PROGRESSO – Joanna de Ângelis

PROGRESSO – Joanna de Ângelis

CONCEITO

Desdobramento de possibilidades valiosas, o progresso é agente do engrandecimento que tudo e todos experimentam, sob o impositivo das leis sábias da evolução, de que nada ou ser algum se poderá eximir.

Presente em todo lugar, impõe-se a pouco e pouco pela força de que se reveste, terminando por comandar com eficiência o carro da vida.

Inutilmente a agressividade de muitos homens tenta detê-Io; vãs as insistentes maquinações dos espíritos astutos, pensando obstaculizá-lo; inoperantes os recursos da prepotência, supondo impedi-lo…

O progresso pode ser comparado ao amanhecer. Mesmo demorando aparentemente culmina por lograr êxito.

A ignorância, travestida pela força e iludida pela falsa cultura, não poucas vezes se há levantado, objetivando criar embaraços ao desenvolvimento dos homens e dos povos, gerando, por fim, lamentáveis constrições para os seus apaniguados, sem que conseguisse, todavia, nas lutas travadas, alcançar as cumeadas dos desejos ignóbeis.

Inevitavelmente ele chega, altera a face e a constituição do que encontra pela frente e desdobra recursos, fomentando a beleza, a tranquilidade, o conforto, a dita.

CONSIDERAÇÕES

Criando sempre e incessantemente, o Pai determina a evolução pela esteira dos evos intermináveis. Transformando-se e progredindo, o impulso criador, em se manifestando, evolute infinitamente na rota em que busca a relativa perfeição que lhe está destinada.

Pensamento que consubstancia forma, psiquismo que avança, invólucro que se aprimora, adquirindo preciosos recursos e inestimáveis conquistas que somam abençoados tesouros no incessante curso da indestrutibilidade…

Em todos os tempos a prosápia humana, decorrente do impositivo inferior, que procede do mecanismo primário donde o homem inicia a marcha, tem criado óbices ao progresso.

Assim, em vez de utilizar as conquistas que logra, fomentando ações edificantes, a criatura iludida com a transitoriedade da organização física se levanta impondo ideias infelizes, exigindo subalternidade, em detrimento a quanto vê, observa e experimenta na própria vida.

Dos excrementos o homem retira essências puras, de delicado odor, como a planta, do húmus, do adubo haure incomparáveis belezas e inimitáveis fragrâncias…

Desse modo, são de ontem os quadros lamentáveis, em que os inimigos do progresso dominavam, soberanos, supondo impedirem a fixação e a proeza da magnitude do desenvolvimento.

São destes dias as utopias, as ilusões dos vencedores que não se conseguiram vencer, sustentando a força opressiva com que vitalizam as sombras que os mantêm equivocados, ora usurpados pela desencarnação e esquecidos, enquanto o carro do progresso prossegue inalterável.

Examinando a palpitante atualidade do progresso que irrompe de todos os lados, são inequívocas quão inadiáveis as necessidades do adiantamento moral-espiritual do homem, do que decorre o avanço material, seja na Administração, na Cultura, na Política, na Arte, na Ciência, a fim de que se não entorpeçam os valores éticos, ante a inteligência deslumbrada em face das conquistas do conhecimento, que, sem as estruturas íntimas da dignificação que comanda os sentimentos e destroça os desatinos, tudo transformaria em caos.

Buscando equacionar o mecanismo do Universo, quando jovem, Albert Einstein emprestou ao Cosmo as condições e requisitos intrínsecos necessários à sua própria explicação, adotando a cómoda elucidação do materialismo mecanicista. Amadurecido e experiente, mais tarde clarificado pela excelência do progresso moral, reformulou a teoria, resolvendo-se pela legitimidade de um “Poder Pensante” existente e precedente e um “Poder Atuante”… Somente o progresso moral responde pelas verdadeiras conquistas humanas, no plano da evolução.

Em face de tais considerações a realidade dos postulados imortalistas, fundamentados na tónica espiritual legítima do após a desarticulação celular, é a única diretriz que pode comandar com eficiência a máquina das modernas conquistas do pensamento tecnológico, de modo a facultar o progresso da Terra e do homem, por meios eficazes, verdadeiros, sem a constrição aberrante dos crimes, engodos, erros, ultrajes e agressões – velhos arrimos em que se sustenta a animalidade! – muito a gosto dos violentos construtores do passado, que se deixaram asfixiar pelos tóxicos do primarismo e da alucinação.

Ante os clarões da Imortalidade o homem contempla o futuro eterno, sem deter-se nas balizas próximas do fascínio mentiroso. Faz-se construtor para a Eternidade e não para o agora célere que se decompõe em campo de experiências próximas. Não tem pressa, porque sabe que tudo quanto não conseguir hoje, realizá-lo-á amanhã.

Ante a desencarnação – que era fantasma cruel anteriormente – adquire confiança na vida que prossegue, e depois do túmulo acompanha o esforço dos continuadores do trabalho que deixou, esforçando-se para retornar e prosseguir afervorado no labor da edificação da ventura geral.

CONCLUSÃO

À hora própria, conforme anunciado, fulguram as lições espiritistas, exatamente quando há recursos capazes de avaliarem a extensão filosófica e moral da Doutrina do Cristo na face em que Ele a ensinou e a viveu.

Reservando aos laboratórios próprios o estudo da transcendência do espírito e da vida, na atual conjuntura do progresso entre os homens, a religião espiritista penetra os espíritos, auxilia-os no progresso necessário e impele-os à glória do amor com que passam a sentir todos e tudo, rumando jubilosamente para Deus.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco

Livro: Estudos Espíritas – 9

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