Você Tem Medo do Umbral?

Fernanda Oliveira

“O pensamento escolhe. A ação realiza. O homem conduz o barco da vida com os remos do desejo, e a vida conduz o homem ao porto que ele aspira chegar. Eis porque, segundo as Leis que nos regem, ‘a cada um será dado segundo as suas obras”. (XAVIER, 2004).

Segundo a definição do dicionário (UMBRAL, 2021), umbral é a soleira da porta, portal ou entrada. Segundo André Luiz (XAVIER, 2006) no livro “Nosso Lar”, é “estado ou lugar transitório por onde passam as pessoas que não souberam aproveitar a oportunidade de evolução em sua vida na Terra.”

Pode ser entendido como o local que os Espíritos ainda estão ligados às coisas materiais, muito endurecidos e teimosos. O umbral começa na crosta terrestre, é uma dolorosa região densa de sombras, erguida e cultivada pela mente humana, local de dor e sofrimento. No umbral, os Espíritos continuam geralmente apegados às formas do mundo material, local onde não existe a noção de justiça, solidariedade, convivência, fraternidade, beleza, harmonia e equilíbrio; muitas vezes o Espírito desencarna e passa anos ignorando sua condição de desencarnado. Nessa região, habitualmente, as paixões reinam soberanas, a vida moral é quase nula e os seres são fisicamente e moralmente inferiores.

A Justiça Divina se faz pelo tribunal da consciência, dotado de livre arbítrio, ou seja, da liberdade de escolha, é o Espírito o construtor de seu destino. Somos julgados por nosso próprio julgamento. Nossos sofrimentos são resultados de nossas condutas errôneas e indevidas no mundo terreno: “a cada um segundo as suas obras.”

Tudo na criação está conectado, todos os Espíritos possuem livre arbítrio. Nossos pensamentos formam um campo vibratório ao nosso redor, todo Espírito é um núcleo radiante de forças que criam e são capazes de transformar, destruir e modificar.

Nada se perde na criação, Deus não pune ou castiga seus filhos, vivemos experiências para o nosso crescimento. Colhemos na vida espiritual nossas prioridades na vida terrena. Há diferentes divisões no mundo espiritual, de acordo com o estado espiritual, intelectual e moral que o Espírito se encontra.

“O teu trabalho é a oficina em que podes forjar a tua própria luz”. (XAVIER e BACELLI, 1986).

O Universo é a casa de Deus, e ele sabiamente povoou de seres vivos todos os mundos. Os Espíritos passam por inúmeras existências em diferentes mundos conforme o seu grau evolutivo. O Espírito vive onde situa seus pensamentos e suas ações. De tempos em tempos, a humanidade atinge um momento de depuração, que é precedido de um expurgo planetário, os Espíritos que não conseguirem modificar a sua moral e intelecto serão relegados a mundos inferiores. O ser humano deixa os mundos inferiores por mundos mais felizes conforme vai se curando de suas enfermidades morais. É uma recompensa passar de um mundo inferior para um mundo de ordem mais elevada, como é uma consequência das escolhas prolongarem sua permanência em um mundo infeliz ou ser relegado a mundos inferiores onde viverá provas mais duras.

Não existem castigos, punições ou injustiça, temos que ter consciência que somos o que escolhemos ser. Tudo principia na própria pessoa. O que há é a reação a uma causa anterior, os Espíritos se agrupam por afinidade vibratória de acordo com o seu grau evolutivo. Cada Espírito, quando separado do seu corpo material, vai para o meio que para si próprio preparou; juntando aos que lhe assemelham, ficam na região que estão acostumados e se acham a vontade; sua futura morada está na sintonia das suas escolhas, conforme a lei da afinidade representada na expressão: “semelhante atrai semelhante”.

O objetivo maior da reencarnação é a capacidade que o ser possui de discernir e de fazer escolhas válidas para o seu próprio progresso. Kardec (2000) nos diz que só a reparação do que fizemos anula a sua causa, quando praticamos atitudes boas, generosas e caridosas caminhamos no sentido de nosso aperfeiçoamento. Aquele que se elevar de maneira a aprender toda uma série de existências, verá que a cada um é atribuída a parte que lhe compete. Toda e qualquer situação que enfrentamos é opção inteiramente nossa, fruto de nossas escolhas. Ninguém define nossos passos, a não ser nós mesmos.

O tempo de cada criatura despertar é único e será o tempo certo; quando o ser estiver pronto para compreender e conhecer, terá o discernimento para realizar tarefas benéficas para o seu crescimento e desenvolvimento.

A morte não dá início a uma nova realidade que nada tem a ver com o que vivemos na Terra, quando a morte do corpo nada mais faz do que dar continuidade à vida, que é sempre a mesma; não existe divisão de vida no corpo e de vida após a morte. Recolhemos da vida, que é sempre única, a semeadura realizada livremente no plano material. A vida não acaba, como muitos pensam, e vamos colher o resultado dessa semeadura.

Quando estamos na Terra, vivemos uma constante escolha entre o bem e o mal. Ao retornarmos para o lado espiritual da existência, iniciamos a colheita do que semeamos. A prioridade do Espírito é a conquista dos valores morais da existência, a evolução necessita desse vai e vem no corpo físico. A vida espiritual é igual à nossa vida terrena: estudo, trabalho, convivências, desafios, relações e conexão com nossos pensamentos e atos, fazendo com que as nossas ligações sejam com nossos semelhantes, com os espíritos que vibram na mesma sintonia. Conforme esclarecimento oportuno de O Evangelho segundo o Espiritismo (KARDEC, 2000): “No espaço, os Espíritos formam grupos unidos pela afeição, simpatia e pela semelhança das inclinações, buscando trabalharem juntos pelo seu mútuo adiantamento. Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos pelos pensamentos. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. Após cada existência, deram mais um passo no caminho da perfeição. Somente as afeições espirituais são duráveis; as de natureza carnal se extinguem com a causa que lhes deu origem. Quando às pessoas que se unem exclusivamente por motivo de interesse, essas realmente nada são umas para as outras: a morte as separa na Terra e no céu.”

A lei natural é a lei de Deus e é a única verdadeira para a felicidade e evolução do ser humano. A lei divina é neutra e lhe devolve o que você dá. A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um. Somos donos da nossa mente e temos o livre arbítrio para fazer e manter conversas saudáveis, leituras edificantes, ter cuidado e atenção com o que falamos, escolher com consciência os programas de televisão aos quais daremos atenção, as músicas que escutamos, os locais que frequentamos, a maneira que nos comportamos, a forma como procuramos tratar os nossos semelhantes, vigiar os nossos pensamentos e atitudes. Somos responsáveis pelo nosso padrão mental.

Nas mudanças terrestres a sociedade atual está testando novos modelos e meios de se alcançar a felicidade, liberdade, harmonia, igualdade e amor – questões de respeito e de segurança mental, física e emocional. Conforme nos elucida “A Gênese” (KARDEC, 2020): “O Espiritismo, avançando com o progresso, jamais será ultrapassado, porque, se as novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro acerca de um ponto, ele se modificara nesse ponto; se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.”

A existência é um chamado à ação, seja essa de responsabilidade, solidariedade, cuidado, renovação ou transformação do caráter.

“Quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele”. (KING, 2021).

As leis divinas se cumprem e o livre arbítrio nos convida a subir degraus no uso da nossa capacidade intelectual. Estudar, pesquisar, questionar e reaprender continua sendo o caminho mais seguro e necessário quando temos vontade de caminhar na verdade e na luz.

Vamos caminhando com muitas energias positivas, com bom senso e equilíbrio e os pensamentos sempre elevados.

“Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más”. (KARDEC, 2000).

Fernanda Oliveira

REFERÊNCIAS:

KARDEC, Allan. A Gênese. 1ª ed. Capivari: Editora EME, 2020.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 1ª ed. Capivari: Editora EME, 2000.

KING, Martin Luther. Pensador, 2021. Disponível em: < https://www.pensador.com/busca.php?q=Quem+aceita+o+mal+sem+protestar>. Acesso em: 14 mar. 2021.

XAVIER, Francisco Cândido. Nosso lar. Pelo Espírito André Luiz. 56. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.

Ação e reação. Pelo Espírito André Luiz. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

BACCELLI, Carlos A. Crer e Agir. Pelos Espíritos Emmanuel e Irmão José. 2. ed. São Paulo: Editora Ideal, 1986.

UMBRAL. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/umbral/>. Acesso em: 14 mar. 2021.

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