O “aqui e agora”

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Muitas pessoas convivem sob tremendos conflitos de ansiedades, sobretudo quando os minutos e as horas se arrastam aos seus olhos, adiando a satisfazer-lhes naquilo que creem necessitarem o/ou desejarem. A rigor, o tempo os confunde.

À guisa de ilustração, vejamos que inúmeras vezes percebemos os sessenta minutos de alegria como o arroubo da fração de um segundo e doutras vezes o advir de um minuto de ansiedade parece persistir uma eternidade! Em face disso, importa refletir que somente a diligência, e não a correria será capaz de tornar a experiência do tempo mais produtivo, possibilitando penetrarmos no orbe das aspirações plausíveis.

Será que Deus nos oferece demasiado tempo em certas conjunturas? Alguns se indagam quais os pretextos pelos quais o Criador consente ao homem maléfico um delongado tempo de vida física.

Por quais razões Deus não bloqueia ou inviabiliza o desempenho reencarnatório daqueles cujo egoísmo, ambição e maldade são mais aguçados do que a virtude do amor? Por que o Criador não encurta o tempo de vida dos facínoras, admitindo no mundo tão-somente os seres mais moralizados?

A resposta é simples e intensa: porque Deus não penitencia suas criaturas, ao invés disso, aplica o tempo e não a violência para corrigir.

Por que o tempo nos fascina tanto e rege, de maneira implacável, as nossas vidas? Que noção de tempo trazemos em nós? Para Einstein, o tempo só existe em relação ao espaço. Se viajarmos no Universo numa nave espacial, o tempo passará mais lentamente em relação aos padrões de tempo que deixamos na Terra.

A rigor, na experiência terrena tudo na nossa vida depende do tempo: os compromissos, as memórias e até os planos futuros. Contudo, uma equipe de investigadores da Universidade de Harvard e do Instituto Astellas de Medicina Regenerativa tem sugerido que, afinal, o tempo é algo completamente subjetivo e só existe na mente de cada um.

Na verdade, a noção de tempo acompanha o ser humano desde os primórdios de sua evolução, nos instantes em que o homem começou a filosofar sobre a natureza.  Hoje, o padrão de tempo para fins científicos é uma contagem contínua de segundos determinada não através de múltiplos relógios atômicos espalhados ao redor da Terra, sendo conhecido como Tempo Atômico Internacional (TAI). Além disso, o padrão de tempo atual conforme estabelecido pelo Sistema Internacional de Unidades (S. I.) tem por base os princípios da relatividade, tendo por modelo periódico as oscilações da radiação eletromagnética.

É por isto que, por subidas razões, os Espíritos esclarecidos não nos desviam para os ardis dos tempos cronológicos ou nos induzem para os cipoais dos prazos impostos. Não faz sentido lógico profecias coercitivas! As suas alusões são outras.

Os antigos gregos tinham duas medidas de tempo, vinculadas a deuses diferentes: Chronos ligado às coisas materiais e Kairós ao momento oportuno. Entretanto, a certeza da imortalidade da alma altera o nosso conceito de tempo. Mister é considerar que o tempo da nossa realidade essencial é medido pelas diversas experiências suportadas individualmente. É o tempo do nosso aprendizado, que pode ser mais longo ou encurtado, porém, firmemente vinculado ao nosso tempo consciencial.

Façamos uma ligeira digressão sobre o presente (“aqui e agora”). O que refletimos sobre isso? Permanecemos hipnotizados no retrovisor do pensamento sob o guante da pós-ocupação, olhando para o pretérito, paralisando o “aqui e agora”? Será que estamos preocupados com o futuro, abafando o “aqui e agora”, algemados na ansiedade?

Quantas vezes promovemos vãs tentativas de dominar ou conter o tempo, entretanto o “aqui e agora” é o tempo da vida, sim! É uma dádiva, um valiosíssimo presente de Deus. É este o momento que nos ajeita os ensejos para adaptar o futuro e aplacar os equívocos do antanho.

Obviamente, o tempo do Criador não é o tempo da criatura! O tempo de Deus é primoroso, não há anacronismos. O tempo do Dono do Universo dimana para execução do Seu desígnio ou vontade. Não há passado e nem futuro. Ninguém consegue medir ou cronometrar, todavia o tempo divino atua na história da criatura consoante à vontade do adorável Criador.

Muitos temem a passagem do tempo, por causa da velhice, da enfermidade e da morte. Contudo, é um temor bastardo que carece ser dissipado, sopesando a visão do tempo infindo que nos impulsiona na senda da evolução como espíritos imortais que somos rumo a pura, completa e eterna felicidade.

Jorge Hessen

Fonte: Jorge Hessen

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“Afinal, a quem pertence O livro dos espíritos?”

Rogério Miguez

Recebemos e compartilhamos o seguinte artigo, composição de nosso confrade e colaborador da Luz Espírita, Rogério Miguez (São José dos Campos, SP), cujo tema é especialmente oportuno ainda pelos nossos festejos de mais um aniversário do Espiritismo que, por convenção, tem como marco inaugural o lançamento de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, em 18 de abril de 1857. E o enfoque do artigo é justamente a indagação quanto a autoria desta obra monumental, pelo que julgamos válido investir nosso tempo e atenção às considerações aqui propostas: (Luz Espírita – Espiritismo em Movimento)

Afinal, a quem pertence O livro dos espíritos?

Diante da vastidão de princípios abrangidos pelas Leis de Deus, cobrindo não só aspectos morais, bem como os materiais ou físicos, destacam-se muitos pontos merecedores da atenção daqueles em contato com o Espiritismo pela primeira vez.

Entre tantos em evidência um deles certamente é a compreensão da existência e natureza dos Espíritos. É comum observar nos recém-chegados ao movimento espírita certa dificuldade no entendimento de tais entidades, sendo esta inclusive uma das várias motivações conduzindo um interessado à Casa espírita, ou seja, deseja esclarecimento sobre os chamados mortos, tanto quanto explicações a respeito de aparições de toda ordem.

Elucida a Doutrina, inicialmente em O livro dos espíritos, sobre a existência de dois princípios básicos no Universo: o princípio espiritual (fonte de criação dos Espíritos) e o princípio material. Na sequência das obras do Pentateuco, esclarece-se mais um pouco sobre estes fundamentos aqui, outro tanto ali, e na última obra, A Gênese, Allan Kardec discorre sobre estes princípios de maneira ampla e detalhada, os quais, somados a Deus, formam a assim chamada Trindade Universal espírita.

Como a percepção comum considera as almas ou Espíritos entidades à parte, habitantes do plano etéreo de onde eventualmente, embora “mortos”, se apresentam para nos atormentar e amedrontar haja vista o conceito disseminado de ”alma penada”, exceção feita às aparições dos “anjos”, muitos têm dificuldade em compreender e aceitar a sua própria natureza. Não perceberam ainda serem também Espíritos em essência, individualizações do princípio espiritual anteriormente mencionado, encontrando-se provisoriamente ligados a um corpo de carne, vivendo um pequeno capítulo de suas existências e, em breve tempo, estarão também do lado de lá, no impropriamente chamado “Reino dos Mortos”.

Esta visão representa a verdade, porquanto a maioria teme as almas do outro mundo, havendo inclusive alguns espíritas que “morrem de medo” de ver Espíritos; sendo assim, os neófitos resistem em aceitar que os Espíritos continuam a fazer parte do Universo, embora agora sem corpos físicos; não são mortos ressuscitando dos túmulos ou sepulcros para nos assustar e perseguir. Entretanto, imaginam ainda os Espíritos como entidades à margem da criação. Comenta-se sobre Espíritos e surgem múltiplas interrogações: vieram de onde, onde habitam estes tais, quem são na realidade, o que fazem há tanto tempo no além?

Conforme previsto nas leis eternas, acabarão também aprendendo por meio de estudos, aulas ou exposições, que verdadeiramente alguns Espíritos buscam nos atrapalhar temporariamente, são os assim chamados obsessores, e mais, quando descobrem que estes podem ser numerosos, sem esclarecimentos doutrinários, chegam a se apavorar. Felizmente, por outro lado, tomarão conhecimento também sobre a existência de muitos outros Espíritos cuja função ou missão é de nos ajudar, são os nossos guias espirituais, além destes, há também os Espíritos familiares e os simpáticos, todos em síntese desejando apenas o nosso bem e nosso progresso; mas quem os dirige se é que há organização nestes grupos de seres parecendo tudo observar e tudo indicando estarem em toda a parte, indagam curiosos?

É preciso assistir a continuadas palestras doutrinárias, ler e bem estudar a literatura espírita, de modo a assegurarem-se, certificarem-se, convencerem-se de que também se tornaram imortais a partir do momento de sua individualização por Deus, fazendo igualmente parte deste coletivo de seres sempre vivos chamados Espíritos, entidades estas continuamente criadas por Deus, sendo Este o organizador maior de tudo e de todos.

Em função destas temporárias e esperadas incompreensões, quando se abordam temas doutrinários, e faz-se menção ao O livro dos espíritos, mencionando uma pergunta aqui, outra acolá, com as suas respectivas e sábias respostas dos Espíritos, surgem outras questões: afinal quem são estes que ditaram esta imensidade de textos, ideias, conceitos, formulando incontáveis teorias a este francês com nome de batismo Denisard Hipolyte Leon Rivail (1), nascido em Lyon, todavia, conhecido popularmente por Allan Kardec!?

Quando se diz ser a Doutrina dos Espíritos, ajuízam, mas não foi Allan Kardec quem escreveu, organizou, codificou e publicou O livro dos Espíritos? Então como pode este livro pertencer aos Espíritos e não ao francês Allan Kardec? Ele não é o autor?

É preciso um tempo de convívio e amadurecimento dentro do movimento espírita, exercitando a leitura atenta ou mesmo o estudo de livros e mensagens, participando continuadamente das reuniões doutrinárias, para pouco a pouco começar a se sentir parte deste universo de seres espirituais.

Contudo, enquanto isto não se dá, sentem-se deslocados, e em função do entendimento ainda incompleto da Doutrina, aceitam inclusive a possibilidade de alguns Espíritos encarnados serem privilegiados dentro da criação, os chamados médiuns, porém, sabemos não o são, pois estes últimos possuem a capacidade de falar, ver, sentir e interagir com estas outras individualidades, os chamados Espíritos desencarnados.

Adicionalmente, se soubessem ser possível existir comunicação mediúnica com um Espírito ainda encarnado, mesmo estando distante o corpo desta particular entidade, muito provavelmente diriam: Não, isto é impossível, deve haver alguma outra explicação, pois se o Espírito está aqui presente, se manifestando, então só pode estar morto!

É de se notar na fase inicial de visitação às Casas, muitos nelas comparecem na esperança de afastar, de se verem livres dos assim chamados Espíritos, popularmente conhecidos por “encostos”, muita vez, em função de desavisados terem informado estarem tais entidades lhes acompanhando, “fantasmas” estes considerados como únicos responsáveis por todas as dificuldades e agruras enfrentadas no dia a dia deles.

Todavia, gradativamente, na medida de seus continuados esforços em aprender, e apreender novos conceitos, os iniciantes espíritas passam da condição de deslumbramento e questionamento para a condição de observadores atentos e alguns mesmo de participantes ativos nas múltiplas atividades oferecidas nas Casas espíritas.

A fase dos primeiros porquês e das interrogações vai se apagando lentamente, dando lugar a uma posição mais dinâmica e segura, no lugar da passividade característica, quando compareciam à Casa apenas para receber orientações, informações, conselhos, passes, quem sabe ter uma garrafa de água fluidificada e todo o tipo de apoio possível de ser obtido.

A partir desta nova fase, se ainda não as obtiveram, podem elaborar por si mesmos respostas a muitas daquelas intrigantes perguntas formuladas no passado, porquanto:

  1. compreendem que os chamados mortos nada mais são do que aqueles que nos antecederam na viajem para o lado de lá, podendo aparecer eventualmente, e sob certas condições, a alguns e não a outros, e na medida em que forem se conscientizando da existência deles aceitando-os naturalmente, espera-se, não mais se amedrontarão, afinal são todos nossos irmãos;
  2. descobrem haver muitas moradas na casa do Pai, sendo estas ocupadas tanto por Espíritos encarnados quanto desencarnados se agrupando pela lei das afinidades, todas regidas pelas determinações de Deus, e como os Espíritos vêm sendo criados continuamente pelo Sempiterno, estão por toda a parte;
  3. constatam não serem os chamados obsessores Espíritos votados eternamente ao mal por natureza, estes encontram-se temporariamente afastados do bom caminho, também sendo filhos legítimos de Deus, por conta disto, não se desencaminharão perpetuamente, porquanto, conforme alertou Jesus, nenhuma ovelha do rebanho se perderá;
  4. percebem não terem os Espíritos vindo de algum lugar especial, determinado canto esquecido do Universo, são apenas os seres vivos chegados ao reino hominal, criados simples e ignorantes há muitos milênios atrás pelo mesmo Deus que nos criou e, agora, naturalmente, continuam a particular jornada de evolução, crescendo sempre intelectualmente, embora de imediato nem sempre moralmente, rumo à aquisição da relativa perfeição passível de ser alcançada;
  5. aceitam ser a pátria espiritual a única e verdadeira, pois todos estamos destinados a habitar e permanecer neste referido plano, o etéreo será a nossa moradia final, quando concluirmos o ciclo das encarnações necessário a consolidar o nosso aprendizado nos mundos materiais. Enquanto não alcançamos esta condição permanecemos no plano espiritual, o chamado período da erraticidade, aguardando o momento mais adequado para reingressar na carne, ou reencarnar, uns esperando passivamente, outros ativamente, estudando, trabalhando e se fortalecendo para novo período de provas e expiações no Educandário Terra;
  6. entendem que o corpo não é o dono do Espírito, mas o contrário se dá, o segundo é o dono do primeiro, assim sendo, o Espírito pode se afastar ou emancipar do corpo, sua ferramenta de trabalho, parcialmente e temporariamente, provocando os fenômenos das aparições registradas em nossa História, mesmo a distância de seu corpo, além disso, constatam agora que nós não temos um Espírito, somos Espírito;
  7. e, finalmente, concluem por qual razão Allan Kardec, assim denominado quando esteve encarnado entre o povo dos Druidas na antiga Gália à época de Júlio Cesar, antiga designação do atual nome francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (2), ter intitulado o primeiro livro da Codificação como o fez, pois o Sábio de Lyon se colocou humildemente como elemento de ligação entre os Espíritos superiores desencarnados colaboradores nos variados textos, e toda a Humanidade. Espíritos estes de avançada evolução, incluindo Jesus, o Mestre dos mestres, Espírito Puro, coordenador de todo o trabalho.

Este é um processo bem característico e esperado de muitos buscando a Doutrina, nada a estranhar, seja por curiosidade, outros ainda por necessidade, mas ao final, se tudo andar bem durante esta caminhada inicial, aceitam-se também como integrantes da classe dos Espíritos, fazendo parte deste todo, se veem como elementos da criação, em suma, finalizam se enxergando como Espíritos imortais, filhos do mesmo Pai.

A partir deste momento, tem o caminho aberto para se interessar mais pelo Espiritismo, passam a buscar por iniciativa própria aumentar os conhecimentos, reconhecem ser este conjunto de informações oceânico, formado por uma parte religiosa, outra filosófica e uma terceira científica, tudo abordando, sobre qualquer assunto emitindo uma coerente opinião, e quando a humanidade ainda não está apta a receber novidades explicadas pelas leis eternas, os Espíritos nos deixam com as interrogações a serem elucidadas em futuro oportuno, quando for mais adequado.

Nesta hora, muitos finalmente entendem, sentem intimamente ser o conhecimento da primeira obra básica da Doutrina imprescindível para bem conduzir a própria vida, sem qualquer prejuízo das outras quatro obras fundamentais e das obras subsidiárias. Aquela contém uma fonte aparentemente inesgotável de explicações e, neste instante, O livro dos espíritos se torna um compêndio universal, passam a amá-lo, por que não? Este livro não pertence mais apenas àqueles que o ditaram no século retrasado; se transforma em um livro de uso comum, diário, de cabeceira; embora seja especialíssimo devido ao seu conteúdo, percebem-se também como Espíritos, pois de fato todos somos e O livro dos espíritos se transforma então daí para a frente em O livro de todos nós!

Rogério Miguez

Fonte: Espiritismo em Movimento

Notas:

(1) Mantivemos a grafia registrada nas duas certidões originais de nascimento, embora esta grafia não seja a usada pela maior parte do movimento espírita.

(2) Esta é a grafia normalmente utilizada pelo movimento espírita.

#oLivroDosEspiritos #AllanKardec #espiritismo

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Tríplice aspecto da Doutrina Espírita

DEFINIÇÕES (Segundo o “Aurélio”)

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Ciência: “conjunto organizado de conhecimentos relativos a um determinado objeto, especialmente os obtidos mediante a observação, a experiência dos fatos e um método próprio. Soma de conhecimentos práticos que servem a um determinado fim”.

Filosofia: “(do grego philosophía, “amor à sabedoria”). Estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade, no sentido de apreendê-la na sua totalidade, quer pela busca da realidade capaz de abranger todas as outras, (…), quer pela definição do instrumento capaz de apreender a realidade, o pensamento, tornando-se o homem tema inevitável de consideração.”

Religião: “Crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada(s) como criadora(s) do universo, e que, como tal, deve(m) ser adorada(s) e obedecida(s).  Qualquer filiação a um sistema específico de pensamento ou crença que envolve uma posição filosófica, ética, metafísica, etc. Modo de pensar ou agir, princípios.”

ESPIRITISMO: CIÊNCIA, FILOSOFIA E RELIGIÃO

O Espiritismo, na sua feição de Consolador prometido pelo Cristo, apresenta três aspectos diferentes:  Ciência, Filosofia e Religião.

O Espiritismo é Ciência

O Espiritismo é ciência porque estuda, à luz da razão e de pesquisas específicas, os fenômenos mediúnicos, isto é, os fenômenos provocados pelos espíritos e que são fatos naturais. Não existe o sobrenatural; todos os fenômenos, mesmo os mais estranhos, têm explicação científica.  Sintetizando, Kardec afirma: o Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos espíritos, e de suas relações com o mundo corpóreo.

O Espiritismo é Filosofia

O Espiritismo é uma filosofia porque dá uma coerente  e exata interpretação da vida.  Toda filosofia gera uma ética.  Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom senso.

Como filosofia, o Espiritismo compreende todas as conseqüências morais que dimanam das relações que se estabelecem entre nós e os espíritos.

O Espiritismo é Religião

O Espiritismo é religião porque ele tem por fim a transformação moral do homem, retomando os ensinamentos de Jesus Cristo, para que sejam aplicados na vida diária de cada pessoa. Revive o Cristianismo na sua verdadeira expressão de amor e caridade.

Segundo Emmanuel, “a ciência, a filosofia e a religião constituem o triângulo sublime sobre o qual a doutrina do Espiritismo assenta as próprias bases, preparando a humanidade do presente para a vitória do AMOR.”

O Espiritismo pode, então, ser simbolizado como um triângulo de forças espirituais, em que a ciência e a filosofia vinculam à Terra o triângulo, constituindo-se um campo nobre de investigações humanas, visando o aperfeiçoamento da humanidade.  A religião é o ângulo divino que liga ao céu, edificando e iluminando os sentimentos.

O ESPIRITISMO É FILOSOFIA

Toda doutrina que dá uma interpretação à vida, uma concepção própria do mundo, é uma filosofia. Neste aspecto, enquadra-se o estudo dos problemas da origem e destinação dos homens, bem como a existência de uma Suprema Inteligência, causa primeira de todas as coisas.

O Espiritismo é uma filosofia porque, a partir dos fenômenos espirituais e dos fatos, dá uma interpretação da vida, explicando o porquê das dores, dos sofrimentos e das desigualdades entre as criaturas, e elucida as questões fundamentais da existência.  Para todo efeito existe uma causa e esta causa pode estar nesta ou em vidas anteriores.

A Doutrina dos Espíritos nos fala que:

  • Deus é a Inteligência Suprema, causa primeira de todas as coisas.
  • Deus é o criador da matéria, que constitui os mundos, e dos espíritos, que são os seres que povoam o Universo, e que são perfectíveis por sua natureza.
  • o espírito, propriamente dito, é o princípio inteligente; sua natureza íntima nos é desconhecida; para nós ele é imaterial porque não tem nenhuma analogia com o que chamamos matéria.
  • os espíritos são seres individuais, têm um envoltório etéreo, imponderável, chamado perispírito, espécie de corpo fluídico, semelhante a forma humana, e povoam o espaço constituindo o mundo invisível.
  • os espíritos revestem-se temporariamente de um corpo material.
  • a encarnação é necessária ao desenvolvimento moral e intelectual do espírito e para a realização das Obras de Deus.
  • o aperfeiçoamento do espírito é o fruto de seu próprio trabalho, não podendo, em uma única existência corpórea, adquirir todas as qualidades morais e intelectuais que devem conduzi-lo ao objetivo, que é o progresso.
  • a vida espiritual é a vida normal do espírito: ela é eterna; a vida corpórea é transitória e passageira: é apenas um instante na eternidade.
  • em consequência de seu livre-arbítrio, uns tomam o caminho mais curto, que é o do bem, outros o mais longo, que é o do mal.
  • Deus não criou o mal; estabeleceu leis, e essas leis são sempre boas, porque ele é soberanamente bom; aquele que as observasse fielmente seria perfeitamente feliz, mas os espíritos, tendo seu livre-arbítrio, nem sempre as observam, e o mal veio de sua desobediência.
  • Deus, sendo soberanamente bom e justo, não condena suas criaturas a castigos perpétuos pelas faltas temporárias; oferece-lhes, em qualquer ocasião, meios de progredir e reparar o mal que elas praticaram.
  • os espíritos, encarnando-se, trazem com eles o que adquiriram em suas existências precedentes; é a razão pela qual os homens mostram instintivamente aptidões especiais, inclinações boas ou más, que lhes parecem inatas.
  • o esquecimento das existências anteriores é uma graça de Deus que, em sua bondade, quis poupar ao homem lembranças freqüentemente penosas.
  • em suas encarnações sucessivas, o espírito, sendo pouco a pouco despojado de suas impurezas e aperfeiçoado pelo trabalho, chega ao termo de suas existências corpóreas. Pertence, então, à ordem dos espíritos puros.

O ESPIRITISMO É CIÊNCIA

O Espiritismo pode ser definido como uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.

O Espiritismo é uma ciência de observação, e não o produto da imaginação. Os espíritos não vieram nos dizer que haviam pessoas que morriam e continuavam se sentindo vivas, mas provocaram a manifestação dos espíritos dessas pessoas, para que fossem observadas e analisadas.  Desta forma surgiu a teoria.

As ciências não fizeram progressos sérios senão depois que os seus estudos se basearam no método experimental. Acreditava-se que esse método só poderia ser aplicado à matéria, mas o é também às coisas metafísicas.

O Espiritismo procede da mesma maneira que as ciências positivas, isto é, aplica o método experimental.  Fatos novos que se apresentam, que não podem ser explicados pelas leias conhecidas, são observados, comparados, analisados e, partindo dos efeitos às causas, chega-se a lei que os rege; depois as conseqüências são deduzidas e busca-se as aplicações úteis.  Todos os princípios da Doutrina Espírita foram deduzidos por este método.  Nenhuma teoria foi preconcebida.

O Espiritismo demonstra experimentalmente a existência da alma e a imortalidade, principalmente através do intercâmbio mediúnico entre os encarnados e os desencarnados; entre o plano físico e o plano espiritual. O conhecimento de um não pode ser completo sem o conhecimento do outro, eles se complementam.

Se o Espiritismo tivesse aparecido antes das descobertas científicas teria sido abortado, como tudo que vem antes do tempo.  A ciência do mundo, se não deseja continuar no papel de comparsa da tirania e da destruição, tem absoluta necessidade do Espiritismo, cuja finalidade divina é a iluminação dos sentimentos, na sagrada melhoria das características morais do homem. (Gênese).

ESPIRITISMO É RELIGIÃO

O Espiritismo é  religião porque tem por finalidade a transformação moral do homem, retomando os ensinamento do Cristo, para que sejam aplicados na vida diária de cada pessoa.  Revive o Cristianismo na sua verdadeira expressão de AMOR e CARIDADE, religando a criatura à sua origem divina.

Não promove culto material, não tem rituais nem cerimônias, não possui símbolos, velas, roupas ou aparatos especiais, não admite o culto de imagens, não possui sacerdotes ou ministros.

Não admite rotulações diversas, tais quais: “Espiritismo de Umbanda”, “Espiritismo de Mesa Branca” ou “Espiritismo Kardecista”. Trata-se apenas de “Espiritismo”, que é baseado na Codificação Espírita.

Explica ao homem que ele é um espírito livre em evolução, responsável direto pelos seus atos, e, portanto, pelas suas conquistas ou fracassos.

A Fé espírita é a fé racionada e coloca a CARIDADE o AMOR como condições básicas para a evolução do espírito, independente do credo praticado. Por esta razão, não diz “Fora do Espiritismo não há salvação” e sim “Fora da caridade não há salvação”.

A caridade é a maior das virtudes, porque proporciona ao homem colocar em prática o mandamento essencial: “Amar ao próximo como a si mesmo”.

A caridade abrange três requisitos essenciais:

  • benevolência para com todos;
  • indulgência para com as faltas do próximo;
  • perdão às ofensas alheias.

Fonte:

O que é o Espiritismo

A Gênese

Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa

Texto Original: Correio Espírita

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Relacionamentos Saudáveis e a Busca pela Espiritualidade

Gabriela Dias

Durante nossa encarnação, podemos ter vários relacionamentos e encontrar neles pontos de equilíbrio e portas abertas para aprimorar nosso contato com a espiritualidade. Obviamente a responsabilidade de buscar o equilíbrio próprio é individual e intransferível, por isso não devemos delegar ao outro a responsabilidade pela nossa evolução, mas podemos buscar relacionamentos que nos auxiliem e nos impulsionem no sentido moral e espiritual.

Para entendermos o que é um relacionamento saudável precisamos refletir sobre o que entendemos por relacionamento, em que acreditamos, o que nos parece ou não normal dentro de uma relação, pois, por mais que não exista a obrigação de estarmos unidos a alguém, parafraseando Kardec em nota explicativa na questão 938 de O Livro dos Espíritos, “um dos maiores prazeres que nos são concedidos na Terra é o de encontrar corações que com o nosso simpatizem.” (1)

Já que não existem regras ou manuais de instruções que determinem o que é uma relação saudável. O autoconhecimento se faz muito útil e necessário para que identifiquemos o que é saudável em um relacionamento para cada um, mas sem respeito, companheirismo, comunicação e confiança nenhum relacionamento pode prosperar. Não é o amor que traz tudo isso para uma relação, pelo contrário, ele é a consequência dessas construções.

No livro Amorosidade o autor nos explica que

“O amor de verdade não gera ansiedade. Gera equilíbrio, paz e harmonia. E mesmo que haja algum nível de ansiedade, é razoável pensar que, em dia suportáveis, ela possa fazer algum bem, desde que seja a respeito daquilo que lhe pertence e que é de sua responsabilidade.” (OLIVEIRA, p. 105)

Um relacionamento saudável não é o que não possui conflitos ou problemas, mas o que possui a vontade de aprender e melhorar. Nós somos seres imperfeitos, lutando todos os dias para corrigir e lidar com nossas próprias limitações e muitas vezes isso vai incidir em nosso parceiro(a). Como nos explica o autor Wanderley também no livro Amorosidade:

“Ninguém passa pela sua vida sem um motivo que envolva suas próprias necessidades de aprimoramento e autodescobrimento. Relacionamentos são um espelho para a alma.” (OLIVEIRA, p. 192)

Se mantivermos sempre em mente que ninguém passa em nossa vida por acaso, saberemos aproveitar melhor as experiências adquiridas em nossas relações. Os relacionamentos refletem nosso estado emocional e nossos desejos e perspectivas em relação a nós mesmos. Aceitamos o que acreditamos merecer e damos ao outro aquilo que consideramos que lhe é digno e, por esse motivo, relacionamentos são um espelho para alma, refletindo nossas atitudes e sentimentos.

Se o amor de verdade gera equilíbrio, paz e harmonia, podemos aproveitar esses sentimentos para trabalharmos no nosso equilíbrio pessoal e, consequentemente, nos tornarmos mais espiritualizados. Os laços que aqui criamos e que são baseados no amor e no respeito, tendem a perdurar por outras existências, onde espíritos afins podem nos auxiliar e serem auxiliados por nós na caminhada evolutiva.

Por vezes, a abordagem do tema “relacionamentos” sob uma ótica espiritual, pode nos remeter a ideia de almas gêmeas, mas o espiritismo não defende a ideia de uma alma igual a outra ou de uma alma que se divide em duas ao reencarnar, estando predestinada a se encontrar aqui. Para a Doutrina Espírita, o termo mais adequado seria “almas afins” que seriam espíritos diferentes que possuem uma afinidade adquirida em experiências pretéritas e que, por meio da lei de atração e dos laços de amor e amizade que possuem, acabam se atraindo e se reencontrando.

Na Revista Espírita de 1864, Kardec fala sobre o amor:

“Antes de tudo, o que é a afeição, o amor? Ainda a atração fluídica, atraindo um ser para outro, unindo-os num mesmo sentimento. Essa atração pode ser de duas naturezas diferentes, já que os fluidos são de duas naturezas. Mas para que a afeição persista eternamente, é preciso que seja espiritual e desinteressada;”

Em um mundo ainda movido por interesses egoístas, é difícil imaginar um relacionamento construído com amor, de fato, pois nossos sentimentos ainda estão mais ligados às questões materiais do que às espirituais. Por esse motivo, a afeição não persiste eternamente porque cessa ao desvencilhar do corpo físico.

Todavia, uniões genuínas tendem a ser cada vez mais frequentes conforme vamos atendendo ao chamado da espiritualidade que, de muitas maneiras, nos convida e nos concede oportunidade e auxílio para progredir. Dessa forma, iremos atrair pessoas que também estão buscando espiritualizar-se.

romance Construtores da Nova Era, por meio da narrativa de seus personagens, nos dá exemplos de como a espiritualidade nos convida ao trabalho e de como a vida a dois pode nos fazer crescer espiritualmente.

A história nos apresenta à médica Dona Rosa e ao professor Flammarion, casados há anos, viviam de forma harmoniosa, trabalhavam a espiritualidade no estudo do espiritismo desde muito tempo; Rubens e Sophia, jovens inquietos, que começam a estudar o espiritismo e buscam fortalecer sua espiritualidade através do conhecimento, se desprendendo de crenças que os limitam e não mais os convencem; os pais de Sophia que viviam de forma desarmônica por conta do fanatismo religioso da mãe e, também, da mediunidade ostensiva do pai que lhe começara a trazer consequências físicas.

Tanto os instrutores, quanto os pais de Sophia atenderam ao chamado da espiritualidade através “da dor”, conforme o livro relata, mas Rubens e Sophia despertaram para esse chamado de forma mais branda, empreendendo uma busca por respostas e não, necessariamente, por soluções.

À medida que a Terra caminha para seu estado de regeneração, nós também sentimos a necessidade de evoluir; e aquela inquietação que permanecia em seu estado de latência, vem à tona para nos conduzir ao progresso espiritual. Por meio da vigilância e com o apoio daqueles que compartilham dessa jornada, estaremos mais atentos às nossas atitudes e vibrações em todas as relações.

É o que o autor Wanderley Oliveira no livro Amorosidade, nos esclarece:

“O homem consciente do futuro fará relacionamentos mais empáticos e sensitivos, nos quais prevaleça a vibração mais do que o que se fala ou o que se faz.” (OLIVEIRA, p. 91)

Nesse entendimento, Rubens e Sophia representam um tipo de relacionamento saudável, onde os espíritos estão cada vez mais conscientes da importância de cuidar das energias e das relações, almas afins com objetivos em comum que anseiam por mudança e, dentro do relacionamento, trilham juntos seus próprios caminhos pessoais rumo à evolução espiritual.

No capítulo 24 do romance, é descrita a cena do casamento dos dois e o professor Flammarion, que conduzia a cerimônia, fala aos presentes:

“(…) O importante, o verdadeiramente importante, é o que virá a partir de hoje: a construção de uma relação afetiva que oportunizará a Rubens e Sophia um mergulho nas águas profundas de suas próprias almas, de seus corações.”

E continua:

“No casamento, as almas que buscam crescer amadurecem, se autodescobrem, são aprimoradas no divino laboratório do matrimônio. Casamos para, por meio do amor conjugal, desenvolvermos outros amores; (…) O amor em família nos prepara para o amor universal.”

A convivência com o outro nos traz muitos desafios, mas também oportunidades de aprender a renunciar interesses egoístas, buscando a harmonia no lar e priorizando o amor e o respeito pelo outro. Consequentemente, estamos também trabalhando em nossa reforma íntima e nos preparando para não apenas amar e renunciar por aquele parceiro(a) que está ao nosso lado, mas por todos os que cruzarem nosso caminho.

Observemos nosso papel individual nessa evolução coletiva, para começarmos nossa transformação moral através dos conhecimentos adquiridos nessa e em outras existências. Os laços que aqui criamos, passageiros ou eternos, são oportunidades de crescimento e trabalho na reforma íntima. Cuidemos uns dos outros, amemos com desinteresse e dedicação, pois o amor de verdade atravessa as barreiras do tempo e perdura por toda nossa verdadeira e única vida.

Gabriela Dias

Fonte: Letra Espírita

REFERÊNCIAS:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillion Ribeiro. Rio de Janeiro, RJ, FEB, 84° edição, 2003, p. 436.

OLIVEIRA, Wanderley [psicografado por] Ermance Dufaux. Amorosidade: A cura da ferida do abandono. DUFAUX, Belo Horizonte/MG, 2018.

SOBRINHO, Rossano. Construtores da Nova Era. Editora Letra Espírita, Campos dos Goytacazes/RJ, 2021. p. 229-230

Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos: Ano sétimo – 1864 / publicada sob a direção de Allan Kardec; [tradução de Evandro Noleto Bezerra; 3 Ed. Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro/RJ, 2006. p. 78

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Extremismo, sociedade e o espiritismo

Enviado em 

Portal do Espírito

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O extremismo é marcado por pensamentos e ações de cunho filosófico e político que busca soluções radicais, extremas e muitas vezes impostas, para solucionar problemas sociais ou ideias e pensamentos diferentes de sua vertente.

Tais caminhos extremos são perigosos e muitas vezes barram a marcha pelo progresso. A humanidade vivenciou tais horrores de ideias extremistas ao longo de sua história, sendo a segunda guerra o ponto de virada, onde líderes buscaram novos rumos à garantia de direitos da humanidade.

Foi então que no dia 10 de dezembro de 1948 foi adotada e promulgada pela Assembleia Geral das Nações Unidas a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Destaco aqui os seguintes trechos:

Artigo 1

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo 2

Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

O espírito de fraternidade compreende e respeita todas as diferenças. O espírito extremista e radical busca sempre combater o que lhe é diferente e que parece rival às suas ideias. Muitas vezes os extremistas utilizam exemplos e matrizes filosóficas já falidas que não cabem mais no presente ou num futuro o qual caminhamos para a regeneração do planeta. Precisamos curar o planeta, a sociedade e cada um de nós, pois o amanhã deverá ser um tempo de respeito e equilíbrio, jamais de radicalismo; e para isso é preciso convivermos em sociedade e convivermos com o diferente.

766 – A vida social está na Natureza?

“Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.” (O Livro dos Espíritos)

A vivência em sociedade é o caminho, pois de certo pode- se ver progresso quando comparamos século após século da humanidade. Os mais pessimistas, radicais e saudosos dirão que estamos regredindo como sociedade e que “na sua época” era melhor. Enganam-se pois o próprio espiritismo nos conta que não é possível regredir, até podemos estagnar-se e demorar para progredir, mas regredir jamais. O Futuro chega e com ele o aperfeiçoamento da sociedade. Como aponta a questão de número 790, a civilização ainda possui um progresso incompleto, pois a humanidade não pode passar subitamente da infância à maturidade.

795 – Qual a causa da instabilidade das leis humanas?

“Nas épocas de barbaria, são os mais fortes que fazem as leis e eles as fizeram para si. À proporção que os homens foram compreendendo melhor a justiça, indispensável se tornou a modificação delas. Quanto mais se aproximam da vera justiça, tanto menos instáveis são as leis humanas, isto é, tanto mais estáveis se vão tornando, conforme vão sendo feitas para todos e se identificam com a lei natural.” ( O Livro dos Espíritos)

E parte dessa civilização incompleta se dá por leis muitas vezes atrasadas. Leis feitas por grupos que visam defender seus interesses. E vemos de forma ainda mais clara, quando grupos extremistas e radicais chegam ao poder. Sejam por suas vertentes políticas ou religiosas, quando não as duas juntas, eles se apoderam do poder suprimindo quaisquer direitos democráticos de minorias sociais. E são elas, as minorias, como mulheres, negros, lgbtqia+, imigrantes, indigenas, que sofrem a força de um regime autoritário, ditatorial, radical, ou seja, em sua raiz, extremista.

“Enquanto na Terra correr uma gota de sangue humano, vertida pela mão dos homens, o verdadeiro Reino de Deus ainda se não terá implantado aí, reino de paz e de amor, que há de banir para sempre do vosso planeta a animosidade, a discórdia, a guerra.”

Esta última frase destacada pode ser encontrada na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, item O Duelo, que demonstra que o verdadeiro reino de Deus na Terra será implantado quando resolvermos socialmente e intimamente em nós, quaisquer animosidades remanescentes. Esse reino de Deus, é claro, são os avançados paços que o Planeta e a Humanidade poderá alcançar, bem estruturados pela Lei de Amor e Caridade, como reitera o seguinte trecho do mesmo item já citado:

“Amigos, lembrai-vos deste preceito: “Amai-vos uns aos outros” e, então, a um golpe desferido pelo ódio respondereis com um sorriso, e ao ultraje com o perdão.”

Para combater o extremismo e o radicalismo ideológico é preciso equilibrar-se e para essa tarefa difícil, o Espiritismo se mostra disposto a servir-lhe de apoio na busca do autoconhecimento, autoperdão e no autoamor, e a partir disso, a caridade, o perdão às ofensas do próximo e então o tão sonhado e puro, amor ao próximo. Ame! E como diz Carlos Drummond de Andrade em seu poema Amar:

“Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?

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Fonte: Portal do Espírito

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O Papel dos Espíritos Missionários na Transição Planetária

Fernanda Oliveira

Reprodução de artigo originalmente publicado na Revista Letra Espírita, ed. 33: 26 de maio de 2022

Todos os Espíritos foram criados por Deus de forma simples e ignorante; somos seres imperfeitos com a capacidade de aprender, errar, pensar, reaprender e evoluir. Somos Espíritos longe da perfeição, com capacidade tanto para o mal como para o bem. A vida em sociedade é aprendizado constante para o progresso. Temos que ter a consciência que somos espíritos eternos e devemos ter um propósito na vida.

O objetivo maior da reencarnação é a capacidade que o ser possui de aprender, discernir e de fazer escolhas válidas para o seu próprio progresso.

O planeta Terra é visitado por inúmeros Espíritos que reencarnados assumem a responsabilidade de ser exemplo e acelerar o progresso mediante invenções, descobertas, inspirações. Podemos entender esses Espíritos como Espíritos missionários.

Segundo o dicionário missionário é aquele que recebeu ou assumiu a incumbência de realizar determinada tarefa ou promover a sua concretização.

Os Espíritos missionários já são designados antecipadamente antes de reencarnarem, trazendo com a sua missão amor, caridade e paz. Nem sempre esses Espíritos possuem a consciência de sua missão. As missões dos Espíritos nobres e altruístas tem sempre por finalidade a promoção do bem, a melhoria do nosso padrão moral, a fraternidade, empatia e o perdão.

Conforme esclarecimento de O Livro dos Espíritos as missões correspondem as capacidades e a elevação do espírito. Como exemplo de alguns espíritos missionários temos Moises, Francisco de Assis, Joana d’Arc, Buda, Gandhi, Alveiro Vargas, Chico Xavier; como Kardec que além do seu trabalho como pedagogo, escritor de diversos livros, também pesquisou, estudou e codificou a Doutrina Espírita com a ajuda dos Espíritos encarnados e desencarnados. Seres humanos diferentes entre si, em diferentes locais, com diferentes graus de conhecimento, mas todos com muita relevância no auxílio de outras pessoas. Jesus ensinou que a maior representação de Deus na Terra é o próximo.

Nenhum sinal excêntrico surgirá na terra ou no céu; não serão vistos descendo do céu; não usarão capas ou alegorias, serão pessoas comuns; em O Evangelho Segundo o Espiritismo aprendemos que: “os verdadeiros missionários de Deus ignoram-se a si mesmos, em sua maior parte; desempenham a missão a que foram chamados pela força do gênio que possuem, secundado pelo poder oculto que os inspira e dirige a seu mau grado, mas sem desígnio premeditado”, acrescentando que são humildes e modestos. Reconhecem-se, então, os Espíritos missionários, pelas suas obras, pelo progresso que realizam, pelo trabalho na seara do bem; no poder de influenciar moralmente e elevar espiritualmente.

Toda mudança de ciclo evolutivo da terra acarreta profundas alterações materiais e espirituais que depende do melhoramento de todos. Durante a transição planetária as criaturas que perceberem a necessidade de mudar irão acompanhar e auxiliar a transformação planetária.

O mundo tem evoluído bastante principalmente no aspecto material: novas tecnologias, globalização, evolução da medicina, transformações cientificas, inovações na engenharia e arquitetura; mas é urgente que as mudanças morais acompanhem todo o progresso material.

Em A Gênese, Kardec esclarece sobre a necessidade da evolução moral para que o planeta realmente passe para um próximo estágio de transição planetária a regeneração. Precisamos colaborar com a evolução moral do planeta já que cada um de nós também temos uma missão pessoal, precisamos desenvolver nossa inteligência emocional, fortalecer nosso espírito com estudos e atividades no bem, bom senso, capacidade de respeitar as diferenças e compreender que cada ser tem seu roteiro divino próprio. Estamos aqui para aprender com as novas situações dessa encarnação.

O estudo da Doutrina Espírita e a reforma intima (autoconhecimento) continuam sendo o caminho mais seguro para se manter o equilíbrio e evoluir. Não podemos seguir valores herdados de organizações sociais e religiões, confundindo o espiritismo com crendices e dogmas que não fazem parte da Doutrina Espírita. O Espiritismo ciência de observação e doutrina filosófica atual e universal não tem nacionalidade, não faz culto particular, não é imposto, não tem hierarquia, não tem símbolos ou logotipos, não tem autoridade máxima, não castiga, não pune, segrega, não resolve os problemas por nós. Busca aproximar o ser humano de Deus onde o que importa é aprender e evoluir buscando a melhoria dos padrões morais.

E de tempos em tempos Espíritos missionários com missões coletivas estão presentes na terra para contribuir no nosso aprendizado e melhoria intelectual, moral e espiritual. A existência terrena é uma responsabilidade do ser para aprender agir no bem através do cuidado, da renovação, da empatia, da solidariedade, da transformação do caráter.

Esses Espíritos missionários seguindo a lei do progresso serão pessoas comuns com o propósito de acelerar o desenvolvimento moral, espiritual, social e intelectual.

Vamos caminhando repensando nossa maneira de viver, lembrando que a regeneração começa dentro de nós. Orando, agindo e vigiando sempre em sintonia com energias positivas e elevadas.

“A transição planetária se inicia quando cada um procura fazer a transição individual moral.”  (Murilo Viana)

Fernanda Oliveira

Fonte: Letra Espírita

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REFERÊNCIAS:

KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Editora Boa Nova

KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – Editora EME

Allan KARDEC – A Gênese – Editora IDE

XAVIER, Francisco Cândido / Emmanuel – Missionários da Luz – Editora FEB

CALDINI, Alexandre Neto – A Vida na Visão do Espiritismo – Editora Sextante

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