Famílias Tóxicas e o Espiritismo

Famílias Tóxicas e o Espiritismo

Juliana Procópio

O termo família, no dicionário online, define o grupo de pessoas que vivem sob o mesmo teto ou o grupo de pessoas com ancestralidade comum. Nessa concepção estão inclusos os pais, irmãos, tios e parentes mais próximos.

“Os familiares são os primeiros relacionamentos e experiências, e nosso lar o primeiro ambiente de convivência humana. No lar as experiências humanas são mais complexas. O organograma da família atual é composto por vários tipos e ramificações. O amor ao próximo deve ser exercitado dentro de lar, onde são desenvolvidos valores elevados de sentimento e da razão”.

É na família geralmente que está a nossa fortaleza e educação moral, como também as nossas maiores provas e resgates.

“Os Espíritos que se encarnam numa mesma família, sobretudo como parentes próximos, são frequentemente Espíritos simpáticos, ligados por relações anteriores, que se traduzem pela afeição durante a vida terrena. Mas pode ainda acontecer que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns para os outros, separados por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem também por seu antagonismo na Terra, a fim de lhes servir de prova”. L.E.

Nunca foi tão necessário sentir-se acolhido no seio familiar como se faz no presente, no entanto para muitos o convívio com as pessoas que a constitui é algo difícil.

É na família que geralmente estão as nossas maiores provas. Todos temos um planejamento reencarnatório e, muitas das vezes, repleto de resgates de dívidas pretéritas ou de crescimento em conjunto.

No entanto, por vermos a instituição “Família” como algo sagrado, muitas vezes justificamos determinados comportamentos como excesso de zelo e preocupação aliados ao amor. Mas assim como nos relacionamentos amorosos e nas amizades, encontramos formas tóxicas no seio familiar relacionadas ao tratamento de um ou mais indivíduos.

“O termo ‘família tóxica’ designa um grupo familiar que traz angústia e sofrimento emocionais por causa do comportamento que alimentam. Acontece que muitas pessoas não sabem identificar de forma adequada esses indivíduos, pois, para isso, é necessário mergulhar na dor que eles causam”.

E quantos já não sentiram que não pertenciam a determinada família? Que não se parece com seus membros? Que pensa e age diferente de todos? Se sente deslocado?

Segundo a espiritualidade em alguns casos somos unidos não por sentimentos afins, mas pelas dívidas e resgates que temos juntos e mesmo no processo reencarnatório com o véu do esquecimento, alguns sentimentos e lembranças estão enraizadas em nosso perispírito e se manifestam em sentimentos que não podemos explicar. Reencarnamos para sanar essas dívidas preteridas, mas isso não justifica aceitar maus tratos e comentários depreciativos que minam a autoestima de uma pessoa e nada tem a agregar em nossa evolução.

Segundo uma pesquisa os relacionamentos familiares tóxicos podem gerar vários problemas, tais com:

  • estresse;
  • ansiedade;
  • depressão;
  • pouca autoestima;
  • dependência emotiva;
  • transtorno de personalidade;
  • sensação de inferioridade;
  • incapacidade de lidar com conflitos.

Geralmente são decorrência de comportamentos familiares onde há troca de papéis (entre pais e filhos), falta de diálogo, brigas constantes, violência psicológica ou física, distanciamento emocional, comparação excessiva entre os membros, atitudes e tratamento diferentes entre os pares, entre outros que intensificam esses problemas.

Alguns desses comportamentos e atitudes podem gerar emoções conflituosas, sensação de abandono e de não pertencimento. Quem por exemplo, não tem aquela amizade que é mais família do que a sanguínea? Que se entende pelo olhar? Essa é a nossa família espiritual, geralmente ligados por séculos.

O que temos que ter claro em nós é que estamos todos aqui para evoluir e nos melhorar moralmente. Uns estão apenas alguns passos à frente em sua evolução e isso não significa que somos melhores, mas que devemos usar esse entendimento para buscar paciência e formas de seguir.

No entanto, nenhuma relação, seja ela familiar, de amizade ou amorosa deve se manter quando uma das partes está sendo violada mental, físico ou psicologicamente. Devemos ter muito claro dentro de nós esse comportamento, que muitas vezes são “mascarados” de amor e cuidado.

É preciso ter em mente que Deus não quer o nosso sofrimento. Tudo o que vivenciamos está relacionado ao nosso livre arbítrio e as escolhas boas ou equivocadas que tivemos ao longo de nossas várias reencarnações. Portanto, conviver em um ambiente violento não é vontade de Deus para seus filhos.

Afastar-se não é desamor, mas uma forma de buscar mantê-lo e seguir em frente. Busquemos o equilíbrio em nossos relacionamentos e se for preciso e possível afastar-se, será uma solução viável para se evitar a aquisição de novas dívidas.

Que Deus ilumine seu caminho.

Paz e bem!

Juliana Procópio

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIA

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