DEVER DE GRATIDÃO

Orson Peter Carrara

Devemos tudo à Vida abundante que desfrutamos. Deus, o Criador, dotou-nos de vida e possibilitou-nos intenso e contínuo aprendizado. Para que pudéssemos evoluir, aprender, e, portanto, adquirir méritos do esforço colocado a serviço da conquista da felicidade, cercou-nos de inúmeros recursos. Entre eles estão as maravilhas produzidas pela natureza. Desde o espetáculo do nascer do sol – que soa como amável e silencioso convite ao trabalho -, às frutas ou perfume das flores, à condição de seres sociais que se relacionam para o mútuo crescimento e mesmo a uma infinidade de tesouros que nem percebemos. Sempre estão a nossa volta e o espaço desta página seria insuficiente para relacionar.

Colocou-nos num planeta rico de possibilidades e perspectivas. Dotou o planeta de água, fauna e flora abundantes; deu-nos os animais, pássaros e outros seres como companheiros de viagem e ainda escalou experimentados irmãos mais velhos que visitam o planeta periodicamente para ensinar o caminho do acerto e da felicidade. Entre eles, o maior de todos, Jesus de Nazaré, mensageiro do Evangelho, porta-voz direto do Pai Criador e que vivenciou em si mesmo o que ensinou.

No geral, devemos entender que, como filhos de um Pai Bondoso e Justo, que ama profundamente suas criaturas, fica o dever do auto aprimoramento intelecto-moral, único instrumento real de equilíbrio e felicidade. E consideremos que tudo isto enquadra-se até num dever de gratidão a tudo que recebemos diariamente de Deus, o Pai de todos nós.

E pensemos que o auto aprimoramento intelecto-moral nos levará pelo menos a duas consequências inquestionáveis: dominaremos o egoísmo feroz que ainda nos domina (o que determinará o fim da onda de sofrimentos que abate o planeta) e partiremos, porque mais conscientes, aos deveres da solidariedade que, por consequência, trarão o equilíbrio que esperamos. Aí está o Natal novamente, que nos inspira a todos a busca do Mestre da Humanidade.

Orson Peter Carrara

Fonte: G.E. Casa do Caminho de São Vicente

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A Ingratidão

Como lidar com a Ingratidão do Próximo sob uma Ótica Espírita?

Fernanda Oliveira

Ingratidão, segundo o dicionário online, é qualidade ou ação de quem é ingrato; falta de gratidão, de reconhecimento. Lamentavelmente chegamos ao ponto de perceber a ingratidão das pessoas em diversos momentos e situações cotidianas, desatenção a generosidade e a atitude fraterna; o não agradecer as pequenas delicadezas e gestos do dia a dia.

Quem pratica o bem e procura auxiliar e ajudar geralmente o faz de coração, sem esperar nada em troca. Mas será difícil para quem recebe reconhecer aquela atitude caridosa?

Aprendemos a amar, a fazer o bem e a manter uma postura de gratidão pela vida, mas como devemos lidar com a atitude de ingratidão?

O ser ingrato é uma criatura guiada ainda pelo egoísmo; conforme esclarece questão 937 de O Livro dos Espíritos: Para o homem de coração, as decepções oriundas da ingratidão e da fragilidade dos laços da amizade não são também uma fonte de amarguras? “São; porém, deveis lastimar os ingratos e os infiéis: serão muito mais infelizes do que vós. A ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta topará mais tarde com corações insensíveis, como o seu próprio o foi. Lembrai-vos de todos os que hão feito mais bem do que vós, que valeram muito mais do que vós e que tiveram por paga a ingratidão. Lembrai-vos de que o próprio Jesus foi, quando no mundo, injuriado e menosprezado, tratado de velhaco. Seja o bem que houverdes feito a vossa recompensa na Terra e não atenteis no que dizem os que hão recebido os vossos benefícios. A ingratidão é uma prova para a vossa perseverança na prática do bem; ser-vos-á levada em conta e os que vos forem ingratos serão tanto mais punidos, quanto maior lhes tenha sido a ingratidão”

A ingratidão é um teste para o seu agir, quando fazemos e tomamos atitudes sem esperar nada em troca, procurando realizar pensando na coletividade, no bem comum, podemos nos deparar com ações infelizmente de desconhecimento, mas não podemos ou devemos deixar esse ato modificar a nossa essência generosa, a questão 938 de O Livro dos Espíritos esclarece: As decepções oriundas da ingratidão não serão de molde a endurecer o coração e a fechá-lo à sensibilidade? “Fora um erro, porquanto o homem de coração, como dizes, se sente sempre feliz pelo bem que faz. Sabe que, se esse bem for esquecido nesta vida, será lembrado em outra e que o ingrato se envergonhará e terá remorsos da sua ingratidão”. a) – Mas, isso não impede que se lhe ulcere o coração. Ora, daí não poderá nascer-lhe a idéia de que seria mais feliz, se fosse menos sensível? “Pode, se preferir a felicidade do egoísta. Triste felicidade essa! Saiba, pois, que os amigos ingratos que os abandonam não são dignos de sua amizade e que se enganou a respeito deles. Assim sendo, não há de que lamentar o tê-los perdido. Mais tarde achará outros, que saberão compreendê-lo melhor. Lastimai os que usam para convosco de um procedimento que não tenhais merecido, pois bem triste se lhes apresentará o reverso da medalha. Não vos aflijais, porém, com isso: será o meio de vos colocardes acima deles”.

Allan Kardec: A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores gozos que lhe são concedidos na Terra é o de encontrar corações que com o seu simpatizem. Dá-lhe ela, assim, as primícias da felicidade que o aguarda no mundo dos Espíritos perfeitos, onde tudo é amor e benignidade. Desse gozo está excluído o egoísta.

O descaso do outro não pode e não deve afetar o que você é e as atitudes generosas e despretensiosas que realiza, a insatisfação gera sentimentos negativos que atrapalham o nosso caminhar. Se ajudamos alguém esperando receber algo em troca, isso não é dar/ ajudar isso é troca. Nunca estar satisfeito com o que se é ou com o que possui acaba produzindo sintonia com energias inferiores e negativas muitas pessoas ainda não compreendem o poder da gratidão. Todo mal por nós praticado conscientemente expressa de algum modo lesão em nossa consciência.

Devemos atentar para o que é positivo, registrar as coisas simples e boas, fazer contas de todas as dádivas já recebidas. Semelhante atrai semelhante, reencarnações após reencarnações vamos formando as nossas vidas ao nosso redor de acordo com os nossos pensamentos e atitudes.

A gratidão faz bem à saúde, é sintonia plena com o plano superior da vida, nos torna felizes e positivos.

As leis espirituais respeitam o livre arbítrio, mas a vida pede para repensarmos nossas atitudes e escolhas. Toda vez que eu causo sofrimento no meu semelhante eu gero sofrimento em mim.

Conforme elucida o Evangelho segundo o Espiritismo no capitulo XXVIII no item 28:  “O homem esquece facilmente do bem, para, de preferência, lembrar-se do que o aflige. Se registrássemos diariamente os benefícios de que somos objeto, sem os havermos pedido, quase sempre ficaríamos espantados de termos recebido tantos e tantos que se apagaram da nossa memória com a nossa ingratidão”. É recomendado essa sintonia de percepção com todas as coisas boas que recebemos e aprendemos diariamente, entrar em sintonia com Deus, manter o equilíbrio e a paz intima.

O mundo que vivemos é o mundo real e é bem diferente da teoria do mundo ideal, quando estamos equilibrados nada tira nossa paz. Conheça bem a si mesmo para que a ingratidão do outro não afete o seu estado mental e modifique quem você nasceu para ser. Procure proteger suas emoções, pois é dela que saem as suas escolhas.

A gratidão é o medicamento do espírito e o sentimento de almas elevadas. Com a disciplina, controle dos nossos pensamentos e atitudes, abandono do costume de reclamar e foco no propósito da vida entramos em conexão direta com os planos elevados e passamos a ter uma postura otimista na vida. O Espiritismo nos ensina a cultivar a semente do bem em nós mesmo e no nosso próximo. O homem nasceu com a sina do progresso.

Vamos caminhando praticando o bem na sintonia do amor.

“Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e

justiça. Digo o que penso com esperança. Penso no que

faço com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me

esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também

se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a

mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou

lutar, porque descobri, no caminho incerto da vida, que

o mais importante é o decidir” (Cora Coralina)

Fernanda Oliveira

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIA:

  1. O Evangelho Segundo o Espiritismo- Allan Kardec- Editora Boa Nova
  2. O Livro dos Espíritos- Allan Kardec –Editora EME
  3. A vida na visão do Espiritismo- Alexandre Caldini Neto- Editora Sextante
  4. Melhores Poemas- Cora Coralina-Editora GlobalPocket.
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Como me comunicar com meu Mentor?

Priscila Gonçalves

Anjo guardião, mentor, amigo espiritual… Vários são os nomes conferidos a estes Espíritos tão amorosos e dedicados, que foram designados pela Espiritualidade Superior durante o processo de planejamento reencarnatório para nos acompanhar durante a vida.

Vez ou outra, quando este Espírito é designado para uma outra missão, ele se afasta e recebemos outro tutor, mas, ainda assim, nunca estamos desacompanhados.

Estes Espíritos pertencem a uma ordem elevada da categoria dos Espíritos. Por certo, já passaram pelo Planeta Terra numerosas vezes, e também por outros mundos inferiores e superiores, e, assim, desenvolveram empatia, amor, criaram laços amorosos conosco, e, possivelmente, em uma encarnação passada, tivemos com eles uma forte conexão, e seu conhecimento e seu grau evolutivo o fazem apto a nos auxiliar em uma etapa de nossa jornada evolutiva.

Das questões 492 a 495 presentes em O Livro dos Espíritos, encontramos explanações sobre a ligação dos Benfeitores Espirituais conosco, até mesmo quando ocorre seu afastamento:

492. O Espírito protetor está ligado ao indivíduo desde o seu nascimento?

– Do nascimento à morte, e muitas vezes ele o segue após a morte, na vida espírita, até mesmo em várias existências corporais, pois essas existências constituem apenas fases bem curtas em relação à vida de Espírito.

493. A missão do Espírito protetor é voluntária ou obrigatória?

 – O Espírito é obrigado a velar por vós porque aceitou essa tarefa, mas ele pode escolher os seres que lhe são simpáticos. Para uns é um prazer, para outros, uma missão ou um dever.

493. a) Apegando‑se a uma pessoa, o Espírito renuncia a proteger outros indivíduos?

– Não, mas ele o faz de maneira menos exclusiva.

494. O Espírito protetor fica fatalmente apegado ao ser confiado à sua guarda?

– Muitas vezes acontece de alguns Espíritos deixarem sua posição para cumprir missões diferentes; mas, nesse caso, outros os substituem.

495. O Espírito protetor às vezes abandona o seu protegido, quando este não lhe ouve os conselhos?

– Ele se afasta quando vê que seus conselhos são inúteis, e que a decisão de submeter‑se à influência de Espíritos inferiores é mais forte. No entanto, não o abandona completamente, e sempre se faz ouvir. É o homem que fecha os ouvidos. O Espírito protetor volta tão logo é chamado.

Mas, por que então somos “abandonados” por nosso orientador? Bem, esta é uma questão que é facilmente respondida pelo nosso comportamento. Quando decidimos não seguir seus conselhos, suas orientações e inspirações, ele nos deixa para que possamos caminhar, errar e aprender; porém, mesmo nesta circunstância, quando nos tornamos pouco merecedores de companhia tão amável, ele volta; basta que deixemos nosso ego de lado e o convoquemos novamente.

A comunicação com este amigo é que faz toda a diferença. E como, afinal, podemos nos comunicar com ele? Cada indivíduo tem seu modo particular de comunicação. Uns têm uma conversa mais formal, outros mais informal, como uma conversa entre amigos, o que não deixa de ser, afinal, o Benfeitor é seu amigo presente quase 24 horas por dia. Outros o fazem através de preces, outros pelas artes. Cantando músicas edificantes, nas leituras, na escrita.

Não importa se está angustiado, entristecido ou tão feliz que parece exalar alegria e satisfação por todos os poros, e não importa se precisa compartilhar sua dor com o seu amigo para aliviar o fardo, ou celebrar uma conquista; o diálogo com o Espírito protetor, o anjo guardião, se faz necessário diariamente.

Abra os ouvidos e os olhos da alma, para ouvir e ver todos os sinais que ele lhe envia, para compreender e discernir os bons dos maus caminhos, avaliar seus passos e seu comportamento, e até pedir orientação para uma decisão difícil a ser tomada. Ou até contar como foi seu dia. Ele é, sempre foi e sempre será um grande amigo, disposto a ajudar sem julgar, querendo sempre o seu bem maior, pois abdicou de muitas coisas para cumprir a missão de lhe guardar e proteger dos males internos, dos vícios e más inclinações, e também dos males externos, dos perigos do mundo.

Priscila Gonçalves 

Fonte:  Blog Letra Espírita

Referências:

 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Capivari: EME, 2019.

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Em louvor à liberdade

– Vianna de Carvalho

EM LOUVOR À LIBERDADE

O natural processo de evolução do Espírito culminará quando, dominando as latentes faculdades de que se encontre investido, logre liberar-se dos atavismos da larga jornada dos renascimentos carnais ao longo dos milênios.

Corpúsculo de luz que mergulhou na névoa material para esplender como uma estrela de primeira grandeza, possui as incomparáveis qualidades divinas que desenvolverá no curso dos renascimentos na atmosfera terrestre.

Essa liberdade de pensar e de agir tem sido a ânsia de conquista do ser humano através dos tempos.

Imaturo e sem a capacidade de saber usá-la, criou o pensamento filosófico para poder melhor expressar-se, não conseguindo o tentame em razão do primarismo que ainda lhe é peculiar.

A busca da liberdade tem sido o impulso vigoroso presente nas escolas de pensamento, sempre comprometidas com as necessidades e limites dos seus criadores.

Em seu nome, indagou a célebre Madame Roland, na Revolução Francesa, antes de ser guilhotinada, Liberdade! Liberdade! Quantos crimes se praticam em teu nome?

O direito de vivenciar a liberdade deflui do reto cumprimento dos deveres que organiza o grupo social.

Enquanto predomina no indivíduo o jugo das energias materiais o seu anseio de liberdade não passa de uma transferência de conflito pessoal por anelar favores a que não faz jus.

Essa conquista resultará da perfeita consciência de discernimento dos valores que organiza a sociedade sob a inevitável ética de respeito e consideração aos direitos dos outros.

Durante a experiência da reencarnação a liberdade encontra-se sujeita aos limites do organismo na sua multiface, assim como na constituição legal e moral vigente.

Ninguém que propugne pela liberdade poderá impô-la, pois que ao fazê-lo violenta o direito do outro, tanto de pensar como de agir consoante o seu estágio de desenvolvimento moral.

A liberdade, portanto, é um conceito muito pessoal, sujeita ao espaço cultural em que se transita.

Quando se impõe, estabelecendo comportamentos esdrúxulos, faz-se libertinagem com grandes riscos de consumpção dos valores éticos vigentes.

Certamente, os propugnadores da liberdade dos cidadãos geram conflitos entre os conceitos anteriores e os porvindouros, que provocam receios, especialmente aqueles que se apresentam dominadores.

Quase sempre esses opositores do progresso da liberdade de qualquer opressão ou submissão, são ainda poderosos pela força bruta que os domina e na qual se comprazem.

Na História da Civilização ergueram-se impérios fantásticos sobre as ruínas de povos que foram vencidos, por sua vez, esmagados por títeres ainda mais perversos, que igualmente sucumbiram ao horror de outras armas mais destrutivas.

Na Antiguidade, homens e mulheres violentos levantaram-se contra as circunstâncias brutais que viviam e fizeram-se conquistadores que se apoiaram na perversidade para temidos e vingativos atingirem as suas metas sanguinárias.

Amaram filósofos temerários e se glorificaram por algum tempo, sendo derrubados por outros não menos odientos.

Desde Ciro, o Grande, pai de Cambises II, que construiu o império mais glorioso da História, a Alexandre Magno, da Macedônia, a Júlio César, a Cipião, o Africano, a Aníbal, o Cartaginês, para citar apenas poucos déspotas e guerreiros que passaram como edificadores, porém, sobre cadáveres e amontoados de lixo. A quase invencível Cartago foi arruinada e não ficou pedra sobre pedra, que não haja sido derrubada…

As poderosas culturas e cidades aparentemente invencíveis dormem hoje sob aos areais escaldantes dos desertos ou sob as águas submarinas, ou colunas e pedras abandonadas que parecem fantasmas corroídas pelos ventos calcinantes.

Veio, então, Jesus, para pacificar o mundo com a Sua mensagem de Amor e padeceu a ignorância dominante, sendo os seus fiéis discípulos, à Sua Semelhança, dizimados de forma inumana, compatível com os déspotas de então.

Logo após, a partir de 410 com a destruição de Roma por Alarico, os bárbaros com Átila, o terror de Deus, o próprio Alarico, Genghis Khan, que construiu o terrível império e outros não menos perversos, também foram devorados pelo tempo inclemente.

Sucederam-se os períodos de trevas por quase mil anos e o ser humano sempre sonhando com a liberdade, vem-se alçando no rumo do infinito e sofrendo o guante dos poderosos de um dia.

As guerras inclementes não cessaram, tornando-se mais cruéis e destrutivas, mas, apesar de todas as terríveis dores, o ser humano permanece na sua luta pela conquista da liberdade.

Com a Revelação do Espiritismo, compreende que a legítima liberdade é a do amor que permanece e sobrevive a todas as funestas e incessantes batalhas do mal e da desgraça coletiva, culminando na imortalidade em triunfo após todas as injunções enganosas, Todos somos livres para pensar e, à vezes, agir, conforme os regimes políticos, mas sempre nossas ações impõem-nos a liberdade de cultivar o bem, de evocar o Mártir da Cruz, que aparentemente foi vencido, porém retornou em glória soberana, exultante na ressurreição em liberdade absoluta.

O Seu exemplo é a lição mais grandiosa da luta pela independência do amor para vencer as misérias resistentes, representativas dos períodos primários do mecanismo da evolução.

A liberdade reside, portanto, na consciência do amor sob todos os aspectos considerados, em conclamação permanente pelo trabalho de dignificação da vida em toda a sua plenitude.

Vianna de Carvalho

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 16 de outubro de 2019, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

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Discursos materialistas sobre o aborto

Marco Milani

DISCURSOS MATERIALISTAS SOBRE O ABORTO

Na conclusão de O Livro dos Espíritos (LE), parte II, encontramos a afirmação de que o Espiritismo é o mais terrível antagonista do materialismo. Essa contraposição torna-se evidente ao fundamentar-se os discursos sobre as mais diferentes questões.

O aborto é um dos temas que, apesar de claramente considerado nos ensinamentos dos Espíritos (ver questão LE-358, por exemplo), ainda fomenta polêmica àqueles que abraçam argumentos materialistas para defendê-lo.

A única exceção sob o ponto de vista doutrinário que justificaria o aborto provocado seria quando a continuidade da gravidez colocasse a vida da mãe em risco (ver questão LE-359).

Por não acreditarem haver nada mais além da matéria, materialistas justificam a afirmação de que o aborto provocado é uma questão de escolha da gestante, pois eles supõem que o ser em gestação seja parte do próprio corpo da mulher (matéria), e não exista um Espírito independente vinculado ao processo reencarnatório. Assim, o bebê nada mais seria que uma extensão do corpo da mãe.

Outra afirmação materialista é a de que o aborto é um caso de saúde pública, supondo que o ser em gestação é descartável perante o desejo maior da mãe de expulsá-lo de seu corpo servindo-se de procedimentos que não coloque a sua própria vida em risco. Sob essa narrativa, caberia ao Estado oferecer mais segurança sanitária para a expulsão do ser em gestação. Um argumento abortista recorrente sobre esse tópico é a de que mulheres ricas estariam mais seguras para eliminar o bebê do que as pobres, então dever-se-ia, por uma questão de “justiça social”, oferecer as mesmas condições para os mais carentes.

O sacrifício dos seres que apresentem algum tipo de má-formação ou características patológicas graves é, ainda, aceitável para materialistas que vislumbram as dificuldades que serão geradas aos responsáveis para o acolhimento, gastos e cuidados necessários. Chegam a usar o discurso de que será melhor para a criança não nascer (ou seja, ser eliminada) do que viver em sofrimento, desconsiderando todas as causas espirituais que levaram a essa situação.

Longas discussões médicas e jurídicas marcam a determinação de quando, efetivamente, começaria a vida. Discute-se ser a partir da concepção ou outras fases do desenvolvimento do corpo. Materialistas, servindo-se de malabarismos conceituais, relativizam a existência intrauterina.

Ao inserirmos o elemento espiritual, amplia-se a perspectiva da análise, pois considera-se o ser reencarnante, um indivíduo independente, com direito à vida (LE-880), continuando seu processo evolutivo junto àqueles que, por afinidade, participarão de sua jornada terrena. Ao proteger-se a sobrevivência do nascituro, valoriza-se a vida.

Uma das características do Espiritismo é a fé raciocinada, portanto espera-se que os seus adeptos creiam, baseados em argumentos válidos e assumam posturas compatíveis com os princípios e valores doutrinários. Certamente, o nível de maturidade e compreensão desses princípios e valores variarão e refletirão nas expressões públicas e privadas de cada um.

Sobre a temática do aborto, Kardec sinaliza, claramente, as consequências a todos envolvidos, proporcionais ao conhecimento, intenção e responsabilidade sobre o ato. Em momento algum desconsidera o livre-arbítrio e, com ênfase, destaca o mérito daqueles que superam as mais dolorosas situações para preservar a vida.

Marco Milani

Fonte:  Agenda Espírita Brasil

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Riqueza e Pobreza Qual a Maior Provação?

Simara Cabral

“E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Mateus, 19:24)

Todos os dias vemos muitas pessoas jogando na loteria, outras trabalhando exaustivamente até o limite de suas forças, outras cometem atos ilícitos, todos em busca da riqueza e abundância dos bens terrenos, como se um grande patrimônio pudesse trazer a solução de todos os problemas. Mas será que uma grande soma em dinheiro realmente resolve os infortúnios ou será a riqueza uma tentação capaz de trazer maiores transtornos do que os que a pessoa tinha antes?

A desigualdade social existe em todos os lugares do mundo, mas em alguns países ela é mais acentuada. De acordo com o IBGE, em 2018 o rendimento mensal dos 1% mais ricos do Brasil era quase 34 vezes maior do que o rendimento da metade mais pobre da população. Durante a pandemia, essa desigualdade aumentou. De um lado vemos pessoas ostentando todo tipo de luxo: viagens, carros importados, mansões, roupas de grife enquanto a maior parte da população luta diariamente para ter acesso aos direitos básicos: alimentação, educação, saúde, direito à moradia, ao trabalho dentre outros.

O psicólogo norte americano Abraham H. Maslow criou um conceito chamado “A Pirâmide de Maslow” que determina as condições para que cada pessoa alcance sua satisfação pessoal, ou seja, se sinta feliz e realizada. Na base da pirâmide estão as necessidades básicas para a felicidade e elas vão se modificando até atingir o topo da pirâmide que seria a realização pessoal completa conforme a imagem abaixo.

Fonte: https://www.significados.com.br/piramide-de-maslow/

Conforme pode-se observar, para ter acesso à base da pirâmide é necessário que se tenha uma condição financeira que propicie acesso à alimentação, água e moradia, o que deveria ser um direito básico do ser humano. Em seguida, segurança do corpo, do emprego e de recursos, o que também depende do dinheiro. A partir daí as necessidades não são mais relacionadas aos bens materiais, e sim às boas relações sociais, amizades, desenvolvimento da auto estima, aceitação perante as dificuldades da vida entre outras. Portanto, de acordo com a psicologia o dinheiro pode trazer a segurança necessária para se obter um certo grau de satisfação, no entanto a felicidade plena não é atingida através de uma grande fortuna, luxo ou satisfação das vaidades.

De acordo com a Doutrina Espírita, a prova da riqueza e a da pobreza são difíceis, porém necessárias ao aprimoramento moral, pois enquanto na pobreza o ser humano precisa desenvolver a resignação, a paciência e a humildade, na riqueza ele precisa praticar a caridade, evitar abusos e tentações que aparecem das mais variadas formas. É preciso lembrar que as duas provas são situações temporárias que podem ser alternadas na mesma ou na próxima encarnação. No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Lacordaire (Constantina, 1863) diz: “Sabei contentar-vos com pouco. Se sois pobres, não invejeis os ricos, pois a fortuna não é necessária à felicidade. Se sois ricos, não esqueçais que esses bens vos foram confiados e que tendes de justificar o emprego deles, como uma prestação de contas de tutela. Não sejais administradores infiéis, fazendo-as servir à satisfação do vosso orgulho e vossa sensualidade. Não vos julgueis no direito de dispor exclusivamente em vosso favor daquilo que não é senão um empréstimo, e não uma doação. Se não sabeis restituí-lo, não tendes mais o direito de pedir. E recordai que aquele que dá aos pobres, quita-se da dívida que contraiu com Deus.” Por isso quando a prova da miséria chega até o homem, ele deve enfrentá-la com confiança e resignação, e caso a prova da riqueza venha a aparecer, deve-se recordar das palavras do Mestre Jesus no Evangelho de Mateus 6:19-21: “Não acumulem tesouros sobre a terra, onde as traças e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntem tesouros no céu, onde as traças e a ferrugem não corroem, e onde ladrões não escavam, nem roubam. Porque, onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração.”

Em “O livro dos Espíritos”, nas questões de 814 a 816, é explicado que Deus concede a riqueza a uns e a miséria a outros para experimentar os espíritos de formas diferentes e é dito que as duas provas apresentam graus elevados de dificuldade: “A alta posição do homem neste mundo e a autoridade sobre os seus semelhantes são provas tão grandes e tão escorregadias como a miséria, porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder. A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus disse: “Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus.” Lembrando apenas que na tradução do hebraico, a mesma palavra era usada para “camelo” e “cabo” e o mais provável é que “cabo” fosse a tradução correta, pois faria mais sentido. Desta frase dita por Jesus, pode-se compreender que a prova da riqueza é mais perigosa para o homem pois a tentação de abusar dos recursos e de apegar-se aos bens materiais é quase irresistível para o homem comum, caso ele não esteja focado na vida futura e no seu desenvolvimento moral.

Deste modo aquele que acredita ser a riqueza uma solução para as dificuldades da vida terrena ignora o real objetivo de sua encarnação, que é a evolução espiritual e não a aquisição de bens materiais ou a satisfação dos desejos fugazes da carne. Quando se deixa levar pelas paixões materiais e busca apenas os prazeres efêmeros, o homem perde de vista a vida futura e se afasta do seu aprimoramento moral. Por isso, a despeito de que qualidade seja a provação que esteja enfrentando, o importante é que se empenhe para alcançar o desenvolvimento das virtudes da alma, seja a paciência, a resignação ou a submissão à vontade de Deus, e sempre que possível que o homem lembre-se de trabalhar ativamente no auxílio ao próximo e na construção de um mundo melhor, onde todos possam ter dignidade para viver. E como disse Chico Xavier: “Você nem sempre terá o que deseja, mas enquanto estiver ajudando os outros, encontrará os recursos de que precisa”.

Portanto, ao buscar o aperfeiçoamento moral além da melhoria das condições materiais, o homem estará desenvolvendo suas próprias virtudes e simultaneamente, levando todo a humanidade a progredir, elevando a categoria do planeta a um patamar onde não exista a miséria, a fome e a violência e onde todos tenham a oportunidade de viver e não apenas de tentar sobreviver. O progresso da humanidade depende do esforço de cada um dos habitantes do planeta, desde que abdiquem de seus desejos egoístas, sua ambição, seu orgulho e deixem predominar o amor ao próximo, a caridade e a benevolência dado que somente assim as injustiças sociais não terão mais vez e a fraternidade, a solidariedade e o amor reinarão na Terra.

Simara Cabral

Fonte: Blog Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

  1. Bíblia Online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br>. Acessado em 10 de Julho de 2021.
  2. Desigualdade social. Disponível em < https://www.politize.com.br/desigualdade-social/>. Acesso em 08 de Julho de 2021.
  3. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho. 43ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2018.
  4. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho.24ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2019.
  5. Pirâmide de Maslow. Disponível em: <https://www.significados.com.br/piramide-de-maslow>. Acesso em 14 de Julho de 2021.
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