POLÍTICA NO CENTRO ESPÍRITA

POLÍTICA NO CENTRO ESPÍRITA

Fernando Rosemberg Patrocínio

Seria possível verificar-se nos Centros Espíritas vários, seja do nosso País ou do Mundo, alguma forma de estudo e de discussão sobre Política, de seus estudos e discussões, desde Aristóteles, e sua filosofia moral, aos tempos modernos do famoso “jeitinho”, do “toma lá, dá cá”, da corrupção dos tempos presentes, seja de nossa república mesma, ou, na planetária e, pois, mundial?

E respondemos que: Não!

Não é esse o objetivo, nem a prática do Espiritismo nos Centros Espíritas Cristãos que buscam, sobretudo, repartir suas bênçãos e suas luzes para todos, encarnados e desencarnados, aliviando sua Alma sofrida pelas graças sublimes do Mestre Soberano, de Sua Bênção, Sua Generosa Luz.

Todavia, o estudo do Espiritismo é fundamental, desde Kardec a André Luiz, passando, evidentemente, pelos maiores e mais reluzentes sábios do Espiritismo, sendo, por aqui, desnecessário citá-los em face de suas obras universais, sejam elas científicas, filosóficas ou morais.

Mas, de retorno às discussões políticas em Centros Espíritas, não vamos, de nós mesmos, exarar nossas opiniões, pois Allan Kardec, André Luiz e Emmanuel, por exemplo, já o fizeram, e, pois, cabe-nos apenas e tão só repeti-los como lembrança de seus recatados conselhos e advertências aos que ainda se arriscam à equivocada tarefa de se discutir Política nas Casas Consoladoras do Espiritismo, quando tudo, aliás, ainda se tem por fazer no sentido Consolador e Caritativo de suas atribuições.

Para Kardec, por exemplo, temos:

“[…] Devo ainda vos chamar a atenção para outra tática de nossos adversários: a de procurar comprometer os espíritas, induzindo-os a se afastarem do verdadeiro objetivo da Doutrina, que é o da Moral, para abordarem questões que não são de sua competência e que poderiam, com toda razão, despertar suscetibilidades e desconfianças.

“Também não vos deixeis cair nessa armadilha; afastai cuidadosamente de vossas reuniões tudo quanto disser respeito à POLÍTICA e às questões irritantes; nesse caso, as discussões não levarão a nada e apenas suscitarão embaraços, enquanto ninguém questionará a MORAL, quando ela for boa. Procurai, no Espiritismo, aquilo que vos pode melhorar; eis o essencial. Quando os homens forem melhores, as reformas sociais verdadeiramente úteis serão uma consequência natural”. (Vide: “Revista Espírita” – Fevereiro/1862–AK.)

E, para Emmanuel, um dos mais confiáveis Espíritos dos presentes tempos:

“Eu, porém, dentre vós: Sou como aquele que serve” – Jesus (Lucas: 22:27).

“O discípulo sincero do Evangelho não necessita respirar o clima da Política administrativa do Mundo para cumprir o ministério que lhe é cometido.

“O Governador da Terra, entre nós, para atender aos objetivos da Política do Amor, representou antes de tudo, os interesses de Deus junto do coração humano, sem necessidade de portarias e decretos, respeitáveis embora”.

“Administrou servindo, elevou os demais, humilhando a Si mesmo. Não vestiu o traje de sacerdote, nem a toga do magistrado.

“Amou profundamente os semelhantes e, nessa tarefa sublime, testemunhou a sua grandeza celestial.

“Que seria das organizações cristãs, se o apostolado que lhes diz respeito estivesse subordinado a reis e ministros, câmaras e parlamentos transitórios?

“Se desejas penetrar, efetivamente, o templo da verdade e da fé viva, da paz e do amor, com Jesus, não olvides as plataformas do Evangelho Redentor.

“Ama a Deus sobre todas as coisas, com todo o teu coração e entendimento”.

“Ama o próximo como a ti mesmo.

“Cessa o egoísmo da animalidade primitiva.

“Faze o bem aos que te fazem mal.

“Abençoa os que te perseguem e caluniam.

“Ore pela paz dos que te ferem.

“Bendize os que te contrariam o coração inclinado ao passado inferior.

“Reparte as alegrias de teu Espírito e os dons de tua vida com os menos afortunados e mais pobres do caminho.

“Dissipa as trevas, fazendo brilhar a tua luz.

“Revela o Amor que acalma as tempestades do ódio.

“Mantém viva a chama da esperança, onde sopra o fio do desalento.

“Levanta os caídos.

“Seja a muleta benfeitora dos que se arrastam sob aleijões morais”.

“Combate a ignorância, acendendo lâmpada de auxílio fraterno, sem golpes de crítica e sem gritos de condenação.

“Ama, compreende e perdoa sempre.

“Dependerás acaso, de decretos humanos para meter mãos à obra?

“Lembra-te meu amigo, de que os administradores do Mundo são, na maioria das vezes, veneráveis prepostos da Sabedoria imortal, amparando os potenciais econômicos, passageiros e perecíveis, todavia, não te esqueças das recomendações traçadas no Código da Vida Eterna, na execução das quais devemos edificar o Reino Divino, dentro de nós mesmos.” (“Vinha de Luz” – FEB.)

E, para finalizar, não nos esqueçamos de algumas palavras de André Luiz quando sabiamente ministra:

“Impedir palestras e discussões de Ordem Política nas sedes das instituições doutrinárias, não olvidando que o ‘Serviço de Evangelização’ é tarefa essencial.

“A rigor, não há representantes oficiais do Espiritismo em setor algum da Política humana.

“Nenhum servo pode servir a dois senhores.” (Jesus – Lucas, 16:13.) (Vide: “Conduta Espírita” – FEB.)

Será preciso dizer mais ainda?

Fernando Rosemberg Patrocínio

Fonte: Espiritismo na Rede

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