O QUE É IMPORTANTE NO ESPIRITISMO

O QUE É IMPORTANTE NO ESPIRITISMO

Mário Frigéri

É importante mantermos o foco em nosso trabalho na seara espírita.

1. É importante vivermos os princípios morais ensinados pelo Espiritismo e as virtudes exemplificadas pelo Cristo, renovando-nos espiritualmente a cada bom ato praticado, a fim de vencermos nossas limitações e avançarmos para um novo tempo de iluminação moral e espiritual.

[…] Que importa crer na existência dos Espíritos, se essa crença não faz que aquele que a tem se torne melhor, mais benigno e indulgente para com os seus semelhantes, mais humilde e paciente na adversidade? De que serve ao avarento ser espírita, se continua avarento; ao orgulhoso, se se conserva cheio de si; ao invejoso, se permanece dominado pela inveja? Assim, poderiam todos os homens acreditar nas manifestações dos Espíritos e a Humanidade ficar estacionária. […] – Allan Kardec (O Livro dos Médiuns, cap. 29, Rivalidades entre as Sociedades, it. 350).

2. É importante assimilarmos o caráter assectário da Doutrina Espírita, transformando-nos em um ponto de entendimento fraterno entre todas as criaturas, certos de que a posse de uma consciência cristalina é superior à ostentação de uma crença religiosa.

[…] O Espiritismo é uma doutrina moral que fortalece os sentimentos religiosos em geral e se aplica a todas as religiões; é de todas, e não pertence a nenhuma em particular. Por isso não aconselha a ninguém que mude de religião. Deixa a cada um a liberdade de adorar Deus à sua maneira e de observar as práticas ditadas pela sua consciência, pois Deus leva mais em conta a intenção que o fato. Ide, pois, cada um, ao templo do vosso culto, e assim provareis que vos caluniam, quando vos acusarem de impiedade. – Allan Kardec (Revista Espírita, Votos de boas-festas, it. Resposta dirigida aos espíritas lioneses por ocasião do Ano-Novo, fev. 1862).

3. É importante abrirmos os braços fraternalmente aos adeptos de todas as religiões, aos indiferentes e até mesmo aos contrários a elas, na certeza de que a Doutrina que adotamos, assim como o Sol, veio para irradiar sua luz sobre todas as criaturas, e não somente para iluminar aqueles que já têm condições de usufruir dos seus benefícios.

[…] Assim, [o Espiritismo] oferece o espetáculo, único na história de uma doutrina que, em alguns anos, implantou-se em todos os pontos do globo e cresce sem cessar; que liga todas as crenças religiosas, ao passo que as outras são exclusivas e permanecem fechadas num círculo circunscrito de adeptos. – Allan Kardec (Revista Espírita, Necrológio, it. Morte do Sr. Bruneau, dez. 1864).

4. É importante agirmos dentro dos princípios da caridade cristã para com todos, sem querer impor nossa opinião a quem quer que seja, porque, aquilo que não for conquistado pelo emprego sereno da razão, muito menos o será pelo da coação.

[…] Aquele que, numa reunião, se afastasse das conveniências, não só provaria uma falta de civilidade e de urbanidade, mas uma falta de caridade; aquele que se melindrasse com a contradição e pretendesse impor a sua pessoa ou as suas ideias, daria prova de orgulho.

Ora, nem um nem outro estariam no caminho do verdadeiro Espiritismo cristão. Aquele que pensa ter uma opinião mais justa fará que os outros a aceitem melhor pela persuasão e pela doçura; o azedume, de sua parte, seria um péssimo negócio. – Allan Kardec (Revista Espírita, Organização do Espiritismo, it. 11, dez. 1861).

5. É importante confiarmos na Doutrina a que nos devotamos e divulgá-la com serenidade, sem antagonizar os que a repelem ou se mostram indiferentes, sabendo que ela prospera sempre e em silêncio, sob o orvalho benfazejo que desce das Esferas Superiores.

[…] O Espiritismo não se impõe: aceita-se; dá as suas razões e não acha mau que as combatam, desde que sejam com armas leais, confiando no bom senso do público para decidir. Se repousar na verdade, triunfará a despeito de tudo; se seus argumentos forem falsos, a violência não os tornará melhores. O Espiritismo não quer ser acreditado sob palavra; quer o livre-exame; sua propaganda se faz dizendo: vede os prós e os contras; julgai o que melhor satisfaz o vosso julgamento, o que responde melhor às vossas esperanças e aspirações, o que mais vos toca o coração, e decidi-vos com conhecimento de causa. – Allan Kardec (Revista Espírita, Variedades, it. Resumo da pastoral do Sr. bispo de Estrasburgo, mar. 1864).

6. É importante nos afastarmos das ideias materialistas e abraçarmos as espíritas e espiritualistas, iluminando a consciência com as luzes da fé alicerçada na razão.

[…] A gente é espírita desde o momento em que se entra nesta ordem de ideias, ainda mesmo quando não se admitissem todos os pontos da Doutrina em sua integridade ou em todas as suas consequências. Por não ser espírita completo não se é menos espírita, o que faz que por vezes se o seja sem saber, algumas vezes sem o querer confessar e que, entre os sectários das diferentes religiões, muitos são espíritas de fato, quando não de nome. – Emile Barrault (Revista Espírita, Nota bibliográfica, jun. 1868).

7. É importante adotarmos uma doutrina como o Espiritismo, que é mais ampla, completa e abrangente que o Espiritualismo, estando ambas nos antípodas dos sistemas materialistas. […] É espiritualista aquele que acredita que em nós nem tudo é matéria, o que de modo algum implica a crença nas manifestações dos Espíritos. Todo espírita é necessariamente espiritualista; mas pode-se ser espiritualista sem se ser espírita; o materialista não é uma nem outra coisa. [….] – Allan Kardec (O Livro dos Médiuns, cap. 32 – Vocabulário espírita, verbete: Espiritualista).

8. É importante não nos deixarmos envolver por ideias novidadeiras ou extravagantes, submetendo tudo ao crivo silencioso da razão e descartando sem alarde o que não se coaduna com os requintados ditames da Doutrina que nos ilumina o coração.

[…] Quando um fato se apresenta não nos contentamos com uma única observação; queremos vê-lo sob todos os ângulos, sob todas as faces e, antes de aceitar uma teoria, imaginamos se ela corresponde a todas as circunstâncias, se nenhum fato desconhecido virá contradizê-la; numa palavra, se resolve todas as questões. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, O músculo estalante, jun. 1859).

9. É importante professarmos e praticarmos o Espiritismo, ensinando o que aprendemos e vivendo o que ensinamos, com a naturalidade do semeador que semeia em silêncio e a dedicação do trabalhador já consciente de sua responsabilidade.

[…] Há uma grande diferença em professar e praticar. Muita gente professa uma doutrina, que não pratica; pois bem, eu praticava e não professava. Assim como cristão é todo homem que segue as leis do Cristo, mesmo sem conhecê-las, assim também podemos ser espíritas, acreditando na imortalidade da alma, nas reencarnações, no progresso incessante, nas provações terrenas – abluções necessárias ao melhoramento. […] Compreendi tudo isso, e, sem professar, continuei a praticar. – Jean Reynaud (O céu e o inferno, cap. 2 – Espíritos felizes, it. Jean Reynaud).

10. É importante que trabalhemos espiritualmente de mãos dadas dentro do Ideal que nos acolhe, harmonizando nossos pensamentos e ações, a fim de que a obra em construção reflita o nível de fraternidade íntima que já conquistamos.

[…] No momento nós nos limitamos a dizer: sem homogeneidade, não há união simpática entre os membros, não há relações afetuosas; sem união, não há estabilidade; sem estabilidade, não há calma; sem calma, não há trabalhos sérios. De onde concluímos que a homogeneidade é o princípio vital de toda sociedade ou reunião espírita. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, Princípio vital das Sociedades Espíritas, jun. 1862).

11. É importante mantermos o foco em nosso trabalho na seara espírita.

[…] Procurai, no Espiritismo, aquilo que vos pode melhorar; eis o essencial. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, Votos de boas-festas, it. Resposta dirigida aos espíritas lioneses por ocasião do Ano-Novo, fev. 1862).

12. É importante desfrutarmos moralmente do tríplice aspecto do Espiritismo – filosófico, científico e religioso -, empregando essa bagagem imensa em prol de nós mesmos, de nossa família, de nossa pátria e de toda a Humanidade.

[…] Porque, segundo o que tenho lido, calculo que é impossível ser espírita sem ser homem de bem e bom cidadão.

Conheço poucas religiões das quais se possa dizer o mesmo. – G.-H. Love (Revista Espírita, Notas bibliográficas, it. O Espiritismo racional, out. 1863).

13. É importante termos consciência da relevância da Terceira Revelação e estudá-la em profundidade, com perseverança, assiduidade e calma, percebendo e valorizando as nuanças de seu avanço em relação ao conhecimento comum.

Em todos os tempos a filosofia é ligada à procura da alma, sua natureza, suas faculdades, sua origem e seu destino. Inúmeras teorias foram feitas a propósito, e a questão sempre ficou na incerteza. Por quê? Aparentemente porque nenhuma encontrou o nó do problema e não o resolveu de maneira bastante satisfatória para convencer a todos. O Espiritismo vem, por sua vez, dar a sua teoria. Apoia-se na Psicologia experimental; estuda a alma, não só durante a vida, mas após a morte; observa-a em estado de isolamento; ele a vê agir em liberdade, enquanto a Filosofia ordinária só a vê em sua união com o corpo, submetida aos entraves da matéria, razão por que muitas vezes confunde a causa com o efeito. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, Vida de Jesus, pelo Sr. Renan, it. À alma pura de minha irmã Henriette, mai. 1864; grifo nosso).

14. É importante submetermos tudo ao crivo da razão, inclusive as previsões proféticas a respeito do futuro da Humanidade, sem desprezar as simbologias que ainda não entendemos, certos de que o Deus de Amor que nos criou provê sempre o melhor para seus filhos, ainda que tenha de disciplinar os mais rebeldes por meio de inúmeros sofrimentos e provações.

Amigos, o fim do mundo está próximo e vos convido vivamente a tomar boa nota desta previsão; ele está tanto mais próximo quanto já se trabalha para o reconstruir. A sábia previdência daquele a quem nada escapa, quer que tudo se construa, antes que tudo seja destruído; e quando o edifício novo for concluído, quando a cumeeira estiver coberta, então é que desabará o antigo; cairá por si mesmo, de sorte que entre o mundo novo e o velho não haverá solução de continuidade. – Jobard (Revista Espírita, O fim do mundo em 1911, abr. 1868; grifo nosso).

15. É importante nos conscientizarmos de que o Espiritismo não é manipulável nem será o que dele fizerem os homens: é ideia que desceu do Alto, com destino pré-traçado e protegida pelos Imortais, em cujo seio somos apenas operários que, por Misericórdia Divina, recebemos a mordomia de laborarmos para alcançar a própria redenção.

[…] Não foram os homens que fizeram do Espiritismo o que ele é, nem que farão o que será mais tarde; são os Espíritos por seus ensinos. Os homens apenas o põem em ação e coordenam os materiais que lhes são fornecidos. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, Partida de um adversário do Espiritismo para o mundo dos Espíritos, out. 1865; grifo nosso).

16. É importante compreendermos que nenhum de nós está livre de suscitar inimigos em decorrência de nossa profissão de fé, mas, se acontecer, que sejam inimigos gratuitos, não gerados por atitudes malsãs de nossa parte, porque se nossos atos se fundarem na doçura da caridade, ainda que colhamos alguns espinhos, eles terão para nós a textura das rosas.

Um dos resultados do Espiritismo bem compreendido – chamamos a atenção para a expressão: bem compreendido – é desenvolver o sentimento de caridade. Mas, como se sabe, a própria caridade tem uma acepção muito ampla, desde a simples esmola até o amor aos inimigos, que é o suprassumo da caridade. Pode-se dizer que ela resume todos os nobres impulsos da alma para com o próximo. O verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, pode ter inimigos – não os teve o Cristo? – mas não é inimigo de ninguém, pois está sempre disposto a perdoar e a pagar o mal com o bem. […] – Allan Kardec (Revista Espírita, Reconciliação pelo Espiritismo, set. 1862).

17. É importante estarmos cientes de que, quando abraçamos uma ideia luminosa como a espírita, acabamos por iluminar-nos, e, nessa condição, devemos nos prover de uma grande dose de equilíbrio interior, para respondermos sempre com espírito de paz aos que vierem a nos confrontar por se encontrarem num diverso nível de entendimento espiritual.

Senhores, pessoalmente eu desfrutaria de um privilégio inconcebível se tivesse ficado ao abrigo da crítica. Não nos pomos em evidência sem nos expormos aos dardos daqueles que não pensam como nós. Mas há duas espécies de crítica: uma que é malévola, acerba, envenenada, onde a inveja se trai em cada palavra; a outra, que visa à sincera pesquisa da verdade, tem características completamente diversas. A primeira não merece senão o desdém; jamais com ela me incomodei. Somente a segunda é discutível. – Allan Kardec (Revista Espírita, Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, jul. 1859).

18. É importante, por fim, nos dedicarmos de forma responsável e leal à obra do bem, sem o desejo oculto de sermos melhor que o próximo, pois a obra do bem pertence acima de tudo ao Cristo, e quem está lealmente a serviço d’Ele, ainda que esteja materialmente no último lugar, estará sempre espiritualmente no primeiro.

De mais a mais, temos um meio infalível para não temer nenhuma rivalidade. É São Luís que no-lo oferece:

[…] Que entre vós haja compreensão e amor – disse-nos ele. Trabalhemos, pois, para nos compreendermos; lutemos com os outros, mas lutemos com caridade e abnegação. Que o amor do próximo esteja inscrito em nossa bandeira e seja a nossa divisa. Com isso afrontaremos a zombaria e a influência dos Espíritos maus. Nesse terreno, tanto melhor que se nos igualem, pois serão irmãos que chegam; depende apenas de nós, no entanto, jamais sermos ultrapassados. – Allan Kardec (Revista Espírita, Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, jul. 1859).

Mário Frigéri

mariofrigeri@uol.com.br

Revista Reformador – Janeiro 2019

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