias materiais o seu anseio de liberdade não passa de uma transferência de conflito pessoal por anelar favores a que não faz jus.

Essa conquista resultará da perfeita consciência de discernimento dos valores que organiza a sociedade sob a inevitável ética de respeito e consideração aos direitos dos outros.

Durante a experiência da reencarnação a liberdade encontra-se sujeita aos limites do organismo na sua multiface, assim como na constituição legal e moral vigente.

Ninguém que propugne pela liberdade poderá impô-la, pois que ao fazê-lo violenta o direito do outro, tanto de pensar como de agir consoante o seu estágio de desenvolvimento moral.

A liberdade, portanto, é um conceito muito pessoal, sujeita ao espaço cultural em que se transita.

Quando se impõe, estabelecendo comportamentos esdrúxulos, faz-se libertinagem com grandes riscos de consumpção dos valores éticos vigentes.

Certamente, os propugnadores da liberdade dos cidadãos geram conflitos entre os conceitos anteriores e os porvindouros, que provocam receios, especialmente aqueles que se apresentam dominadores.

Quase sempre esses opositores do progresso da liberdade de qualquer opressão ou submissão, são ainda poderosos pela força bruta que os domina e na qual se comprazem.

Na História da Civilização ergueram-se impérios fantásticos sobre as ruínas de povos que foram vencidos, por sua vez, esmagados por títeres ainda mais perversos, que igualmente sucumbiram ao horror de outras armas mais destrutivas.

Na Antiguidade, homens e mulheres violentos levantaram-se contra as circunstâncias brutais que viviam e fizeram-se conquistadores que se apoiaram na perversidade para temidos e vingativos atingirem as suas metas sanguinárias.

Amaram filósofos temerários e se glorificaram por algum tempo, sendo derrubados por outros não menos odientos.

Desde Ciro, o Grande, pai de Cambises II, que construiu o império mais glorioso da História, a Alexandre Magno, da Macedônia, a Júlio César, a Cipião, o Africano, a Aníbal, o Cartaginês, para citar apenas poucos déspotas e guerreiros que passaram como edificadores, porém, sobre cadáveres e amontoados de lixo. A quase invencível Cartago foi arruinada e não ficou pedra sobre pedra, que não haja sido derrubada…

As poderosas culturas e cidades aparentemente invencíveis dormem hoje sob aos areais escaldantes dos desertos ou sob as águas submarinas, ou colunas e pedras abandonadas que parecem fantasmas corroídas pelos ventos calcinantes.

Veio, então, Jesus, para pacificar o mundo com a Sua mensagem de Amor e padeceu a ignorância dominante, sendo os seus fiéis discípulos, à Sua Semelhança, dizimados de forma inumana, compatível com os déspotas de então.

Logo após, a partir de 410 com a destruição de Roma por Alarico, os bárbaros com Átila, o terror de Deus, o próprio Alarico, Genghis Khan, que construiu o terrível império e outros não menos perversos, também foram devorados pelo tempo inclemente.

Sucederam-se os períodos de trevas por quase mil anos e o ser humano sempre sonhando com a liberdade, vem-se alçando no rumo do infinito e sofrendo o guante dos poderosos de um dia.

As guerras inclementes não cessaram, tornando-se mais cruéis e destrutivas, mas, apesar de todas as terríveis dores, o ser humano permanece na sua luta pela conquista da liberdade.

Com a Revelação do Espiritismo, compreende que a legítima liberdade é a do amor que permanece e sobrevive a todas as funestas e incessantes batalhas do mal e da desgraça coletiva, culminando na imortalidade em triunfo após todas as injunções enganosas, Todos somos livres para pensar e, à vezes, agir, conforme os regimes políticos, mas sempre nossas ações impõem-nos a liberdade de cultivar o bem, de evocar o Mártir da Cruz, que aparentemente foi vencido, porém retornou em glória soberana, exultante na ressurreição em liberdade absoluta.

O Seu exemplo é a lição mais grandiosa da luta pela independência do amor para vencer as misérias resistentes, representativas dos períodos primários do mecanismo da evolução.

A liberdade reside, portanto, na consciência do amor sob todos os aspectos considerados, em conclamação permanente pelo trabalho de dignificação da vida em toda a sua plenitude.

Vianna de Carvalho

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 16 de outubro de 2019, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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