EFEITO COLATERAL DO AMOR

EFEITO COLATERAL DO AMOR

Sidney Fernandes

Diante do sofrimento, há pessoas que fazem o bem buscando cura. Como alguém lhes disse que a assistência ao pobre, a contribuição à casa religiosa ou o trabalho voluntário pode lhes trazer alívio, assumem atitude altruística, visando benefícios, por interesse.

Muitas tomam gosto e, mesmo depois de curadas, tornam-se criaturas abnegadas, que sentem que é seu dever amenizar as dores do próximo. Com o passar do tempo, esquecem-se completamente do interesse, do dever, e passam a agir pela satisfação de ver o outro feliz, saudável e equilibrado. Eu diria que começaram a trilhar os primeiros passos do autêntico amor.

Detectei, caro leitor, não propriamente uma outra classe de caridosos, mas uma variação desta terceira, observando uma espécie de efeito colateral nos que, contínua ou esporadicamente, desprendem-se do egocentrismo humano e se tornam protagonistas de gestos inesquecíveis, ainda que de forma espontânea ou não intencional.

***

Roberto sofreu grave acidente de moto que o levou à morte encefálica. Sua irmã, que acompanhava de perto o paciente hospitalizado, autorizou o transplante de seu coração. A notícia deixou preocupada a mãe de Roberto, Izar, pois, com sua simplicidade, tinha dúvidas se o filho ficara bem e se havia aceito bem a decisão da irmã.

Izar foi quatro vezes a Uberaba. Na quarta viagem seu filho comunicou-se e lhe transmitiu o consolo e os esclarecimentos almejados, por intermédio de Chico Xavier. Eis um pequeno trecho de sua comunicação:

— Estou, mãezinha Izar, satisfeito por ter tido oportunidade de doar o coração, que se abeirava da imobilidade, a uma outra pessoa que com isto se beneficiaria. Segundo pode o seu generoso coração concluir, seu filho está feliz por ter encontrado o ensejo de cooperar em auxílio de alguém na hora da liberação que se achava prestes a se consumar.

Aqui temos, amigo leitor, um abençoado efeito colateral de um ato de amor. Roberto deixou bem claro que os reflexos benéficos que havia recebido no plano espiritual foram decorrentes da doação de seu coração.

***

Apeguemo-nos ao bem. No começo, incipientes no trato das coisas de Deus, talvez confundamos nosso comportamento, tentando estabelecer uma espécie de toma-lá-dá-cá com a divindade. Mas, no início é assim mesmo, porque pautamos nossas vidas pela partitura do egoísmo.

Mais adiante, mais equilibrados, tomaremos gosto e passaremos a fazer o bem por dever, para finalmente, ensaiarmos os primeiros passos em direção ao legítimo amor.

Fiquemos com Emmanuel: O bem que praticares em algum lugar é o teu advogado em toda parte.

Sidney Fernandes

Fonte: Kardec Rio Preto

Esta entrada foi publicada em Artigos, Família, Sociedade. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *