TER MEDO É BOM OU RUIM?

TER MEDO É BOM OU RUIM?

Eduardo Battel

Todos nós sentimos medo em algum grau e isso é bom ou ruim? Sentir medo é normal pois ele está relacionado ao nosso instinto de conservação, sobrevivência e perpetuação da espécie. Conforme nos mostra Allan Kardec na questão 702 de O Livro dos Espíritos: “O instinto de conservação é uma Lei da Natureza? Resposta: Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, seja qual for o grau de sua inteligência. Nuns, é puramente mecânico; noutros, é racional”.

Se fôssemos totalmente destemidos, estaríamos fadados à extinção. Emmanuel nos orienta: “Embora devas caminhar sem medo, não te cases à imprudência, a pretexto de cultivar o desassombro”. Caso não tenhamos temor de nada, crendo que tudo está premeditado, estaremos sujeitos a passar por situações ruins e até a abreviar a nossa encarnação e tudo o que fazemos, consciente ou inconscientemente, que antecipa o nosso retorno à Pátria Espiritual, é considerado um suicídio. Nós temos a obrigação de preservar a nossa existência na matéria e de cuidar do nosso corpo, pois eles são uma dádiva oferecida pelo Criador para que possamos evoluir.

Por outro lado, o medo em excesso também é prejudicial. Quando temos muito temor, com aquela sensação de angústia, geramos uma energia de baixo padrão vibratório. Nós ficamos imersos nessa energia que provém de nossos sentimentos e pensamentos e se ela for deletéria, irá prejudicar todo o nosso ser. Ela age em todos os trilhões de células do nosso corpo físico, alterando o seu funcionamento, nos causando malefícios e doenças. Poderemos ficar, dessa forma, mais suscetíveis a termos vários problemas de ordem física e espiritual.

O que temos que fazer então? A resposta é o equilíbrio. Não devemos ter falta nem tampouco excesso de medo. Para termos esse equilíbrio, devemos ficar atentos a fatores internos e externos que possam causar a desarmonia em nossas vidas. Conforme nos ensina Chico Xavier: “Nossa vida é um dom precioso que Deus nos deu e funciona como um jardim, onde podemos semear as flores da alegria ou as pragas do medo, da raiva e da depressão. O que você anda plantando no seu jardim?”

Sentimos medo de muitas coisas, alguns em especial sentem muito medo da morte. A Doutrina Espírita nos orienta muito bem em relação a isso, nos ensinando que a vida continua após o desencarne e que retornamos ao Mundo Espiritual, que é onde estávamos antes de encarnar, sendo lá a nossa verdadeira vida. Allan Kardec nos orienta na questão 941 de O Livro dos Espíritos: “Para muitas pessoas, o temor da morte é uma causa de perplexidade. De onde lhes vêm esse temor, já que têm diante de si o futuro? Resposta: Não há fundamento para semelhante temor… A morte não inspira ao justo nenhum temor, porque, com fé, ele tem a certeza do futuro; a esperança o faz esperar por uma vida melhor; e a caridade, a cuja lei obedece, lhe dá a segurança de que não encontrará, no mundo para onde terá de ir, nenhum ser cujo olhar lhe deva temer”.

Não devemos temer a morte, tendo em mente que ninguém desencarna antes da hora, a não ser que, consciente ou inconscientemente, se esforce para isso. Temos que nos preocupar sim em sermos corretos, fazermos o bem, praticando o amor tão ensinado por Jesus. André Luiz nos fala através de Chico Xavier: “As virtudes são o passaporte para uma entrada tranquila no Mundo Espiritual: a compreensão, a humildade, a paciência, a ternura e a caridade”.

Em tempos de pandemia, façamos a nossa parte, seguindo as recomendações das agências de saúde, por enquanto ainda necessárias, como usar máscaras, higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel e praticar o distanciamento social. Mas não devemos ficar demasiadamente temerosos e angustiados com toda essa situação do Covid, pois o medo em excesso pode nos deixar mais suscetíveis a desenvolver uma forma mais grave da doença. Devemos manter o equilíbrio emocional, ficando atentos com a nossa saúde mental além da do corpo material, fazer o que nos cabe e ter fé em Deus, sabendo que tudo o que acontece é para o nosso aprendizado e evolução.

Eduardo Battel

Fonte: Agenda Espírita Brasil

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