JOSÉ, PAI DE JESUS

José, pai de Jesus

José, pai adotivo de Jesus - Pregações e Estudos Bíblicos

No dicionário, a palavra sonho tem vários significados. Pode ser uma ilusão ou utopia, como significar uma experiência extraordinária. Designa também um objetivo ou ideal. Por fim, o conjunto de imagens que surgem no psiquismo humano durante o sono. Pela importância vamos comentar o sonho como ideal e como conjunto de imagens.

O sonho como ideal é fundamental para o ser humano, pois dá significado para a vida. Viktor Frankl, famoso médico psiquiatra austríaco de origem judaica, durante a Segunda Guerra Mundial foi preso no campo de concentração de Bergen-Belsen, em 1942. Perdeu esposa, pais e irmão no Holocausto nazista. Lá, porém, constatou que os homens e mulheres que tinham um significado ou ideal na vida conseguiam superar o terror do cárcere. Após a guerra, fundou a escola de Logoterapia, que explora o sentido existencial do indivíduo e a dimensão espiritual da existência.

Podemos citar o exemplo de Martin Luther King Jr., o grande ativista americano da defesa dos direitos civis da década de 60. O seu famoso discurso, intitulado “Eu tenho um sonho”, realizado em frente ao Lincoln Memorial, em Washington, em 1963, foi a alavanca que fez avançar as reformas. A sua lista de sonhos terminava com o desejo de ver seus filhos julgados pelo caráter e não pela cor da pele. Luther King testemunhou com a vida na defesa do seu sonho.

Os sonhos que ocorrem durante o sono sempre foram importantes na antiguidade, onde existiam até templos dedicados a eles, nos quais as criaturas buscavam a saúde como se o sono fosse um canal de contato com a divindade. Posteriormente, com o raciocínio cartesiano e mecanicista, onde só tinha valor o que era comprovado, os sonhos perderam a importância. Somente em 1900, com o livro “Interpretação dos sonhos”, de Sigmund Freud, os sonhos voltariam a ter evidência. Carl Gustav Jung aprofundaria esses estudos.

Alguns sonhos marcaram acontecimentos importantes. Podemos citar, por exemplo, o de Alexandre, O Grande, quando cercava a cidade de Tiro, em 332 a.C.. Fazia sete meses e a cidade resistia bravamente. Alexandre pensou em desistir, quando sonhou com um sátiro dançando no seu escudo. Um sátiro era um ser híbrido, meio homem meio animal, com rabo, pés de cabra, pequenos chifres e baixo. Normalmente portava um instrumento musical. Intrigado, convocou seu consultor espiritual, que interpretou o fato da seguinte maneira: Sátiro, significa “Tiro é sua”, em grego. Alexandre prosseguiu no cerco e conquistou a cidade.

Outro sonho foi o de Constantino na véspera da batalha da Ponte Mílvio, no Rio Tibre, em 312 d.C., quando venceu a Maxêncio pelo poder do Império Romano. A tradição sustenta que, ao anoitecer de 27 de outubro, quando os exércitos se preparavam para a batalha, Constantino teve uma visão quando olhava para o Sol que se punha. As letras gregas X-P (Chi-Rho, as primeiras duas letras de ×ñéóôüò, “Cristo”) entrelaçadas com uma cruz apareceram-lhe enfeitando o Sol, juntamente com a inscrição em latim “In Hoc Signo Vinces” –, cuja tradução é “Sob este signo vencerás”.

Das cinco vezes que a palavra sonho aparece no Novo Testamento, quatro estão relacionadas com José, o pai de Jesus, sempre sendo convencido por um anjo a fazer exatamente o contrário do que estava planejando ou que mandava o senso comum, demonstrando uma confiança ilimitada em Deus.

José foi o protótipo do coadjuvante, entretanto protegeu a família sagrada. Dele não sabemos nada, só o nome de seu pai, graças à genealogia de Jesus. Segundo Mateus, foi um homem justo, que na época significava uma referência de caráter e piedade para a comunidade.

Foi um artesão construtor na pequena Nazaré e deu o exemplo das mãos calosas, do suor no rosto e das lutas cotidianas para Jesus, que certamente o ajudava.

José não nos deixou uma só palavra. Entregou-nos, entretanto o seu silêncio. Esse silêncio não é mutismo de quem não tem nada a dizer, ou absenteísmo de quem, alienado, não se dá conta do que ocorre consigo. Ele falava com as mãos e ferramentas, refletindo sua intensa vida interior. Jesus, durante o seu ministério público, utilizou o silêncio como técnica de ensino.

É certo que se Jesus denominou Deus como Abbá (paizinho, em aramaico) foi porque teve essa experiência com José. Na família patriarcal judaica o pai cuidava, preferencialmente, da educação dos filhos a partir dos cinco anos. Registramos ainda que o espírito Humberto de Campos no notável livro “Boa Nova”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, afirma no capítulo três que Jesus viveu e se desenvolveu junto a José.

Eclipsado pelo Sol que é Jesus, seu filho, e por Maria, a Lua que reflete a luz solar, sua esposa, José, geralmente, só é lembrado quando armamos o presépio de Natal.

José só começou a chamar a atenção dos teólogos e devotos graças à admiração que Teresa d’Ávila, a grande reformadora do Carmelo na Espanha no século XVI, sempre lhe dedicou. Em sua vida testemunha: “Não me recordo de dirigir uma súplica a São José que não tenha sido atendida.”

Parece-nos oportuno encerrar este breve comentário com as observações de Emmanuel, constantes da obra “Levantar e seguir” (ed. GEEM), no capítulo intitulado “José da Galileia”: “Em geral, quando nos referimos aos vultos masculinos que se movimentam na tela gloriosa da missão de Jesus, atendemos para a precariedade dos seus companheiros, fixando, quase sempre, somente os derradeiros quadros de sua passagem no mundo. É preciso, porém, observar que, a par de beneficiários ingratos, de ouvintes indiferentes, de perseguidores cruéis e de discípulos vacilantes, houve um homem integral que atendeu a Jesus, hipotecando-lhe o coração sem mácula e a consciência pura. José da Galileia foi um homem tão profundamente espiritual que seu vulto sublime escapa às análises limitadas de quem não pode prescindir do material humano para um serviço de definições.

[…] Já pensaste no Cristianismo sem ele? Quando se fala excessivamente em falência das criaturas, recordemos que houve tempo em que Maria e o Cristo foram confiados pelas Forças Divinas a um homem. […] Não obstante contemplar a sedução que Jesus exercia sobre os doutores, nunca abandonou a sua carpintaria. […] Sem qualquer situação de evidência, deu a Jesus tudo quanto podia dar. A ele deve o Cristianismo a porta da primeira hora, mas José passou no mundo dentro do divino silêncio de Deus.”

(Boletim SEI, Setembro 2011 – nº 2204)

Fonte: Sociedade Espírita André Luiz

Esta entrada foi publicada em Artigos, Família, Sociedade. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *