Crer ou Saber?

A FÉ RACIONAL

Guaraci Silveira

Queremos encontrar meios que nos leve de fato a um perfeito relacionamento com o nosso Criador. A fé é um instrumento que nos interliga a Ele. Mas, há que encontrarmos um caminho válido e, de preferência sem intermediários.

Jesus nos aconselhou entrarmos no silêncio dos nossos quartos e orarmos, buscando essa interligação. Immanuel Kant, filósofo do Século XVIII, nos indica: “a liberdade da vontade, a imortalidade da alma e a existência de Deus”. Três fatores de grande importância para que alcancemos uma melhor identificação com a fé raciocinada, ínsita no Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIX. Emmanuel nos diz que: “Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer eu creio, mas afirmar eu sei, com todos os valores da razão, tocados pela luz do sentimento.”

Importante sempre nos lembrarmos de que estamos num extraordinário ciclo evolutivo. Saídos de Deus, encontramo-nos nos primeiros processos de aprendizagem para que um dia possamos adentrar os planos superiores da Criação. Para tanto, dúvidas, dogmas e fanatismos não corroboram com a busca pertinaz e inteligente de uma ligação permanente com o Pai e Criador. Quando Kant propõe a liberdade da vontade ele nos indica que a razão tem como corolário a vontade. Leon Denis nos informa que a vontade é a maior potência da alma. Com ela buscamos os fundamentos da vida como a imortalidade da alma, também proposto por Kant. Ora, sendo imortais, todos os nossos atos devem ser direcionados para a busca de uma melhor adequação a essa imortalidade. Não vale fazer para ver no que dá. É necessário racionalizar nossos desejos transformando-os em vontade equilibrada e saudável. A existência de Deus “… Só pode encontrar-se na razão”, como nos diz Paulo Figueiredo em seu livro: Revolução Espírita. Os que ficam para trás, um dia terão que entender e seguir, pois não vale a estagnação. Tudo é progresso como nos informa o Livro dos Espíritos, Q. 781.

É necessário buscarmos a fé racional. Somente ela nos permitirá resolver grandes questões que jazem em nossos arquivos do inconsciente. Quantas vezes esses arquivos nos perturbam não nos deixando ver a realidade, enxergar o belo, aprimorando-se para o bom. Naquele passado histórico quando alguém propunha e todos faziam sem os devidos questionamentos não fomos eficazes e tampouco felizes. A liberdade de pensar é apanágio para a liberdade de crescer em paz para Deus. Houve um tempo em que as chamas crepitaram em praças públicas na tentativa de calar os defensores dessa liberdade. Agora estamos num outro momento em que o pensar significa agir e o bom pensar é, portanto, a ação ideal que consolida a liberdade para agir de forma correta porque refletida.

Immanuel Kant define a liberdade de pensamento como “fundamental para o estabelecimento da religião natural, ao permitir o exercício da fé racional”. Eis aí um bom caminho. A Doutrina Espírita é toda pautada nesta fé racional porque ela propõe um debate aberto sobre tudo o que já consideramos como verdade. Partindo dos axiomas que são premissas consideradas necessariamente evidentes e verdadeiras, caminhamos para a abertura de novas evidências, pois assim Allan Kardec agiu e nos indica a fazer. É um andar consciente, perscrutativo, consolidado na certeza de que o Universo é uma mansão a ser explorada de forma tranquila e elegante.

Deus não pune, não é vingativo e nem raivoso. É justo e dá a cada um segundo suas obras. Todo o caminhar de Jesus na face do mundo foi uma demonstração de total confiança em si e no Pai. Esta deve ser a lição para o nosso agir. Jesus é o Mestre, que sejamos, pois, seus leais discípulos.

Guaraci Silveira

Fonte:  Instituto Benificente Chico Xavier

 Bibliografia:

Livro Revolução Espírita de Paulo Figueiredo 3.4

O Livro dos Espíritos – Leis Morais – Lei do Progresso

Livro O Consolador Pergunta 354

Livro: O Problema do Ser do Destino e da Dor – Terceira Parte – XX

Evangelho de Mateus 16:27

Esta entrada foi publicada em Artigos, Família, Sociedade. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *